Psicologia do Trânsito e Avaliação Psicológica

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jul 162013
 

A Psicologia, ao longo de mais de 50 anos da profissão no Brasil, tem formado profissionais aptos para trabalharem com a avaliação psicológica em diversos contextos sociais. No âmbito do trânsito, a avaliação psicológica de motoristas é uma prática antiga em nossa história, que data antes mesmo do reconhecimento da Psicologia como profissão.

Nós, do Pra Cuidar da Profissão, defendemos que a avaliação psicológica de condutores, seja para a obtenção da CNH, seja para avaliação dos profissionais do trânsito, seja realizada por psicólogas(os) qualificadas(os) e atualizadas(os) permanentemente. Essa qualificação e atualização envolve o atendimento às normas do Contran, de um lado, e às normas e resoluções do Conselho Federal de Psicologia, principalmente o Código de Ética Profissional, de outro.

A avaliação psicológica deve ser um processo técnico e científico que promove, além da coleta de dados a partir de instrumentos atualizados, interpretação sobre os fenômenos pesquisados. Para isso, além dos testes psicológicos, é preciso contemplar a realização de estratégias como entrevistas em profundidade, dinâmicas de grupos, outros métodos e técnicas que possibilitem uma avaliação psicológica completa. A utilização e definição dos instrumentos de avaliação devem considerar testes psicológicos vigentes, aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia, e também a realidade social. O Cuidar apoia a autonomia do profissional na escolha das técnicas e métodos mais adequados para a investigação das capacidades sensório-motoras, de personalidade e afetivo-emocionais dos sujeitos “em trânsito”.

O Cuidar preza, ainda, pela manutenção e ampliação de um instrumental teórico e prático subsidiário a essa atividade, condizente com a realidade latino-americana, mais especificamente com a realidade brasileira. Preza também pelo rigor e pela lisura em relação aos parâmetros técnicos e éticos previstos para a realização dessa avaliação. Isso significa defender todas as medidas para que os interesses privados, econômicos e de mercado envolvidos nos processos de obtenção do CNH não permitam o comprometimento da fidedignidade dos instrumentos de avaliação, a qualidade técnica do serviço prestado e o rigor ético na relação com usuário e outros profissionais.

Qualidade de formação para realização dessa atividade é outra direção que defendemos. Acreditamos que não basta o conhecimento superficial de alguns testes psicológicos durante a graduação para poder dominar o seu manejo, seus resultados e indicações para avaliação com fins à obtenção de CNH. O risco de uma avaliação psicológica equivocada, opressora das diversas formas de subjetividade se tornaria, assim, presente, o que é inconcebível.

Por fim, afirmamos que a avaliação psicológica para o trânsito, ou de motoristas, deve vislumbrar em todos os aspectos os direitos humanos do usuário do trânsito, considerando a diversidade cultural e o contexto de desigualdades sociais que estamos inseridos.

A Psicologia deve CUIDAR disso!

Título no site: Mobilidade Urbana

Mobilidade Urbana: o que a Psicologia tem a ver com isso?
Muito antes da Lei 12.587, de janeiro de 2012, ser promulgada, o Cuidar da Profissão já discutia as questões da mobilidade e seu impacto nos modos de produção de subjetividade.
A Psicologia tem feito uma importante crítica ao modelo de deslocamento prioritariamente motorizado, segundo o qual “andar a pé” ou “de bicicleta” tem sido constantemente desvalorizado e relacionado a formas pejorativamente negativas para a locomoção.
Para nós, do Cuidar da Profissão, é importante discutir uma mobilidade que seja sustentável e humana e que se constitua como direito. Nessa construção, que envolve um com conjunto amplo e complexo de ações em políticas públicas, os profissionais de Psicologia e equipes multidisciplinares tem condição de contribuir, para propor um trânsito humano, seguro e com equidade. Deslocar-se não é privilégio nem é sinônimo de status ou de poder, deslocar-se é humano!
Essa proposição nos implica com a discussão acerca do transporte urbano (público e privado) e pela luta pelo transporte público de qualidade. Ela envolve, ainda, uma série de aspectos: o deslocamento de pessoas e cargas; a acessibilidade; o comportamento dos usuários na via pública e acidentes de trânsito; a motorização crescente e a saúde mental; o sistema capitalista e a economia; a exclusão e desigualdade social; o desenvolvimento sustentável, a poluição e cuidado ambiental; as políticas públicas de trânsito, gestão pública compartilhada e a política de desenvolvimento urbano, entre tantos outros temas que poderiam ser aqui listados. Discutir a mobilidade implica em discutir uma complexa rede de sistemas intercambiáveis.

Portanto, o Cuidar da Profissão valoriza a(o)s colegas que estão protagonizando essa discussão e pretende seguir junto nessa luta. O tema da mobilidade humana atinge, sem dúvida, toda a sociedade, e o fortalecimento dessa luta deve contar com leituras, ações e diretrizes da Psicologia, de forma a possibilitar a redução das desigualdades, promovendo a inclusão social, principalmente no que se refere à mobilidade e acessibilidade.
A Psicologia deve CUIDAR disso!

