Um Conselho para Cuidar da Profissão

 Memória  Comentários desativados em Um Conselho para Cuidar da Profissão
nov 111996
 

Esse documento que segue foi já um segundo documento. O primeiro era idêntico a esse, mas assinado apenas por Ana Bock, Marcus Vinicius e Francisco Viana. Com a chapa 2 montada, reproduzimos o documento e ele circulou pela internet já indicando os nomes dos componentes da chapa. Sua data deve ser maio de 1996.

Por uma articulação pública, aberta e democrática para a discussão de uma Política Nacional para os Conselhos de Psicologia

1. Em agosto deste ano, com a realização do II CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, organizado pelos Conselhos Profissionais, mais um importante passo estará sendo dado para a implementação das transformações sociais, políticas e jurídicas dessas instituições, sobretudo do Conselho Federal, de maneira a melhor adequá-las às urgências profissionais que afligem aos mais de 90.000 psicólogos brasileiros.

2. Para uma melhor compreensão desse momento, é necessário que nos reportemos a uma caminhada democratizante que nos remete ao início dos anos 80, quando forças progressistas venceram uma disputa política que afastou da direção do Conselho Federal de Psicologia um segmento mais conservador, responsável, por exemplo, pela concessão do título de psicólogo honorário ao Presidente Médici. Desta maneira, no período subseqüente, não foi estranho encontrar essa entidade na Luta pelas Diretas e em outras campanhas vinculadas a redemocratização da sociedade brasileira e aos direitos humanos.

3. Do ponto de vista interno, o processo de democratização das relações entre Conselho Federal e Conselhos Regionais se expressou através da implementação de um Conselho Consultivo, como instância comum de formulação dos projetos de ação nacional da autarquia que, extrapolando os rígidos mecanismos jurídicos autárquicos, introduziram a livre discussão política como método de relacionamento da comunidade formada pelos conselheiros federais e regionais. Operando com base no consenso, o que era muito limitativo, o Conselho Consultivo seria substituído, a partir dos anos 90, por um Conselho Deliberativo, que mantinha a mesma finalidade, com maior poder decisório.

4. Do ponto de vista da categoria, esse processo democratizante refletiu-se na mudança da prática política da maioria dos Conselhos Regionais, que assumiram uma postura de diálogo com os colegas, abrindo espaços de debate sobre a profissão e discutindo o caráter fiscalizador da entidade; além disso, implementaram eleições diretas para o Conselho Federal, rompendo com a prática de sua indicação pelos plenários dos Regionais.

5. Do ponto de vista político, a grande conquista democratizante da autarquia se daria em 1989, quando pela primeira vez na sua história, realiza um evento nacional, organizado e promovido conjuntamente com as entidades sindicais da categoria (Fenapsi e Sindicatos/ Associações) e composto por delegados eleitos nas bases, concretizando uma nova forma de fazer política. Frágil e limitado na sua capacidade de aprofundar as discussões, a realização do CONGRESSO NACIONAL UNIFICADO representou para a autarquia a afirmação de uma possibilidade de participação direta dos psicólogos na formulação dos seus interesses maiores.

6. Em 1991, o CFP realizou um Encontro de Plenárias em Belo Horizonte. Este evento poderia ter representado um relativo retrocesso nesse processo de inclusão da categoria nas discussões da autarquia, se não fosse sua decisão final de realização de um PROCESSO CONSTITUINTE, o qual resultou no vitorioso I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, realizado em 1994, em Campos do Jordão/SP.

7. Nós, que nesse momento assumimos a proposta de construção desta articulação, consideramos o I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA como um marco indiscutível de uma nova era institucional para essa autarquia e para o futuro de nossa profissão. Apesar dos evidentes limites, esse evento nos fez avançar na afirmação da democracia direta como método de enfrentamento das dificuldades da profissão, pois permitiu que nos debruçássemos sobre amplo material a respeito de nossa formação, nosso exercício profissional e nossa organização política, nos desafiando na busca de soluções para os problemas e exigindo um redesenho de nossa configuração institucional.

8. Fóruns específicos, como os que sucederam o I Congresso, poderão contribuir na formulação de posições sobre os problemas existentes, que serão homologadas na forma adequada pelas instâncias institucionais adequadas. A regularidade do fórum congressual, de caráter nacional a cada 3 anos, nos oferecerá um referencial para a organização de uma Agenda de Discussões que atualize as posições da categoria, unificadas nacionalmente, sobre vários aspectos críticos da profissão, definindo políticas nacionais que deverão balizar as nossas intervenções institucionais na conjuntura social brasileira.

O LUGAR DA FUTURA ELEIÇÃO NACIONAL NESSE PROCESSO
9. Ao lado dessa inovadora e progressista perspectiva, o I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, ao alterar a composição política e a forma de eleição da direção do Conselho Federal de Psicologia, trouxe novas responsabilidades em termos da participação de todos os interessados na construção de uma Política Nacional para a Autarquia, a serem encampadas por uma CHAPA NACIONAL que, efetivamente contemple os interesses das forças políticas comprometidas com esse processo de transformação.

10. Para nós o sucesso do atual projeto de mudanças, que deverá ser aprofundado durante o II CONGRESSO NACIONAL, passa hoje pela construção de uma articulação pública, aberta e democrática, que precedendo a sua realização e superando as limitações geográficas hoje existentes, crie um espaço e uma oportunidade de participação para que as idéias sobre o futuro da entidade possam efetivamente ser conhecidas e debatidas, oferecendo visibilidade às eventuais divergências e enriquecendo o debate político. Tal é a nossa disposição ao dispararmos essa iniciativa, que a partir de agora encontra-se aberta para adesão dos interessados.

UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO EM UMA CONJUNTURA DE CRISE…
11. Como se não bastassem as dificuldades epistemológicas que fundam a Psicologia, a história de sua institucionalização como profissão no Brasil incluiu uma série de pressões sociais, cujos efeitos, hoje, questionam o seu próprio futuro enquanto atividade profissional, colocando em risco a sua própria existência.

12. Sem grandes enraizamentos na tradição cultural e intelectual brasileira, convertida em profissão a partir de 1962, a Psicologia viveu vertiginoso crescimento que nos prepara uma entrada no ano 2000 com um contingente de mais de 100.000 psicólogos, fortemente concentrados nos grandes centros urbanos e nas regiões do país mais desenvolvidas economicamente. Essa ausência de enraizamentos anteriores e o caráter vertiginoso de seu crescimento são elementos importantes para caracterizarem as dificuldades vividas pela profissão nesse momento.