Cuidando de Participação Social

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jul 152013
 

Ao longo de sua trajetória, o Movimento Prá cuidar da Profissão vem afirmando a participação social como direito humano. Entendemos a participação como fundamental na promoção da inclusão social, do reconhecimento e respeito à diferença, da cooperação e da construção de valores de cidadania.
As várias modalidades de participação social, como conselhos, conferências, ouvidorias, consultas e audiências públicas são meios de legitimação do processo decisório em todas as etapas da gestão pública.
Para o fortalecimento da democracia apoiamos a presença da psicologia nos múltiplos espaços de participação da sociedade brasileira, contribuindo para a construção e consolidação de políticas públicas capazes de contemplar nossa imensa diversidade, a partir de princípios que levem em conta os interesses públicos, a equidade social e a justa distribuição de renda.
Entendemos ser fundamental a atuação engajada dos profissionais nas instâncias de participação social, sendo inegáveis as contribuições da psicologia para a consolidação da democracia participativa no Brasil. A Psicologia pode se inserir nestes espaços de duas formas: a primeira a partir da participação de psicólogas e psicólogos que acreditam na promoção de mudanças que levem a uma maior equidade social. A outra forma diz respeito à representação institucional da Psicologia em espaços de defesa de direitos humanos ligados à saúde, assistência social, infância e juventude, saúde mental, educação, indígenas, pessoas com necessidades especiais, entre outros.
Acreditamos que a presença da Psicologia nestes espaços faz-se necessária, contribuindo para a criação e fortalecimento de mecanismos de democratização política no Brasil, e também com a construção de políticas públicas que levem em consideração o respeito ao sujeito e aos Direitos Humanos e sociais.
Para isso, propomos:
– Favorecer a ampliação e qualificação da presença da Psicologia nos conselhos de direitos, espaços estratégicos para fortalecimento do projeto ético-político de uma profissão imbricada com o compromisso social;
– Estimular a formação de quadros qualificados para a participação em instâncias deliberativas de controle social como ação de fortalecimento da democracia.
– Construir orientações/referências para a atuação da Psicologia nos conselhos de direitos.
– Colaborar para que a(o)s psicólogos participem de audiências e consultas públicas sobre temas de interesse da categoria e de relevância na vida da sociedade, bem como estimular o surgimento e incorporar novas formas e linguagens de participação social, como as novas mídias e as redes sociais;
– Colaborar, investir e promover iniciativas de formação e educação de psicólogos para a cidadania ativa.
– Promover a participação social na formulação, implementação, monitoramento e avaliação das políticas públicas.
– Incentivar o acesso e efetiva representatividade nos mecanismos de participação social aos grupos que possam contribuir à promoção da diversidade, tais como as mulheres, as crianças e adolescentes, a juventude, os idosos, os negros, os indígenas, as comunidades tradicionais, as pessoas com deficiência, a população LGBT, a população de rua, os catadores, os grupos religiosos, os movimentos sociais urbanos e do campo, entre outros segmentos organizados.
– Incentivar a organização e o fortalecimento dos movimentos sociais que lutam pela defesa de direitos e por uma sociedade cidadã.
– Incentivar o conhecimento e a utilização pela(o)s psicóloga(o)s dos mecanismos de transparência ativa, garantidos pela Lei da Informação.
– Trabalhar pela garantia da presença qualificada dos psicólogos nas principais políticas públicas do país;
– Construir diálogos com os atores da formação em psicologia, na perspectiva do compromisso com os direitos humanos e sociais.
– Em articulação com as entidades da psicologia latinoamericana, construir referências para a atuação da psicologia comprometida com as demandas dos povos da América Latina.
Desta forma, reafirmamos nosso apoio ao processo de consolidação de uma Política que articule e garanta o efetivo funcionamento dos diversos mecanismos de participação social e a construção de um Sistema Nacional de Participação Social.

Relações entre Psicologia e Educação: Contribuições para o Debate

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jul 152013
 

A Psicologia entrou na Educação, primeiramente, para evidenciar as diferenças entre os alunos, tendo sido, inicialmente, chamada à escola para explicar o fracasso escolar. As teorias daí provenientes, nos anos 60, forneciam explicações que tinham como cerne as características biológicas do sujeito, ou seja, o aluno era o responsável por seu fracasso devido a alguma deficiência ou inadequação, e à educação cabia somente adaptar esse aluno. Depois deste período, a explicação passou a ser outra: social. A queixa escolar foi justificada pela falta de condições econômicas e tudo que envolvia essas condições, por exemplo, alimentação e moradia.

Sobre as críticas dirigidas à Psicologia no meio educacional, sabemos que, atualmente, ainda existem práticas a serem combatidas. Destacamos, nesse sentido, situações em que alunos são retirados de suas salas de aula e avaliados, pela aplicação de testes, sem a participação do professor responsável por eles. Chama atenção, ainda, a ausência de discussão, nessas práticas, com este professor a respeito da possibilidade de mudar suas estratégias com aquela criança.

Desta maneira, pode-se compreender o porquê da Psicologia, quando chamada para auxiliar no contexto escolar atualmente, ser ainda considerada pelos profissionais do ensino como um entrave ao andamento de seu trabalho. Diante da reação dos professores no sentido de resistir à Psicologia como forma de auxiliar sua ação em sala, podemos perguntar: é a ação da Psicologia que gera estas reações, ou é o uso inadequado que se faz da Psicologia nas escolas? O problema, então, não está na ciência psicológica, mas no uso que alguns fazem dela…
Lembramos ser necessário que se deixe de responsabilizar o aluno pelo histórico de fracasso escolar existente no Brasil e que, no passado, foi demanda da Psicologia dentro da escola.

Também é premente que não se culpabilize o professor por isto. Apesar das variadas críticas a uma atuação que faz mau uso dos saberes psicológicos na escola, consideramos que esta ciência tem muito a contribuir para formação do professor, principalmente se a examinarmos à luz de uma prática pedagógica, que tem intencionalidade e é constituída de um processo social.
Percebemos, assim, que uma das possibilidades de inserção da Psicologia no cotidiano escolar, é a promoção de um melhor entendimento sobre o fenômeno educativo por parte do professor, e conseqüentemente, a contribuição para uma atuação mais consciente deste. Pode-se afirmar, pois, que o papel social da Psicologia em relação a toda comunidade escolar (pais, funcionários, alunos e professores) é o de ajudar a promover a autonomia e a reflexividade desta, além de contribuir com a escola no auxílio a um direcionamento mais coerente com a educação que a mesma propõe.

Se a presença da Psicologia contribui com as práticas educacionais, ela não é condição suficiente para que as transformações ocorram. Há outros olhares que podem, mais do que oferecer respostas, ajudar a elaborar perguntas sobre as quais nunca tínhamos pensado. Nesse sentido, o profundo respeito pelas contribuições de outras ciências revela que se isto for desconsiderado, a transformação do processo educativo levará tanto tempo que nós, psicólogas(os), passaremos décadas tentando convencer a educação (apenas convencer!) de que temos o que dizer e contribuir.

Buscando reagir a uma Psicologia burocrática, elitista e encastelada, psicólogas(os) procuram traduzir os conhecimentos que esta ciência tem produzido em relação ao processo de ensino e de aprendizagem para professores, intentando promover sua compreensão. Este movimento vem sendo alterado após muitas discussões promovidas por psicólogas(os) que atuam tanto com a formação deste profissional, como diretamente nas escolas, com a formação de professores. Cada vez mais, a Psicologia vem se mostrando como uma ciência responsável, que busca, em pesquisas científicas, a fundamentação para mudanças necessárias dentro da escola. Tem muito a contribuir com o trabalho do professor em sala de aula por meio do fornecimento de explicações acerca do comportamento e da produção da subjetividade, de modo que o docente possa constituir e interpretar sua prática de maneira mais consciente e comprometida com a direção do desenvolvimento que intenciona promover.