13. Um primeiro efeito significativo dessa trajetória diz respeito aos limites da institucionalização acadêmica da Psicologia no Brasil e o seu impacto no processo de formação dos profissionais psicólogos. Com tal ordem de crescimento, torna-se inevitável perguntar pelos inexistentes processos de preparação docente e seus reflexos no caráter banalizador da transmissão de conhecimentos operado durante a formação das primeiras gerações profissionais, por sua vez formadora das próximas. Por outro lado, quando se considera que a expansão de ofertas de vagas em psicologia esteve associada ao movimento privatizante do ensino, em escolas empresas, em sua maioria sabidamente de má qualidade, pode-se ter o dimensionamento das dificuldades enfrentadas em termos da qualidade da mão de obra tornada disponível.

14. Do ponto de vista estritamente profissional, como sucessivas pesquisas tem evidenciado, essa multiplicação desordenada de psicólogos criou impasses em relação ao mercado de trabalho estabelecido, incapaz de absorver no seu crescimento vegetativo, todo esse contingente de profissionais. Abandono da profissão, predominância da dedicação parcial, subemprego, baixos salários, aviltamento das condições do exercício profissional são apenas algumas das conseqüências das pressões mercadológicas.

15. Fortemente identificada com uma prática de caráter clínico, o exercício profissional dos psicólogos assume uma perspectiva elitista e liberal, onde a saturação do mercado, definida pelo seu caráter limitado em termos de capacidade de financiar o consumo de serviços psicológicos, leva a uma exigência de diversificações e novidades em torno do mesmo tema, fazendo eclodir, entre nós profissionais, a adoção das chamadas “práticas alternativas”, como forma de encontrar um espaço diferenciado nesse mercado tão competitivo.

16. Por outro lado, ao se vincular aos signos da Individualidade e da Subjetividade, enquanto dois pilares centrais da construção da cultura da Modernidade, o espaço da Psicologia se vê tencionado também pelo assédio da Mídia e por toda uma gama de interesses que sabem que “o psicológico” é um poderoso instrumento de marketing.

17. Impactados por toda essa conjuntura, as organizações sociais constituídas pelos psicólogos(Sindicatos, Sociedades, Associações e principalmente os Conselhos)têm se revelado frágeis e atônitas frente à complexidade e variedade dos problemas a serem enfrentados, com uma pequena capacidade de tomar iniciativas e posicionamentos, como se o futuro pudesse, sem as intervenções da categoria, trazer as soluções.

18. Sobretudo os Conselhos de Psicologia, que têm o papel regulamentador da profissão, têm se mostrado tímidos frente a essa tarefa, deixando desnorteados os profissionais que a eles se dirigem em busca de referências. Sem dúvida alguma, o avanço do processo de organização, consubstanciado no I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, representa uma grande possibilidade de superação desta inércia, na medida em que, através dos Congressos, a categoria emprestará autoridade para que essa entidade se movimente com mais legitimidade em seu nome.

19. Nesse contexto de perspectivas extremamente desfavoráveis para o nosso futuro, entendemos fazer sentido um chamamento às forças interessadas na construção de um projeto político, que assuma como sua prioridade fazer do Conselho Federal o espaço nacional de aglutinação de um projeto “para cuidar da profissão”. Entendemos ser preciso romper com posições hesitantes e enfrentar as incertezas que caracterizam nosso campo psicológico com uma postura corajosa, capaz de trazer definições e traçar limites, ainda que de forma provisória.

20. Assumir a perspectiva do “Conselho para cuidar da profissão” não significa em hipótese alguma ceder aos reclames corporativos que nesse contexto emergem como solução. Num contexto político nacional, em que forças reacionárias, organizadas no governo FCH, pregam a política neoliberal de desmontagem do Estado, “cuidar da profissão” significa exatamente o engajamento radical na luta pela expansão dos serviços públicos e na defesa dos direitos de cidadania. É preciso ter clareza que não existe hoje contradição entre os interesses profissionais da grande maioria dos psicólogos desempregados e sub-empregados e as lutas da população na exigência do direito à saúde, à educação, ao trabalho e à terra. Portanto, nosso Conselho Nacional precisa desenvolver uma ação competente que possa consolidar a liderança institucional junto à própria categoria, lutando sempre para viabilizar uma prestação de serviços éticos e de boa qualidade para a população.

21. Cuidar da profissão significa também, dessa maneira, fazer um investimento no desenvolvimento de uma competência institucional, através de uma adequada capacitação técnica e humana, que possa garantir, ao seu gerenciamento administrativo e político, eficiência e qualidade. Nesse contexto de problemas enfrentados pela profissão, a gestão do Conselho Nacional deve ser uma alavanca para a superação da desinformação e do amadorismo que às vezes marcam a gestão de nossas entidades. Buscar criar condições para a capacitação técnica dos gestores e dos seus colaboradores, tanto do ponto de vista administrativo, quanto político, passa assim a ser, mais do que uma meta burocrática, uma tarefa coletiva de todas as suas unidades institucionais.

22. Por outro lado, tal ordem de questões nos coloca necessariamente frente a uma reflexão acerca do papel e do relacionamento dessa instância nacional para com as instâncias regionais. Para nós o apoio à proposta de autonomização crescente dos Regionais, francamente majoritária no I CONGRESSO NACIONAL, não deve e não pode significar uma criação de obstáculos à construção da unidade de ação política da autarquia como um todo. A autonomia dos Regionais não pode significar a constituição de normas de exercício estritamente locais, que colocasse psicólogos de diferentes regiões submetidos a diferentes regimentos profissionais. Torna-se então necessário identificar a melhor forma de garantir uma unidade nacional das regulamentações profissionais. Por outro lado, entendemos que o processo de constituição de uma DIRECÇÃO POLÍTICA passa necessariamente pela construção comum de uma Agenda de Discussões capaz de traduzir prioridades e responsabilidades de cada um.

23. Tendo em vista, que nesse primeiro texto, pretendemos estar contribuindo para a abertura de discussões públicas sobre as futuras eleições do CNP, com vistas à construção de um processo político que não se resuma num processo privado de organização de chapas, consideramos convidados todos os interessados na seqüência desse processo. Neste momento, considerando as limitações geográficas, estamos documento pelo correio eletrônico (Internet), bem como de fazermos circular o material que nos seja enviado.