É importante lembrar que não basta deixar de culpar o aluno e, ainda equivocadamente, passar a responsabilizar o professor por toda a história de fracassos na qual a educação brasileira está mergulhada. A Psicologia precisa assumir seu compromisso social, participar da promoção da autonomia dos atores do processo de ensino e de aprendizagem, contribuindo para desenvolver a reflexividade de professores, pais, funcionários e alunos, ajudando a escola a ter uma atuação mais coerente, na direção daquilo que ela pretende alcançar.
É nessa direção e com esse olhar que queremos assegurar e defender a presença das(os) psicólogas(os) nas escolas. Portanto, essa luta exige, ao mesmo tempo, espaços contínuos de reflexão e discussão sobre a prática da Psicologia, em diálogo com produções que tem oferecido referências para uma atuação transformadora nas escolas.

A PSICOLOGIA precisa CUIDAR disto!

A Psicologia e as Manifestações – Parte 2

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jul 122013
 

MENSAGEM DA COORDENAÇÃO NACIONAL DO CUIDAR DA PROFISSÃO (PARTE 2)

O Movimento Pra Cuidar da Profissão tem seus militantes atentos e acompanhando as atuais manifestações que ocorrem no país, reconhecendo a importância de que diferentes questões sejam objeto de luta sempre que apontem para mudanças em uma direção progressista.

Nosso movimento reconhece que há muito que fazer, considerando que “Sem democracia e sem igualdade, nenhuma paz é possível”. Por isso, ao lado de muitos outros importantes embates, que têm também essa perspectiva, a luta de psicólogas (os) por algumas bandeiras que são expressão de questões prioritárias para a categoria neste momento é uma luta valorosa. São exemplos recentes as manifestações da Psicologia contra o projeto da “cura gay” e a luta contra o Ato Médico.

Entretanto, é preciso reconhecer que, para além de lutas específicas dos vários grupos e movimentos, a maior parte das vozes que se manifestam no momento falam de questões que estão centradas na forma de organização e participação política que temos no país. É preciso reconhecer tal questão de fundo, para que os avanços sejam reais.

Nesse sentido, entendemos que a iniciativa do Governo Federal, de lançar o debate em torno da Reforma Política, deve ser apoiada, pois representa alternativa de enfrentamento de um tema que, transversal aos demais, pode contribuir para a organização dos movimentos e para a continuidade de um processo amplo e profundo de mudanças na direção que defendemos.

Ao mesmo tempo, entendemos que continua sendo fundamental oferecer nossa possibilidade de leitura crítica dos fatos e situações, a partir da Psicologia, a fim de contribuirmos para desvendar as reais e diversas motivações das manifestações, de forma a referendarmos e participarmos daquelas que representem lutas por avanços para nossa sociedade.

COORDENAÇÃO NACIONAL DO CUIDAR DA PROFISSÃO

Relatório da Convenção Nacional do Cuidar da Profissão – Documento síntese

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mar 112010
 

Realizada
em São Paulo, na sede do Sindicato dos Bancários, no dia 06 de
março de 2010 das 9:00 às 18Horas.

 

Estiveram
presentes delegados de 14 estados e o plenário ficou composto por 40
pessoas. A saber:

 

Delegados
das regiões:

  • Amazonas:
    Luciana Possato

 

  • Bahia:
    Marilda

 

  • Ceará:
    Adriana Alencar e Anice Holanda

 

  • Distrito
    Federal: Edmar e Cynthia

 

  • Espírito
    Santo: Andréa e Hildicea

 

  • Mato
    Grosso: Marisa Alves e Arlindo

 

  • Mato
    Grosso do Sul: Carlos Medeiros e Leonardo Bastos

 

  • Minas
    Gerais: Milton Bicalho e Lourdes Machado

 

  • Paraíba:
    Aluizio

 

  • Pernambuco:
    Christina B. Veras e Mª da Conceição Costa

 

  • Rio
    de Janeiro: Roseli Goffman

 

  • Rio
    Grande do Sul: Ivarlete e Ana Luiza Castro

 

  • Santa
    Catarina: Celso Tondim e Marilene Wittitz

 

  • São
    Paulo: Marilene Proença, Ermínia Ciliberti e Roberta Azzi

 

  • Pela
    Formação:
    Oliver Zancul Prado

 

  • Pela
    ala sindical:
    Fernanda Magano e Rogério Giannini

 

  • Históricos:
    Ana Bock, Marcus Vinicius, Chico Viana, Marcos Ferreira, Lumena
    Furtado e Odair Furtado

 

  • Comissão
    organizadora:
    Humberto Verona, André Leonardi, Clara Goldman, Ana Lopes, Graça
    Gonçalves e Elisa Rosa.

 

 

 

 

 

 

Apresentação
feita por Ana,
informando os motivos que levaram a organização da convenção.
Apontou-se a necessidade do Cuidar avaliar seu trabalho e se
organizar, dado seu avanço e sua responsabilidade na gestão de
várias entidades.

 

Foi
feita a chamada dos presentes: com representação de 14 estados, do
setor sindical e da formação, históricos e comissão organizadora
a reunião contou com 40 participantes.

 

Pauta:

 

1.
Histórico do Cuidar da Profissão e princípios

 

2.
Relato das regiões: reuniões realizadas, problemas que estão sendo
vividos na gestão das entidades e informes sobre desenvolvimento do
Cuidar na região.

 

3.
Discussão para avançar o programa político do Cuidar e sua
organização.

 

 

 

1.
Histórico do Cuidar da Profissão e princípios:

 

Marcus
Vinicius e Ana Bock retomaram a história do Cuidar:

  • 1989
    – primeiro encontro entre a ala sindical e os conselhos de
    psicologia. Congresso Unificado da Psicologia. Decisão do CONUP:
    erradicar o corporativismo das entidades da psicologia. As decisões
    foram poucas e pobres, mas o CONUP possibilitou o encontro de
    pessoas que tinham projetos semelhantes.