24. Imaginamos que o processo de preparação e organização dos Congressos Regionais deva se constituir em espaços privilegiados para a expansão deste debate, na direção de construirmos um projeto político mais unificado nacionalmente. Estamos prevendo para 12/13 de julho uma conferência nacional aberta desta articulação a ser realizada possivelmente em São Paulo, momento no qual a produção deste processo poderá ser sintetizada, oferecendo visibilidade aos consensos e dissensos, que caso sejam insuperáveis poderão, no nosso entender, dar origem a tantas chapas quantos forem os agrupamentos que ali se produzirem. Obviamente, ao dar início a este processo, temos expectativas de que, superando os limites pessoais e regionais,possamos construir abrangentes consensos, reunindo, em torno de um mesmo programa, todas aquelas forças que têm, há mais de uma década, buscado construir uma autarquia mais competente e mais democrática.

Chapa 2: UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO:

EFETIVOS:
presidente: Ana Mercês Bahia Bock -SP
vice-presidente: Francisco José Machado Viana -MG
secretário: Marcus Vinícius de Oliveira Silva -BA
tesoureiro: José Carlos Tourinho e Silva –SE
diretoria região Norte: Jorge Moraes Costa –PA
diretoria região Nordeste: Laeuza Lúcia da Silva Farias –AL
diretoria região centro-Oeste: Deusdet do Carmo Martins –GO
diretoria região Sudeste: Ernesto J. Santos –RJ
diretoria região Sul: Álvaro Luiz de Aguiar –SC

SUPLENTES:
Marcos Ribeiro Ferreira -SC
Marta Elizabeth de Souza -MG
Odair Furtado -SP
Rosa Maria Benedetti Albanezi -DF
Candida do Socorro Conte de Almeida -PA
Francisco Eduardo da Costa -CE
Maria de Lourdes J.Contini -MS
Jorge Broide -SP
Julieta Arsenio –PR

Um Conselho para Cuidar da Profissão II

 Memória  Comentários desativados em Um Conselho para Cuidar da Profissão II
nov 111996
 

Neste segundo documento de campanha, começamos a caminhar mais para uma plataforma eleitoral. É também um documento de 1996.

No primeiro documento que elaboramos, fizemos uma pequena análise da situação conjuntural de nossa profissão. E apontávamos… “Nesse contexto de perspectivas extremamente desfavoráveis para o nosso futuro, entendemos fazer sentido um chamamento às forças interessadas na construção de um projeto político, que assuma como sua prioridade fazer do Conselho Federal o espaço nacional de aglutinação de um projeto “para cuidar da profissão…”

Apontávamos alguns aspectos deste projeto:
“…engajamento radical na luta pela expansão dos serviços públicos e na defesa dos direitos de cidadania…”
“…fazer um investimento no desenvolvimento de uma competência institucional, através de uma adequada capacitação técnica e humana…”

Aqui pretendemos desenvolver um pouco mais nosso projeto.
Depois de pelo menos 10 anos pesquisando, questionando, debatendo nossa profissão, temos hoje alguns consensos:

  • é preciso superar o modelo médico que tem caracterizado nossa profissão
  • é preciso construirmos uma prática que coloque nossos serviços ao alcance da maioria da população
  • é preciso atuarmos visando a promoção do bem estar do indivíduo e da comunidade. O psicólogo é um profissional da saúde e deve trabalhar para promovê-la
  • é preciso superarmos uma formação que nos ensina apenas a reproduzir Psicologia para então passarmos a criar Psicologia

Enfim, consciência de nossos problemas e mesmo a clareza de algumas soluções nós parecemos ter. O que nos falta então?
Nos falta ousar por em prática, através de nossas entidades, alguns procedimentos que contribuirão para o avanço. Não basta termos consciência dos problemas; é preciso atuar, intervir na realidade.

As gestões do Conselho Federal de Psicologia tiveram o grande mérito de abrir o espaço da entidade para o debate, contribuindo para que todas estas questões fossem apontadas. Agora é preciso transformar nosso conhecimento sobre a profissão e seus problemas em ação.
É preciso construir ou reformular os instrumentos de comunicação com a categoria para que possam levar a cada psicólogo este debate; para que possam levar a cada psicólogo propostas e alternativas para a prática de cada um, propostas acompanhadas de sua fundamentação teórica;
É preciso dialogar com as agencias formadoras dos psicólogos, porque aí está a fonte de grande parte de nossas questões e talvez a fonte de grande parte de nossas soluções. Não devemos ser ingênuos acreditando que nossos problemas se localizam exclusivamente na formação; estaríamos sendo simplistas e superficiais em nossas análises, pois a formação dos psicólogos reflete uma sociedade e uma ciência neo-liberais, tecnicistas que ignoram as desigualdades existentes e estão baseadas na política da exclusão. É preciso, portanto, entender a questão da formação dentro de um contexto social onde ela ocorre e que lhe empresta características e propriedades.
Assim pretendemos um debate aberto e histórico com as agencias formadoras. É preciso dialogar, principalmente com as Universidades públicas que sempre foram as agencias de ponta na formação de nossos profissionais. Que psicólogo estão formando? Estão ensinando que visão de homem e de sociedade? Que prática profissional estão estimulando? As Universidades públicas devem ser a referência, devem ser o carro chefe de nossa formação. Nosso debate deve se iniciar aí.
Nessas escolas é preciso debater o modelo de serviço que está instituído através dos estágios. Como andam os Serviços de Psicologia Aplicada? As Clínicas Psicológicas? Como podemos desejar que nossos profissionais se comprometam com um atendimento e uma Psicologia para a maioria da população se nossas clínicas estão construídas a partir do modelo da prática autônoma da Psicologia? Temos muito que debater.
Outro ponto importante nesse diálogo é a possibilidade de entendermos a Psicologia fundamentalmente como uma ciência e não simplesmente como uma profissão. Ver a Psicologia como ciência significa repensar a profissão a partir do ponto de vista da ciência. Temos freqüentemente analisado nossa profissão pensando-a como uma prática profissional, portanto como conjunto de métodos e técnicas de intervenção. E pensamos que a prática que sabemos desenvolver poderia ser melhor aproveitada, poderia se expandir etc…Mas é preciso pensá-la de uma outra perspectiva: a da ciência. Há uma realidade social e humana que apresenta para a ciência problemas; cabe à ciência, a partir desta realidade e sempre colada a ela, investigar, pesquisar e construir formas de superar as dificuldades e necessidades apresentadas. Talvez se fizéssemos isto chegássemos à conclusão que é preciso redirecionar nossa profissão para uma prática educacional, junto aos milhares de alunos de nossas escolas públicas onde o fracasso é hoje a maior característica; junto aos trabalhadores para a obtenção de condições saudáveis de trabalho; junto à população, nas unidades de saúde, para construirmos coletivamente as condições saudáveis de vida. Estes são exemplos apenas de uma reversão na direção de nossa formação; talvez não sejam estas as prioridades, mas com certeza não são prioridades as práticas que insistimos em ensinar.
Superar o modelo médico/ clínico de atuação é outro ponto que tem merecido nossa atenção. Pensamos que a superação deste modelo passa inevitavelmente pelo debate da visão de homem e de sociedade que fundamentam nossos conhecimentos e prática. A visão do homem autônomo, independente, ahistórico precisa ser superada; um homem que se autodetermina; que é responsável único pelo seu processo de individuação são aspectos que merecem nossa atenção para que possamos iniciar o trabalho, com certeza longo, de superação.
É preciso ainda que estejamos dispostos a colocar tudo na mesa, sem medo. Este medo que tem aparecido em pesquisas sobre nossa profissão: o medo do novo; a insegurança do não saber fazer sempre que a situação é outra que não aquela aprendida/vivida na faculdade. O debate corajoso de nossas questões é ponto de honra quando se pretende cuidar da profissão, pois cuidar da profissão não é trabalhar para mantê-la como está; trabalhar para cuidar da profissão é ousar expor nossos problemas e fragilidades, nossas ignorâncias e desconhecimentos para construir uma Psicologia que seja realmente importante e necessária para a sociedade brasileira.

Esperamos sua colaboração. Convidamos você para esta luta!

Chapa 2 UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

EFETIVOS:
presidente: Ana Mercês Bahia Bock – SP
vice-presidente: Francisco José Machado Viana – MG
secretário: Marcus Vinícius de Oliveira Silva – BA
tesoureiro: José Carlos Tourinho e Silva – SE
diretoria região Norte: Jorge Moraes Costa – PA
diretoria região Nordeste: Laeuza Lúcia da Silva Farias – AL
diretoria região Centro-Oeste: Deusdet do Carmo Martins – GO
diretoria região Sudeste: Ernesto J. Santos – RJ
diretoria região Sul: Álvaro Luiz de Aguiar – SC

SUPLENTES:

Marcos Ribeiro Ferreira – SC
Marta Elizabeth de Souza – MG
Odair Furtado – SP
Rosa Maria Benedetti Albanezi – DF
Cândida do Socorro Conte de Almeida – PA
Francisco Eduardo da Costa – CE
Maria de Lourdes J. Contini – MS
Jorge Broide – SP
Julieta Arsenio – PR

Material de Campanha 1996

 Memória  Comentários desativados em Material de Campanha 1996
nov 111996
 

Feito e distribuído já próximo às eleições: novembro de 1996

No dia 28 de novembro os psicólogos estarão elegendo a nova diretoria do Conselho Federal de Psicologia. Eleições diretas! Uma vitória da categoria. Não deixe de votar.

CHAPA 2 – UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

Para nós democracia é coisa muito séria. Por isso entendemos que construir uma chapa para concorrer às eleições do CFP é mais do que juntar um punhado de nomes.

O novo patamar de organização política, representado pelas transformações decorrentes do I Congresso Nacional da Psicologia, nos desafia a renovar os velhos hábitos políticos vigentes.

Por isso desde o começo temos procurado construir uma articulação de forma pública, aberta e democrática.

O MÉTODO DEMOCRÁTICO COMO PRESSUPOSTO
Para nós, democracia tem que se concretizar nas práticas cotidianas:

  • em um compromisso com a mais ampla circulação de informações que garanta possibilidade da participação de todos os interessados;
  • em um relacionamento ético e dialogante entre os diversos níveis institucionais e entre esses e a categoria;
  • na construção de processos coletivos que possibilitem a multiplicação dos atores institucionais;
  • na responsabilidade pessoal dos dirigentes para com as decisões emanadas dos fóruns de deliberação coletiva.

O CFP COMO INSTITUIÇÃO ESTRATÉGICA

As organizações sociais constituídas pelos psicólogos têm se revelado frágeis e atônitas frente à complexidade e variedade dos problemas da Psicologia, enquanto ciência e profissão.

Nesse contexto de crise, entendemos que o CFP joga um papel fundamental como agenciador de processos que possam aglutinar as várias formas organizativas construídas pela categoria, no enfrentamento desta fragilidade.

Concretamente isso significa que o CFP deve atuar buscando construir alianças e parcerias entre os diversos grupos da profissão -acadêmicos, profissionais, de formação.

Certamente esse processo tem como pressuposto a construção de um relacionamento sincero e solidário entre as unidades da autarquia.

CUIDAR DA PROFISSÃO: PRIORIDADE NÚMERO 1

Entendemos que os limites da institucionalização das entidades da Psicologia no Brasil produziram uma situação de inércia e abandono da profissão que tem ficado ao sabor da aleatoriedade das circunstâncias.
Nesse contexto, CUIDAR DA. PROFISSÃO significa:

  • A ousadia de enfrentar as urgências da profissão com a construção coletiva de demarcações relativas ao exercício profissional, produzindo concretamente a identidade da profissão;
  • Fazer avançar o processo de reflexão e atuação no campo da ética profissional, que evolua do registro da prestação de serviços para um compromisso da categoria com a construção da cidadania,
  • Assumir a luta pela constituição de um espaço institucional próprio para a abordagem das questões da formação acadêmica, nos moldes das associações brasileiras de ensino das diversas profissões;
  • Viabilizar o acesso dos profissionais a processos de reciclagem, através da constituição de um programa de educação profissional continuada que contribua para a melhoria da qualificação dos serviços prestados à comunidade,
  • Realizar uma gestão administrativa competente, através da adoção de instrumental técnico gerencial, de forma a tornar nossa entidade ágil e eficaz, zelando pela boa utilização dos seus recursos financeiros;
  • Intervir nas políticas públicas buscando articular os interesses de uma política da profissão com a luta pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro;
  • Romper com o isolamento internacional da Psicologia brasileira, integrando-a no contexto do desenvolvimento técnico científico mundial e buscando laços de solidariedade e intercâmbio no plano profissional, dando especial atenção à integração regional no Mercosul;
  • Desenvolver uma atenção especial para com as entidades sindicais dos psicólogos -FENAPSI e sindicatos- buscando desenvolver parcerias em torno de objetivos comuns, garantindo a especificidade da atuação de cada uma;
  • Participar ativamente dos fóruns políticos organizadores das diversas entidades representativas da sociedade civil que partilhem dos interesses políticos e profissionais dos psicólogos e suas entidades.

Ao concorrermos nas eleições para o CFP, reafirmamos o nosso compromisso com as decisões do I e II Congressos, bem como a implementação dos processos de transformações institucionais aí decididos.