 

  • 1994
    – Congresso constituinte da Psicologia – I CNP. Estava
    constituída uma frente com objetivo de transformar as formas de
    ação e atuação, assim como a estrutura dos conselhos de
    psicologia, na direção da democratização das entidades.

 

  • Movimento
    pela reorganização dos psicólogos. Formação do grupo
    Consolidação Nacional.

 

  • 1995
    – 1996 – Reunião em São Paulo para a formação do Cuidar da
    Profissão. Estavam presentes gestores de dois Conselhos de
    Psicologia: CRP 09 e CRP 03. Além deles, mais 7 pessoas. Projeto de
    interferir no desenvolvimento da Psicologia brasileira, buscando
    transformar o compromisso que se mantinha com a sociedade (a busca
    do compromisso social) e intencionava-se fazer isto apresentando
    candidaturas aos Conselhos de Psicologia.
    As
    diferenças com o grupo Consolidação Nacional já ficavam claras e
    diziam respeito, principalmente, ao método de gestão das
    entidades. Relacionada a essa, uma outra diferença na compreensão
    de como se deveria organizar a diversidade da Psicologia para a
    discussão do Compromisso Social.

 

  • Eleição
    direta – Apresentou-se, em eleição para o CFP, a candidatura da
    primeira chapa do Cuidar da Profissão. Plataforma política séria,
    capaz de colocar os psicólogos em outro patamar na sociedade
    Brasileira. Superava a falta de um discurso para ampliar a
    participação da psicologia na sociedade brasileira. Era uma
    plataforma que se apresentava de forma diferente, consistente,
    aliando respostas às demandas mais imediatas dos psicólogos, mas
    como foco no fortalecimento da profissão. Propunha claramente abrir
    os conselhos para a categoria. Os Conselhos, nesse momento, estavam
    distantes da categoria e apareciam na maioria das vezes como
    problema, por exemplo, nos processos eleitorais complicados e
    difíceis para os psicólogos.

 

  • 1997-
    1998: o grupo venceu as eleições, mas foi impedido de assumir
    pelos gestores que compunham a Plenária dos Conselhos regionais e
    federal. O grupo vencedor precisou entrar com mandato de segurança
    e assumiu apenas em fevereiro de 1997 (em vez de dezembro de 1996).
    A gestão foi difícil, com embate com a situação, que estava
    presente nos Regionais. O perfil dos conselheiros
    que
    permaneciam nos regionais, ligados a grupos anteriores, era muito
    burocrático. O primeiro planejamento estratégico definiu como
    meta: tornar os conselhos uma referência para psicologia
    (interlocução entre a profissão e a sociedade) e para a
    sociedade.

 

  • 1998-2001;
    2001-2004; 2004-2007; 2007-2010 foram as gestões do Cuidar da
    Profissão que se seguiram.

 

  • Os
    princípios norteadores do trabalho foram: modelo de gestão
    democrático, honestidade e rigor na gestão do dinheiro Público e
    desenvolvimento e incentivo à construção de conhecimento e
    práticas que tivesse como meta um novo compromisso da Psicologia
    com a sociedade brasileira.

 

  • Esses
    princípios poderiam garantir o diálogo do Conselho com toda a
    categoria, abarcando a diversidade da área. Mas, também se
    colocava como meta garantir a formação de uma massa crítica de
    profissionais, com respostas para as questões sociais. A idéia do
    compromisso social deveria representar a re-conceituação da
    Psicologia. Os eixos Direitos Humanos e Políticas Públicas vão
    configurando essa política, a direção do compromisso social.

Alguns
companheiros da plenária completaram o histórico e/ou forneceram
exemplos ou informações do processo, tal como relatado.

 

Marcos
Ferreira apontou para a necessidade de se distinguir o movimento do
compromisso social do movimento do cuidar, sendo o primeiro mais
amplo e o Cuidar uma de suas formulações e possibilidades. Colocou
também a necessidade de que o Cuidar, como movimento, não deve
“ficar no automático”, mas precisa estar atento a novos
desafios, se inquietar e dinamizar, radicalizar.

 

Christina
Veras – aponta que “ser o cuidar é um jeito de ser” que deve
guiar nossas ações e também o zelo com nossos companheiros.

 

Marcus
Vinicius ressalta que as pessoas que ali estavam vieram a São Paulo
às suas próprias custas, sem recursos das entidades. Indica que “O
Cuidar” são muitos mais do que os que ali estavam, pois o recorte
que nos define como cuidar não exige filiação mas adesão à
causa. Conclui-se pela importância e necessidade de se avançar
programaticamente.

 

2.
Relatos das reuniões Regionais:

 

Bahia
– (Marilda)– Informa que a reunião na Bahia foi pequena. Faz
críticas às gestões anteriores do CRP03. Existem pessoas com
práticas e discurso trazendo o conteúdo corporativo na profissão.
Conclui com a necessidade de se consolidar o trabalho, fortalecendo
entidades e garantindo os princípios do Cuidar. (Marcus) É
importante reconhecer que a atual gestão resgata o trabalho amplo e
sério no Regional e paga a dívida do Cuidar com os psicólogos
baianos e sergipanos.

 

Paraíba
(Aluizio) Relata a situação dos processos eleitorais passados no
CRP13, as disputas pessoais que se colocaram por dentro do Cuidar e
que depois resultaram em política própria. Ressalta a dificuldade
de se ter quadros com disponibilidade para o trabalho nas entidades e
informa que estão trabalhando para recompor o grupo do Cuidar da
Paraíba.

 

Santa
Catarina

– (Celso) – Apresenta uma avaliação da gestão, indicando as
dificuldades vividas pelo grupo. Descuido com a gestão, problemas
financeiros, problemas na conduta de alguns conselheiros marcaram o
início da gestão. Houve reunião para debater a questão inclusive
com presença de Ana Bock e Marcus Vinicius. Quatro conselheiros se
demitiram e
houve
nova reorganização para recuperação do trabalho e reequilíbrio
do grupo. Quadro positivo atual: a gestão reorganizada ampliou as
relações institucionais, a comunicação permanente com a
categoria, o cuidado com a ética. Muita gente nova vem participando.
Buscando criar a possibilidade de formação da nova composição da
chapa. Momento sofrido para a gestão.