EFETIVOS
Ana Mercês Bahia Bock – SP
Francisco José M. Viana – MG
Marcus Vinícius O Silva – BA
José Carlos Tourinho – SE
Jorge Moraes Costa – PA
Laeuza L. S. Farias – AL
Deusdet C, Martins – GO
Ernesto J. Santos – RJ
Álvaro L. Aguiar –SC

SUPLENTES
Marcos R. Ferreira -SC
Marta Elizabeth Souza -MG
Odair Furtado -SP
Rosa M,B. Albanezi -DF
Candida S.C. Almeida -PA
Francisco Eduardo Costa -CE
M. Lourdes J.Contini -MS
Jorge Broide -SP
Julieta Arsenio –PR

A CHAPA 2, UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO, está constituída por 18 excelentes colegas, representantes da categoria, que atuam em diversas áreas da Psicologia e militam há muitos anos em entidades e movimentos dos psicólogos e da sociedade civil.

POR QUE ESTAMOS NOS CANDIDATANDO?
Estamos nos candidatando para construir um Conselho para cuidar da profissão. E aqui alguns aspectos merecem destaque:
1o. Entendemos que é preciso dar sentido a atuação do Conselho Federal de Psicologia. É preciso exigir dele o cumprimento de sua função: cuidar da profissão. E só há uma maneira de realmente se cuidar da profissão, que é trabalhando para qualificar sua inserção na sociedade. A qualidade do trabalho prestado por nossa categoria é nossa preocupação central.
2o. Pode-se perguntar se, com essa prioridade, não estaríamos subestimando as necessidades de democratização e agilização da autarquia. E nossa resposta é não. Reivindicamos para nosso grupo a responsabilidade de ter trazido as práticas coletivas e democráticas, como os Congressos, para dentro da autarquia; em 1989, realizamos, com as dificuldades daquele momento, o Congresso Unificado, que reuniu, pela primeira vez na história de nossa categoria, delegados de base, representativos de sindicatos e conselhos, eleitos em suas regiões a partir de um processo de debate e construção e defesa de teses.
Não temos dúvida que esse processo de democratização já foi iniciado. Os dois Congressos Nacionais, as discussões e propostas para a Lei 5766, as propostas de eleição direta com plataforma para a direção do CFP, a proposta de um Conselho não federativo, da construção de um fórum de entidades são alguns exemplos do avanço já obtido. Agora é hora de priorizar a construção de um projeto para qualificar a inserção de nossa profissão na sociedade. É preciso cuidar dela.

COMO PRETENDEMOS FAZER ISSO?
Construindo espaços de reflexão sobre as questões da profissão, como a proposta da criação de uma Associação Brasileira de Ensino da Psicologia, reunindo várias instituições e colegas que vêm acumulando muitos elementos e experiências capazes de melhorar nossa formação.
Criando referências para a categoria, através de uma entidade forte e corajosa, que se manifesta na sociedade civil.
Ousando criar, coletivamente, demarcações relativas ao exercício profissional, produzindo concretamente a identidade da profissão.
Interferindo nas políticas públicas, buscando articular os interesses de uma política da profissão com a luta pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro;
Rompendo o isolamento com os Conselhos Regionais, com as outras categorias, com as outras entidades (em especial os sindicatos e Fenapsi), construindo relações de parceria para um trabalho conjunto guiado por objetivos comuns, respeitadas as especificidades de cada um.
Rompendo o isolamento internacional da Psicologia brasileira, integrando-a no contexto do desenvolvimento técnico científico mundial e estreitando laços, em particular, com a América Latina.
Viabilizar para os psicólogos o acesso à informação e a programas de educação continuada.
Participar ativamente dos fóruns políticos da sociedade civil que partilhem dos interesses políticos e profissionais dos psicólogos e suas entidades.
Reflexão, referência, demarcações, coletivamente, políticas públicas, romper isolamento, informação e educação continuada e fóruns políticos são termos que resumem e constroem nossa proposta para UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO.

Chapa 2: Quem somos nós
Ana M. Bahia Bock: diretora e prof. da Fac. Psicologia da PUCSP, doutoranda Psic. Social, secretária e presidente do Sind. Psicólogos SP, 80/83; 83/86; presidente da FENAPSI 1a gestão. Autora do livro “Psicologias: Uma Introdução ao Estudo da Psicologia .

Francisco J. M. Viana: especialista saúde pública/FIOCRUZ/RJ e adm. hospitalar/FGV/SP; diretor presidente do Sind. Psicólogos de MG 1’gestão; diretor reg. sudeste da FENAPSI 1’gestão; diretor 4 anos do CPP/FHEMIG-Hospital Psiquiátrico para Infância e Adolescência; prof. convidado pós graduação Saúde Mental das Faculdades Newton de Paiva; psicólogo clínico.

Marcus Vinícius de O. Silva: especialista Saúde Mental/FIOCRUZ/RJ, mestre Saúde Comunitária Fac. de Med./UFBa; prof. assistente Dep. de Psicologia da FFCH/UFBa; vice presidente do CRP-4’região 87/88; secretário do CFP/89; vice presidente do CFP/93; presidente do CFP/95; militante do Movimento Antimanicomial, Coord. do Núcleo de Estudos pela Superação dos Manicômios/Ba, Assessor técnico do Hosp. Juliano Moreira.

José C. Tourinho e Silva: mestre Psicologia pela UFPb, prof. assistente e ex chefe do dep. Psicologia da UFSe, conselheiro e tesoureiro do CFP- 1995, assessor na área de Psicologia Org. da Prefeitura de Aracaju, maestro e violonista.

Jorge M. Costa: prof. na Psicologia da UFPa; especialista Teoria e Pesquisa do Comportamento; mestrando em Psicologia; presidente Comissão de Comunicação Social do CRP-10 e vice-presidente do CRP-10/94/96; representante do CRP-10 no C. Est. de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente/Pa.

Laeuza L. da S. Farias: atuando na área institucional/comunitária; coord. no CAPS “Casa Verde” Maceió; coord. executiva do Núcleo Est. de Saúde Mental de Al; prof. de educação em Saúde Pública no curso de especialização -UNAERP, filósofa.

Deusdet do C. Martins: especialista em saúde publica/FIOCRUZ, especialista Psicologia Hospitalar, psicóloga do Ministério da Saúde, ex-vice presidente da Reg. Centro Oeste da Fed. Nac. dos Trab. Saúde e Previdência; conselheira secretária da 1‘gestão do CRP-09.

Ernesto J. dos Santos: membro do Sind. dos Psicólogos/RJ, psicanalista.

Álvaro L. Aguiar: psicólogo da Vara da Infância e Juventude do Fórum de Blumenau; prof. de Sociologia da Univ.Regional de Blumenau; mestrando em Educação, filósofo e historiador, psicólogo clínico.

Marcos Ribeiro Ferreira: prof.de Psicologia da UFSC; vice-diretor (89/90) e diretor )90/91) do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC; diretor da Assoc. Prof. dos Psicólogos e presidente do Sind. De Florianópolis; doutorando em Psicologia Social; membro do Comitê Reg. Pela Democratização da Comunicação; membro do Comitê Urbano pela Reforma Agrária de Florianópolis.

Marta Elizabeth de Souza: conselheira presidente do CRP-04/92; coord. De Saúde Mental da Prefeitura de Betim/MG; ex-presidente do Fórum Mineiro de Saúde Mental; ex-vice-presidente do Sind.dos psicólogos de MG.

Odair Furtado: prof. da Faculdade de Psicologia da PUCSP; chefe do departamento de Psicologia Social –95/97 da PUCSP; coord. da rede UNITRABALHO/PUCSP; doutorando em Psicologia Social; suplente do Conselho Fiscal do Sind. Psicólogos SP; autor do livro “Psicologias: uma introdução ao estudo da Psicologia”.

Rosa M’ B. Albanezi:; mestre em Psicologia Experimental; prof. na UNB; conselheira no CFP em 89 e 93/95; trabalha na Assoc. de Aposentados da UNB, pedagoga.

Candida S. C. Almeida: psicóloga em RH na TelePará; ex-presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização do CRP10 1994/96; ex-presidente da Comissão Saúde e Trabalho do CFP, licenciada do Detran.

Francisco Eduardo da Costa: psicólogo organizacional na Rede Ferroviária Federal; especialista em Psicodrama; presidente do CRP-11, gestão 91/94; presidente da Comissão de Ética e de Fiscalização do CRP-11.

Maria de Lourdes J. Contini: prof. da UFMS, prof. pesquisadora do Centro de Estudos da Infância e da Adolescência do MS; doutoranda em Educação na UNICAMP; secretaria da diretoria da sessão Corumbá da ADUFMS-ANDES.

Jorge Broide: mestre em Psicologia Clínica pela PUCCamp, diretor presidente do Centro Latino Americano de Estudos em Saúde Mental que desenvolve pesquisas e trabalhos com crianças e adultos de rua, cursos de formação e consultarias em instituições que trabalham na área social; psicoterapeuta de orientação psicanalítica.

Julieta Arsenio: psicóloga especialista em criminologia; especialista em trânsito.

Documento de Campanha 1996

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nov 111996
 

UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

Para nós democracia é coisa muito séria. Por isso entendemos que construir uma chapa para concorrer às eleições do CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA é mais do que juntar um punhado de nomes.
O novo patamar de organização política, representado pelas transformações decorrentes do I Congresso Nacional da Psicologia nos desafia a renovar os velhos hábitos políticos vigentes.
Por isso desde o começo temos procurado construir uma articulação de fonema publica, aberta e democrática.

O MÉTODO DEMOCRÁTICO COMO PRESSUPOSTO

Para nós, democracia tem que se concretizar nas práticas cotidianas:

– Em um compromisso com a mais ampla circulação de informações que garanta possibilidade da participação de todos os interessados;
– Em um relacionamento ético e dialogante entre os diversos níveis institucionais e entre esses e a categoria;
– Na construção de processos coletivos que possibilitem a multiplicação dos atores institucionais;
– Na responsabilidade pessoal dos dirigentes para com as decisões emanadas dos fóruns de deliberação coletiva.

O CFP COMO INSTITUIÇÃO ESTRATÉGICA

As organizações sociais constituídas pelos psicólogos têm se revelado frágeis e atônitas frente à complexidade e variedade dos problemas da Psicologia, enquanto ciência e profissão.
Nesse contexto de crise, entendemos que o CFP joga um papel fundamental como agenciador de processos que possam aglutinar as várias formas organizativas construídas pela categoria, no enfrentamento destas fragilidades.
Concretamente isso significa que o CFP desc atuar buscando construir alianças e parcerias entre os diversos grupos da profissão – acadêmicos, profissionais, de formação.
Certamente esse processo tem como pressuposto a construção de um relacionamento sincero e solidário entre as unidades da autarquia.

CUIDAR DA PROFISSÃO: PRIORIDADE Nº 1

Entendemos que os limites da institucionalização das entidades do Psicologia no Brasil produziram uma situação de inércia e abandono da profissão que tem ficado ao sabor da aleatoriedade das circunstâncias.

Nesse contexto, CUIDAR DA PROFISSÃO significa:

– A ousadia de enfrentar as urgências da profissão com a construção coletiva de demarcações relativas ao exercício profissional, produzindo concretamente a identidade da profissão;
– Fazer avançar o processo de reflexão e atuação no campo da ética profissional, que evolua do registro da prestação de serviços para um compromisso da categoria com a construção da cidadania;
– Assumir a luta pela constituição de um espaço institucional próprio para a abordagem das questões da formação acadêmica. nos moldes das associações brasileiras de ensino das diversas profissões;
– Viabilizar o acesso dos profissionais a processos de reciclagem, através da constituição de um programa de educação profissional continuada que contribua para a melhoria da qualificação dos serviços prestados comunidade;
– Realizar uma gestão administrativa competente, através da adoção de instrumental técnico gerencial, de forma a tornar nossa entidade ágil e eficaz, zelando pela boa utilização dos seus recursos financeiros;
– Intervir nas políticas públicas buscando articular os interesses de uma política da profissão com a luta pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro;
– Romper com o isolamento internacional da Psicologia brasileira, integrando-a no contexto do desenvolvimento técnico cientifico mundial e buscando laços de solidariedade e intercâmbio no plano profissional, dando especial atenção à integração regional no Mercosul;
– Desenvolver uma atenção especial para com as entidades sindicais dos Psicólogos – FENAPSI E SINDICATOS – buscando desenvolver parcerias em torno de objetivos comuns, garantindo a especificidade da atuação de cada uma;
– Participar ativamente dos fóruns políticos organizadores das diversas entidades representativas da sociedade civil que partilhem dos interesses políticos e profissionais dos psicólogos e suas entidades.

Ao concorremos nas eleições para o CFP reafirmamos o nosso compromisso com as decisões do I e II Congressos, bem como a implementação dos processos de transformações institucionais ai decididos.

Material de Campanha 1996 II

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nov 111996
 

Esse material de campanha (1996) é interessante, pois traz já a disputa com a Chapa 1, encabeçada por Odair Sass e denominada Consolidação Nacional. Esse material foi divulgado em São Paulo.