 

 

 

Mato
Grosso do Sul

–(Carlos e Leonardo) – Segunda gestão do cuidar no CRP14 –
Procuram organizar o Cuidar também fora dos processos eleitorais, e
dentro e fora das gestões dos Regionais. CRP 14 rompeu com o
sindicato. Entendem que é preciso buscar formas de organização
regional mais permanentes, que não se limitem aos momentos
eleitorais.

 

 

 

Mato
Grosso

– (Marisa e Arlindo)– o trabalho do Cuidar esteve muito em função
do desmembramento e construção do CRP-18

 

Indicaram
que, provavelmente, nas próximas eleições do CRP haverá duas
chapas e todas do cuidar. Discute-se a possibilidade de trabalhar
para construção do CRP18, pois são poucas pessoas no Cuidar.
Relataram a existência de dois grupos; um deles aponta claramente a
necessidade de produzir o entendimento, uma vez que ambos se
apresentam como Cuidar.

 

Discutiu-se,
a partir do relato dos companheiros, que esse deve ser o caminho,
conferir se as diferenças são de fundo, em relação ao princípios,
ou não. Neste caso é possível e é preciso produzir o
entendimento. São dois grupos que precisam encontrar a formação de
um grupo único. As diferenças devem ser trabalhadas no projeto
político.

 

 

 

Pernambuco
– (Christina Veras e Conceição) – Relataram dificuldades dentro
do grupo com a democratização. Há o fechamento de parte do grupo,
houve problemas na convocação da convenção. Identificam nessa
divisão divergências em relação aos princípios do Cuidar, com
visões personalistas e desejos pessoais de ocupar espaços nas
entidades. Apontam a importância de se construir uma chapa que
discuta os princípios que nortearão o trabalho e de superar
divisões, ampliando o trabalho do Cuidar e sua organização.

 

Rio
Grande do Sul 

(Ivarlete)

Cenário
difícil,
pessoas
de gestões anteriores que foram do cuidar. Não temos hoje um grupo
do cuidar constituído. Na atual gestão há um grupo muito plural
que não conseguiu construir um norte para profissão; Divisão:
grupo voltado para o compromisso social e outro para cuidar do
psicólogo. Na gestão há uma visão muito corporativista e
dificuldade em distinguir atribuições do Sindicato e do Conselho.

 

São
Paulo
 –
(Marilene) Quarta gestão do cuidar no CRP. Grupo crítico e
militante buscando sempre retomar os princípios do Cuidar. Plenária
questionadora, levanta temas polêmicos para psicologia e para o
sistema conselhos. Boa articulação com o Sindicato (que também tem
gestão do Cuidar) permite ações conjuntas.Desenvolvimento de
mobilização do Cuidar em torno das subsedes. A reunião do Cuidar
contou com 40 pessoas; foi feito histórico do cuidar, uma retomada
e atualização dos princípios do cuidar. Discutiu-se que a
construção de chapa deve ser feita retomando os princípios antes
de se pensar em nomes.

Apontou-se que o Cuidar de São Paulo tem forte
participação no resgate da FENAPSI, no trabalho com o grupo no
Sindicato. Destacou-se ainda que a sistemática de reuniões
periódicas do Cuidar, com pessoas de dentro e de fora das gestões
das entidades tem sido importante para manter o grupo mobilizado.
Importante se pensar como articular nacionalmente a discussão para o
Cuidar avançar.

 

Amazonas
– (
Luciana)
– Relato sobre a organização do Cuidar que se inicia no Amazonas.
O Cuidar é novo. Maioria de psicólogos está na capital. Há um
grupo articulado, em que existe aproximação com os temas do Cuidar.
Têm enfrentado a discussão do desmembramento do Norte para
constituir novo CRP. CRP do Norte ou CRP do Amazonas? O sistema tem
esta discussão a fazer.

 

 

 

Ceará
– 
(Adriana
e Anice)-
Movimento
se constitui principalmente em função das eleições. Têm
enfrentado dificuldades para organizar o Cuidar, considerando,
inclusive, que o Regional abrange três estados. Marcaram a reunião
marcada, mas tiveram problemas na convocação. Houve questionamento
de pessoas do grupo gestor do Maranhão em relação às convocações.
Problemas do Núcleo da ABEP que está extinto. Sindicato recebe
apoio do CRP. Organização sempre antecede a formação de chapas e
era preciso tornar mais permanente esta organização. Fizeram
referência a problemas internos, com divergências que não seriam
de princípios, mas da forma de condução da política. Marcus
aponta a necessidade que as lideranças do Cuidar no estado construam
uma convivência mais política e coletiva; enfatiza que se não há
divergência programática, é preciso compor; fazer a Psicologia
avançar é o principal.

 

Minas
Gerais – 
(Milton,
Chico e Lourdes)
– 
Relato
da situação do cuidar em Minas. Críticas à gestão atual que se
elegeu como Cuidar, mas se afastou de seus princípios. Há uma
divisão e os companheiros do Cuidar se manterão na gestão atentos
aos problemas. Relataram a existência de atitudes populistas da
direção. A bandeira da gestão do CRP passa pela questão das
condições de trabalho, puxando para o Regional a condução das
lutas trabalhistas e esvaziando o sindicato. A gestão ainda rompeu
com a ABEP e com o Sindicato. Relataram vários problemas que
demonstram o afastamento da direção do CRP dos princípios e
métodos do Cuidar, inclusive com atitudes que excluem os
companheiros que não são do grupo de atividades da gestão e de
participação nas decisões sobre as ações do CRP. Além disso,
relataram falta de reuniões do Cuidar. O que havia eram reuniões de
conselheiros e não havia convocações para todos os membros do
Cuidar. Considerou-se importante que, no processo de organização da
convenção as questões foram colocadas sobre a mesa e estejam sendo
enfrentadas. Necessidade de convocar e realizar reuniões do Cuidar
que envolvam pessoas que não estão nas gestões das entidades.
Ampliar o Cuidar em Minas.

 

Distrito
Federal – 
(Edmar
e Cynthia) Relataram críticas
da categoria, influenciadas pelas ações do Regional que sempre
questionam
as ações no CFP. A gestão do Regional é um grupo pluralista, mas
sem identidade clara. Colocam-se como oposição ao CFP que
consideram uma gestão autoritária. A mobilização em torno do
Cuidar fica difícil, o Regional não é espaço de organização, é
preciso articular de outra forma. Os companheiros que não estão no
Regional têm trabalhado para essa mobilização, apontando a
possibilidade de fazer uma discussão em torno da organização do
Cuidar, fazendo uma proposta de fazer diferente, com outros
princípios. Necessidade de organizar o Cuidar no Distrito federal.