“Com satisfação recebemos a notícia de que Ana Mercês Bahia Bock -Diretora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP e Odair Furtado – Chefe do Departamento de Psicologia Social- estão se candidatando, na Chapa 2, para o Conselho Federal de Psicologia. Pelo que conhecemos desses colegas temos a certeza de que farão pela categoria dos psicólogos um trabalho tão bom quanto aquele que fazem pela formação dos psicólogos e nas atividades que abrem nossa Universidade para a prestação de serviços à sociedade”
Fernando J. Almeida
Vice-Reitor Acadêmico da PUC-SP

AS DUAS CHAPAS NÃO SÃO IGUAIS

Alarmados com algumas situações que temos vivido, na última hora sentimos a necessidade de alterar o texto que pretendíamos inserir neste espaço. Ocorre que o processo de democratização de nosso Conselho está sendo vilipendiado por procedimentos de alguns colegas que compõem a Chapa l. Infelizmente, vamos precisar tratar desse assunto nesta hora.

Nossa primeira discordância, que nos constituiu como oposição, referia-se ao método de direção com que a chapa 1 está comprometida, incompatível com uma entidade que quer se colocar como referência da categoria para os psicólogos na sociedade brasileira. Os colegas não investiram na mobilização da categoria para o II Congresso Nacional e para as eleições; divulgaram o edital das eleições nacionais apenas uma semana antes da data das inscrições das chapas. Esses procedimentos impediram que muitos psicólogos participassem do processo de discussão da profissão e que se organizassem chapas para concorrer às eleições.

Agora, a diferença aparece na perspectiva ética de construção do processo eleitoral.
As lideranças da outra chapa e alguns de seus apoiadores fizeram de tudo para inviabilizar nossa chapa:

1) pressionaram um companheiro a se retirar de nossa chapa ameaçando destitui-lo de seu cargo na Fenapsi;
2) fizeram promessas e acordos de apoio a formação de novos regionais com o fim de retirar de nossa chapa um companheiro da Paraíba;
3) fizeram acordos no Congresso, abrindo mão de posições aprovadas no Congresso Regional de São Paulo, com o fim de facilitar a unidade de São Paulo-Rio-Paraná nas eleições; e,
4) abriram uma campanha de difamação de nossos companheiros e de nossas intenções.

Mas o problema não parou ai: com a entidade nas mãos, nossos adversários continuaram utilizando métodos de campanha dos quais discordamos:
1) a plataforma da chapa I foi modificada, depois da publicação de nossas propostas, tornando-se parecida com a nossa (os colegas jogam exatamente com a indiferenciação entre as chapas);
2) O CRP 05 (que diz estar apoiando a Chapa 1) publicou um jornal da entidade, onde sequer informou aos psicólogos do Rio que existiam duas chapas concorrendo;
3) em São Paulo, membros da Chapa 1 tiveram acesso às matérias que enviamos para o jornal do CRP-06, antes de sua publicação;
4) de posse desse material, esses colegas viabilizaram uma tentativa de descaracterização do apoio dado a nossa chapa por Madre Cristina;
5)ao que parece, houve um atraso o Jornal do CFP, por responsabilidade de membros da Chapa 1, impedindo o acesso da categoria à informação e ao debate necessário para a decisão do voto;
6) registraram apoios de psicólogos que não foram concedidos.

Parece evidente que a Chapa encabeçada por Odair Sass optou por utilizar os espaços institucionais que pertencem a todos os psicólogos para se construir, ao invés de privilegiar o debate franco e honesto das diferenças nas propostas das duas chapas.

Lamentamos ocupar a sua atenção com esse tipo de informação, mas diante dos graves problemas que ameaçam as nossas eleições não nos resta outra alternativa senão fazer o que achamos mais correto: garantir acesso às questões que estão em jogo e que dizem respeito a uma entidade que é do conjunto dos psicólogos.
Assim, nossa diferença básica é de MÉTODO na condução da entidade e do processo eleitoral.

Para nós democracia é coisa séria. Para nós democracia é princípio. Uma profissão como a nossa, onde a diversidade é característica básica, dado o número de grupos, teorias, correntes diferenciadas, precisa que suas entidades sejam geridas democraticamente, garantindo espaço para essa diversidade. Um grupo que se comporta de maneira oportunista não será capaz de conduzir os conflitos de interesses internos à profissão, não conseguirá construir a Unidade e a Identidade da profissão.

A Chapa 2, Um Conselho para Cuidar da Profissão, quer garantir a entidade como um espaço aberto ao diálogo, para que possamos “colocar tudo na mesa” para um debate corajoso das questões de nossa profissão. Isso é ponto de honra quando se pretende cuidar da profissão, pois cuidar da profissão não é trabalhar para mantê-la como está, mas é ousar expor nossos problemas e fragilidades, nossas ignorâncias e desconhecimentos para construir uma Psicologia que seja realmente importante e necessária para a sociedade brasileira.

O CFP é para nós, da Chapa 2, esse lugar de luta pela profissão; não é fim em si mesmo, é instrumento para fazer de nossa profissão, uma contribuição social indispensável. Queremos estar no CFP para trabalhar pela Psicologia a partir das deliberações dos Congressos Nacionais da Psicologia e poder:

• ousar construir demarcações relativas ao exercício profissional;
• avançar na reflexão sobre a ética profissional;
• constituir um espaço institucional próprio para a abordagem das questões da formação;
• constituir programas de educação continuada para a categoria;
• gerir competentemente a CFP;
• intervir em políticas públicas;
• romper o isolamento da Psicologia;
• desenvolver uma atenção especial para com as entidades sindicais dos psicólogos;
• participar em fóruns políticos na sociedade que partilhem dos interesses dos psicólogos e suas entidades;
• participar com outras entidades de profissionais das lutas da saúde, da educação, enfim as lutas pela melhoria das condições de vida e trabalho;
• trabalhar pela democratização das comunicações em nosso pais;
• fazer circular a Psicologia entre os psicólogos, possibilitando acesso à bibliografia atualizadas, à pesquisas, publicações estrangeiras e experiências de trabalho inovadoras, utilizando recursos da informática;
• fortalecer a organização conjunta de psicólogos dos países que compõem o MercosuL

Tudo isso só é possível se a categoria estiver conosco; se contarmos com o apoio e participação de psicólogos competentes nas diversas áreas e psicólogos interessados em ver crescer a Psicologia. Para isso também, buscaremos reconstruir a unidade de trabalho de todas as forças políticas de nossa categoria.

Esses são nossos compromissos. Essa é a forma que propomos para cuidar da profissão e você pode nos ajudar. VÁ ÀS URNAS NO DIA 28 DE NOVEMBRO e vote CHAPA 2. A partir de dezembro você está convidado para trabalhar junto conosco por UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO.