 

Espírito
Santo 
(Andréia,
Hildicéia)

Grupo
coeso, segunda gestão, primeiro plenário cuidou da organização do
Regional a segunda gestão passou para ações políticas. Diversas
pessoas percebem a existência da entidade, o que aparece como um
retorno do trabalho realizado na gestão. Várias pessoas aparecem
com o interesse de participar das eleições até formando e fazendo
parte de chapas. É uma gestão mais política.

 

Rio
de Janeiro

– (Roseli) A reunião contou com muito poucas pessoas; não há
mobilização do Cuidar. O Cuidar é um alvo, no sentido de que atrai
e canaliza posições contrárias, em temas que apontam as
divergências com o federal; é necessário desenvolver alianças no
Rio. Plenária está rachada.

 

FENAPSI
(Fernanda)
– Fez
o relato das ações de reorganização da entidade. Transferência
da sede para Brasília. Dificuldades administrativas e organizativas;
ganharam titularidade do CNS. Questões no conselho de assistência.
Uma formação de chapa que amplia a participação de vários
estados. O Problema de Minas vem sendo discutido. Sindicato com
eleições adiadas. Fala da composição da atual diretoria, o quanto
cada um tem contribuído para crescimento e reconstrução da
entidade.

 

ABEP
– 
os
participantes da entidade que deveriam estar na reunião tiveram
problemas e não puderam comparecer. Apenas Oliver esteve. Chico que
é da gestão da entidade fez relato breve sobre o trabalho e as
dificuldades na gestão.

 

 

 

3.
Discussão para avançar o programa político do Cuidar e sua
organização

 

O
debate apontou:

 

Corremos
o risco de ter um discurso muito politizado e nos distanciarmos de
outros segmentos dentro da psicologia. Ideologização nos
desfavorece. Uma possível oposição terá discurso populista; trará
algumas referências progressistas, mas equívocos que mostram
concepção diferente, como se por como defensora dos psicólogos, no
sentido corporativista. Nosso discurso tem que ser político, mas tem
que dialogar com toda a Psicologia, não pode ficar ideologizado. É
preciso avançar em nosso programa para a profissão? Qual o problema
da nossa política? É preciso, para avançarmos, reconhecermos
limitações e problemas em nossa política.

  • Retomar
    as iniciativas que dialogam com interesses mais gerais da categoria.
    Retomar a avaliação das psicoterapias; na formação –
    fortalecer ABEP falando sobre a formação.

 

  • Plataforma
    nacional deve ser composta com um discurso mais geral e amplo; as
    plataformas regionais não devem simplesmente repetir a nacional,
    mas avançar apontando questões e aspectos mais específicos.

 

  • Linguagem
    – pensar em 3 vertentes: uma para os psicólogos, outra para com
    os usuários dos serviços de psicologia e outra para o diálogo com
    o Estado.

 

  • Produzir
    referências para que nosso discurso avance para além da denúncia;

 

  • Utilização
    do CREPOP para avançar. É preciso ampliar a divulgação do que se
    produz no CREPOP. Como nossas produções poderão chegar à
    categoria? É preciso estratégias de maior VISIBILIDADE ao que se
    está produzindo no CREPOP.

 

  • Centralidade
    dos temas do trabalho e do sindicato. Posicionar o campo da
    discussão. Tem-se feito uso oportunista destas questões. Investir
    no vínculo com o Sindicato e com movimentos sociais.

 

  • Avançar
    nas formas de vistoria e controle. Conduzir as ações de
    fiscalização considerando a importância que têm para fazer valer
    as referências produzidas, para chegar ao psicólogo no seu
    cotidiano, para fazer a profissão avançar.

 

  • Ampliar
    perspectivas de participação e articulação com outros setores da
    sociedade: na articulação com outras áreas e profissões; na
    participação no controle social; defender a natureza plural e
    democrática desses órgãos, que devem ter a participação da
    sociedade.

 

  • Aceitar
    o desafio de não só estar nos espaços de controle social, mas ter
    posições a defender.

 

  • Propostas
    mais claras de participação nos órgãos de controle social.

 

  • Resgatar
    as informações acumuladas pelas COEs e COFs para que se possa
    utilizá-las na construção de referências e estratégias de ação.
    Partir das necessidades que estas fontes apontam.

 

  • Privilegiar
    as políticas públicas e CREPOP: como as referências avançam da
    condição genérica para se tornarem referências, inclusive
    permitindo fiscalização.

 

  • Diálogo
    com o Estado: temos as referências oferecidas pelo CREPOP, mas é
    preciso ir aos gestores apresentar o que temos já construído,
    divulgando a profissão.

 

  • A
    dimensão da qualidade técnica e ética da profissão é o que
    caracteriza os Conselhos. A questão das condições de trabalho tem
    que ser analisada nesta perspectiva, com o risco de desvirtuar-se a
    instituição e sua finalidade social.

 

  • Não
    se deve recuar das bandeiras já conquistadas, mas é preciso
    avançar e aprofundar as questões, saindo do discurso ideológico.

 

  • Método
    de gestão – o conselho cresceu muito; temos um desafio: como
    fazer uma gestão competente com o crescimento dos trabalhos e a
    manutenção dos conselheiros.

 

  • Radicalização
    das questões democráticas. Não silenciar a diferença.

 

  • Construir
    um protocolo entre sistema conselhos e FENAPSI para instruir os
    concursos públicos.

 

  • Fortalecer
    a ABEP nos regionais.

 

  • Buscar
    enfrentar os pontos polêmicos dentro da psicologia, homofobia,
    idade penal etc.

 

  • Colocada
    como questão a formalização do cuidar como entidade – CNPJ;

 

  • Enfrentar
    mais corajosamente as questões que se configuram como questões de
    método nas gestões em desenvolvimento.

 

  • O
    Estado e papel nas políticas públicas exige que se discuta: que
    Estado queremos?

 

  • Colocar
    sempre a questão da promoção dos direitos sociais na relação
    com a profissão.

 

  • O
    CREPOP é a diferença, precisa dar um passo, ser também um
    instrumento para o acompanhamento das políticas públicas.

 

  • Radicalizar
    na permeabilidade do Cuidar, dialogando permanentemente com as
    diferenças;

 

  • Os
    conselhos precisam discutir as questões da formação para
    contribuir no fortalecimento da ABEP.

 

  • Tomar
    a questão do Norte (CRP19) como questão nacional. Promover a
    discussão.

 

  • Estratégias
    para dar maior visibilidade às referências construídas, em
    especial pelo CREPOP. Fazer a produção dos Conselhos chegar aos
    psicólogos.

 

  • Promover
    aproximação com os movimentos sociais; usar produções dos
    conselhos nesse sentido.

 

  • Acrescentar
    aos princípios do Cuidar, que continuam válidos, a idéia de que a
    Psicologia pode e deve fazer uma intervenção cultural na
    sociedade. Nossas produções permitem colocar no espaço social
    nossa percepção da subjetividade, dos sujeitos como autônomos,
    participativos.

 

  • Fortalecimento
    do FENPB. Ajudar no desenvolvimento e fortalecimento das entidades.

 

  • Priorizar
    aspectos da profissão que são importantes para a categoria no seu
    cotidiano;

 

  • Incentivar
    a participação dos psicólogos no processo de construção do CNP;

 

  • Reconhecer
    que o avanço da Psicologia só se faz com o avanço conjunto de
    muitas entidades. Isto exige respeito às responsabilidades e
    funções de cada entidade.

 

  • Pressionar
    para que as entidades se filiem à ULAPSI. A ULAPSI é espaço de
    construção de resistência e transformação de nossas formas
    colonialistas de produzir na Psicologia.

 

  • Realizar
    pesquisa para acompanhamento da avaliação que a categoria faz da
    entidade e das características da profissão.

 

 

 

 

 

 

 

 

Organização
do CUIDAR:

  • Criar
    um coletivo nacional para o Cuidar, uma Coordenação
    composta por: executivo diretor do CFP + representante das entidades
    sindicais + representante da entidade da formação + até 3
    históricos.

 

  • Criar
    um Conselho
    Consultivo

    do Cuidar: cada região deve indicar um representante formando o
    Conselho.

 

  • Ampliar
    a democracia interna do Cuidar

 

  • Voltar
    às regiões levando os resultados da reunião, promover o debate e
    avaliar a situação da região, formulando política construtiva.
    Quais as críticas que estão sendo feitas? Incorporá-las.

 

  • Realizar
    convenções a cada
    ano
    e meio: uma convenção de avaliação e outra programática.

 

  • Organizar
    a lista do cuidar e incorporar novos membros. Aqueles que estão
    fora deverão enviar e-mail para Chico Viana: fviana55.psc@gmail.com

 

  • Promover
    reuniões mais freqüentes do Cuidar nas regiões,
    incluindo
    as pessoas interessadas que não estão nas gestões.

 

  • Voltar
    aos estados e dar a devolutiva da convenção. Aproveitar para
    reconstruir relações e formar um coletivo para enfrentar as
    disputas eleitorais que se colocarão à frente. Superar pequenas
    diferenças construindo consensos na política.

 

  • (Obs.
    a proposta de formalizar o Cuidar não foi consensual. Discutiu-se
    também se deveríamos ou não abrir o cadastro na lista,
    fazendo-via site do Cuidar, mas por ora foi mantido o sistema de
    e-group coordenado pelo Chico Viana)

 

 

 

 

Relatório
de responsabilidade de

 

Chico
Viana, Ana Bock e Graça Gonçalves

 

06/03/2010

CNP e Teses

 Memória  Comentários desativados em CNP e Teses
nov 112004
 

O que é o Congresso Nacional da Psicologia?

O Congresso Nacional da Psicologia (CNP) é a instância máxima do Sistema Conselhos, porque é neste espaço que a categoria, por meio de seus representantes (delegados eleitos nos Congressos Regionais), discute democraticamente, as diretrizes para a construção da Psicologia, a ser implementada e regulada pelos Conselhos de Psicologia do Brasil, no triênio.

Qual o objetivo do Congresso?

Os objetivos do Congresso são promover a organização e mobilização dos psicólogos no país, garantir o espaço de articulação para composição, inscrição e apresentação de chapas que concorrerão ao mandato do Conselho Federal e a definição de políticas referentes aos temas do Congresso a serem implementadas e reguladas pelo Sistema.

O Congresso Nacional possui as seguintes etapas:

* Eventos preparatórios: são realizados em diversas localidades e têm a tarefa de suscitar os debates e levantar questões para a formulação de teses;
* Pré-Congressos: são instâncias que apreciam e aprovam as teses do Regional e ocorre apenas um por área geográfica. Elege-se nesta instância os delegados ao Congresso Regional;
* Congresso Regional: composto por delegados eleitos nos pré-congressos é realizado em cada Conselho Regional e aprecia as teses nacionais e elege delegados ao Congresso Nacional;
* Congresso Nacional: é a etapa final do processo de discussão e decisão sobre as orientações para a atuação dos Conselhos de Psicologia.

E qual o tema do V CNP?

TEMA: PROTAGONISMO SOCIAL DA PSICOLOGIA – As Urgências Brasileiras e a Construção de Respostas da Psicologia às Necessidades Sociais

* Políticas Públicas
* Inclusão Social e Direitos Humanos
* Exercício Profissional:
– formação e exigências de qualificação
– campos e espaços de atuação
– áreas emergentes

E o que se pretende com este tema?

Pretende-se construir um programa que possa significar a participação da Psicologia na transformação da sociedade brasileira, ampliando sua inserção social e sua possibilidade de construir respostas efetivas para as necessidades sociais, urgentes, no Brasil.

A Psicologia precisa entrar em cena de forma compromissada, exercendo um trabalho qualificado e ético.
A Psicologia precisa estar na cena em que se luta pela transformação da sociedade brasileira, construindo melhores condições de vida e buscando um mundo melhor para todos.
São muitas as urgências e as necessidades sociais. São muitas as possibilidades da Psicologia.
O V CNP pretende construir o programa desta empreitada.
O convite é para pensar o futuro da profissão e da ciência, a partir do trabalho cotidiano de cada um.

E as teses? Como devem ser feitas?