Material de Campanha 1996: No que somos diferentes?

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nov 111996
 

Esse documento já é divulgado em data mais próxima da eleição (novembro/96) e já possui um tom de disputa e conflito.

CHAPA 2: UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

NO QUE SOMOS DIFERENTES?

Muitos colegas, desde o início de nossa campanha, têm nos feito essa pergunta, buscando compreender a diferença entre as duas chapas que ora se candidatam ao Conselho Federal de Psicologia. E verdade que os colegas que hoje constituem as duas chapas, estiveram juntos em lutas pela democratização dos Conselhos. E verdade que estivemos juntos no I Congresso Nacional da Psicologia defendendo transformações na entidade e reivindicando mudanças na profissão. Por isso entendemos que hoje exista a dúvida: no que somos diferentes?
Achamos importante, nesse momento próximo às eleições, virmos a público explicitar algumas diferenças que justificam estarmos hoje separados.

No que somos diferentes?
A Chapa 2, Um Conselho para cuidar da Profissão, nasceu em oposição aos métodos de trabalho que vinham sendo utilizados pelos colegas que ocuparam o CFP, nessa gestão de um ano, e que hoje se candidatam à reeleição. No início de 1996, depois de insistentes questionamentos aos colegas sobre como estavam pensando a mobilização da categoria para o II Congresso Nacional e para a articulação de chapa para a nova eleição, sem obtermos respostas resolvemos lançar uma articulação pública, aberta e democrática para a discussão de uma política nacional para os conselhos. O documento recebeu o titulo “Um Conselho para Cuidar da Profissão”. Nele analisávamos a situação atual de nossa categoria, dizíamos da importância de direcionarmos o trabalho de nossa entidade para “cuidar da profissão” e apontávamos uma possível reunião em julho de 96 em São Paulo, para uma “conferência aberta desta articulação, momento no qual a produção deste processo poderá ser sintetizada, oferecendo visibilidade aos consensos e dissensos, que caso sejam insuperáveis poderão, no nosso entender, dar origem a tantas chapas quantos forem os agrupamentos que ali se produzirem. Obviamente, ao dar inicio a este processo, temos expectativas de que, superando os limites pessoais e regionais, possamos construir abrangentes consensos, reunindo, em torno de um mesmo programa, todas aquelas forças que tem, há mais de uma década, buscado construir uma autarquia mais competente e mais democrática.” Assinávamos eu, Chico Viana (MG) e Marcus Vinicius (BA).

Este documento foi, na época, enviado a todos os Conselhos Regionais, ao Conselho Federal e a alguns companheiros isolados que sabíamos interessados no processo. Colocamos em duas BBS (Psicnet e Mandic) e demos nossos endereços eletrônicos para envio de sugestões e debates.

Queríamos um processo amplo de discussão dos problemas da categoria. Queríamos um processo aberto de formação de chapas. Não queríamos chapas montadas dentro dos conselhos, a portas fechadas, sem renovação e sem conhecimento da categoria. Era essa nossa luta! Queríamos um II Congresso Nacional da Psicologia mais massivo que o primeiro; queríamos atingir um número maior de psicólogos com as discussões e preocupações que estavam na pauta do Congresso. E o CFP e os Conselhos Regionais, em sua maioria, (vale ressaltar que houve exceções) não se mobilizavam, não informavam à categoria que estávamos em um ano de Congresso e de eleições (temos a impressão que as eleições os colegas tomaram conhecimento só agora e o Congresso talvez nem saibam que ocorreu!) Nosso documento não teve qualquer divulgação; não fomos em nenhum momento chamados para o debate e para o diálogo.

Não concordamos com esse método de direção de uma entidade que se pretende representante da categoria na sociedade brasileira.
Essa foi nossa primeira e básica discordância.

Se seguiram outras: os colegas da outra chapa e seus apoiadores fizeram de tudo para inviabilizar nossa chapa: pressionaram companheiros a se retirarem de nossa chapa ameaçando destituí-lo de seu cargo na Fenapsi; fizeram promessas e acordos de apoio à formação de novos regionais retirando de nossa chapa um companheiro da Paraíba; fizeram acordos no Congresso, abrindo mão de posições aprovadas no Congresso Regional de São Paulo, em favor da unidade São Paulo-Rio-Paraná nas eleições; e abriram uma campanha de difamação de nossos companheiros e de nossas intenções.
Mas conseguimos, graças à coragem e garra de nossos parceiros, inscrever a chapa 2.

Mas não parou aí: com a entidade nas mãos, nossos adversários continuaram utilizando métodos de campanha dos quais discordamos: a plataforma da chapa 1 foi modificada, depois da publicação da nossa, tornando-se parecida com a nossa (os colegas jogam exatamente com a indiferenciação entre as chapas); os apoiadores do Rio de Janeiro fizeram um Jornal do CRP-05 e não informaram aos psicólogos do Rio que existiam duas chapas concorrendo: em São Paulo tiveram acesso a nossas matérias que saíram em jornal do CRP-06, antes da publicação, viabilizando uma tentativa de descaracterização do apoio dado a nossa chapa por Madre Cristina; tudo indica que atrasaram o Jornal do CFP, impedindo o acesso da categoria â informação e ao debate necessário para a decisão do voto. Acho que nem preciso me alongar nessa enumeração de fatos, pois se nossa oposição se dá exatamente por considerarmos que nossos colegas não trabalham na direção de mobilizar os psicólogos, informando-os e incentivando-os ao debate e participação, temos a certeza de que você, que nos lê nesse momento, sabe que isto é verdade, pois descobriu, com certeza a pouco tempo, que houve um Congresso e haverá eleições para o CFP. Quem omitiu a informação para a categoria? Quem era responsável por essa tarefa? A diretoria atual do CFP não demonstrou uma política em favor da categoria. E isso você, colega que lê essa notícia, sabe. Certo?

Queremos ainda registrar que se hoje você sabe de tudo isso, tem muito a ver com a pressão que fizemos através de cartas, telefonemas e um pouco de voz forte e firme sobre os Conselhos Regionais e o CFP. É bom lembrar também que as direções do CFP e do CRP-06 mudaram nesse último mês, trazendo companheiros mais democráticos para frente dessas entidades.
Para terminar, gostaria de registrar ainda que consideramos nosso projeto, um projeto claro de contribuição para a qualificação da inserção de nossa categoria na sociedade.
Pretendemos ocupar o CFP e colocá-lo a serviço da qualificação de nossa profissão e de nossa ciência. É esta a nossa palavra de ordem.

Ana Bock – Por um Conselho para cuidar da Profissão.