A tese é uma proposta que inclui:

* análise da realidade da Psicologia e o apontamento das urgências e necessidades; aponta a problemática a ser enfrentada ou a situação a ser modificada.
* as diretrizes que estão sendo propostas; é a tese propriamente dita que explicita a situação desejada a qual os conselhos devem buscar.
* os encaminhamentos que devem ser dados pelos Conselhos Regionais e Federal; são sugestões de ações que buscam garantir a situação desejada.

Por exemplo:

Análise

O problema dos instrumentos de avaliação psicológica:

* não são adequados à realidade brasileira. A maioria não está validada e padronizada;
* há descrédito por parte do Judiciário e outras instituições;
* os instrumentos têm mau uso nas Universidades, onde se pirateia e copia, contribuindo para sua desvalorização;
* com isso, o trabalho do psicólogo também perde seu valor e sua credibilidade.

Diretrizes

Qualificar o instrumental técnico de avaliação psicológica, garantindo:

* sua adequação à realidade;
* o controle sobre seu uso e comercialização;
* sua produção, comercialização e utilização, que devem ser feitas com responsabilidade.

Encaminhamentos

Convocar os editores e exigir responsabilidade pela qualidade dos instrumentos que são comercializados:

* produzir resoluções sobre a qualidade de produtos e serviços psicológicos;
* chamar as Comissões de orientação e fiscalização (COFs) para atuar na fiscalização e orientação;
* realizar campanha de valorização dos instrumentos junto ao Judiciário e outras instituições.

Como ser delegado?

Todo psicólogo inscrito em um Conselho Regional e adimplente pode ser delegado. Para isso, é necessário participar dos pré-congressos e ser eleito como delegado ao Congresso Nacional.

Cronograma geral para V CNP

ETAPAS DO V CNP PRAZOS
Eventos preparatórios Setembro de 2003 a março de 2004
Pré-congressos das Subsedes Até 18 de abril de 2004
Pré-congresso – Sede Dias 2 e 3 de abril de 2004
Congresso Regional Dias 14, 15 e 16 de maio de 2004
V CNP 17 a 20 de junho de 2004

Documento Geral 2004

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jan 112004
 

DOCUMENTO GERAL

 

PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

 

 

         O Movimento “Para Cuidar da Profissão” se instalou em 1996, quando se articulou para as eleições para o Conselho Federal de Psicologia. Fomos vitoriosos nas eleições e ocupamos a direção nas gestões 97/98, 98/2001 e 2001/2004. Nestes 8 anos nossos objetivos continuam sendo os mesmos: contribuir para que os psicólogos possam se estabelecer, na sociedade brasileira, como um grupo profissional.

 

            A categoria não teve tempo histórico para se institucionalizar e para se organizar. São apenas 42 anos de uma categoria profissional que se viu regulamentada pela Lei 4119, com poucos psicólogos em sua base e sem ainda espaços significativos no mercado de trabalho. Os psicólogos não tiveram tempo e condições de produzirem uma voz coletiva. A precariedade da organização dos psicólogos é uma herança que devemos considerar, quando construímos nossos projetos de futuro para a Psicologia no Brasil.

 

            Assim, cuidar da profissão é sinônimo de organizar institucionalmente os psicólogos. Cuidar da profissão é estimular e criar condições para que a categoria se auto-organize, podendo então criar uma voz coletiva e se expressar socialmente.

 

            Somos, hoje, 125 mil psicólogos em condições de atuar na profissão. Brevemente seremos o dobro, pois temos hoje 496 cursos de Psicologia. Somos, portanto, um número expressivo de profissionais que deve buscar traduzir a sua quantidade em qualidade. Melhorar a qualidade implica e exige ORGANIZAÇÃO. A organização permite envidar esforços de legitimação do que é produzido a partir dessa organização, fortalecendo o lugar social dos psicólogos.

 

            Cuidar da profissão significa trabalhar nos Conselhos de Psicologia fazendo deles espaço de articulação e organização dos psicólogos. Não se busca encher o Conselho de profissionais, pois isto pode não significar organização. Esta implica na produção de um discurso coletivo; implica na construção de projetos para o futuro da Psicologia no Brasil. Organizar exige a presença da diversidade. Cuidar da profissão significa organizar institucionalmente a representação da diversidade da Psicologia.

 

            A Psicologia é diversa e os Conselhos devem expressar essa pluralidade. Não se pode negligenciar nenhuma área da Psicologia. Os Conselhos são órgãos de orientação, fiscalização e regulamentação da profissão, por isso não podem, em seu trabalho de ORGANIZAR, deixar de lado nenhuma contribuição da Psicologia. Tudo que se refere à Psicologia é de interesse do Conselho; nada deve ser considerado estranho ou deixado de lado.

 

            É preciso garimpar os sujeitos e oferecer as condições de trabalho para que venham sistematizar seus pensamentos e ir produzindo o discurso coletivo que buscamos e necessitamos, como instrumento de fortalecimento da institucionalização da Psicologia na sociedade.

 

            As direções que ocupam os Conselhos não podem evocar para si a tarefa de falar e expressar toda a Psicologia. Não podem ser expressão da diversidade. Pensar a atuação nos Conselhos de forma ética e representativa, exige que consideremos esta questão como central. Nosso trabalho é garimpar as riquezas da profissão que possam constituir as vozes coletivas e organizadas que buscamos. É a serviço desta meta que devemos colocar os Conselhos.

 

            Temos, como Movimento do Cuidar da Profissão, sabido destacar, em nosso trabalho, os aspectos político-sociais importantes para os quais a Psicologia deve estar atenta ao construir sua contribuição profissional. No entanto, estes aspectos não podem ocupar todo o cenário. É preciso estar atento para os demais aspectos. São temas que se referem às fragilidades do exercício profissional; são carências e competências represadas que precisam de nossa atenção. Os Conselhos precisam saber escutar,  nas perguntas dos psicólogos, em cada processo ético, nas denúncias, nos debates e eventos, nas queixas e críticas apresentadas, as diferentes temáticas e necessidades da profissão, para então produzir democraticamente as respostas e fazê-las circular.

 

            É preciso que esta diversidade da Psicologia seja organizada. Esta é nossa proposta como Movimento do Cuidar da Profissão. Unir a diversidade da Psicologia na construção de seu futuro. Um futuro que queremos que seja caracterizado pelo compromisso com as necessidades da sociedade brasileira. Um futuro que permita o acesso à Psicologia a quem dela precise.

 

            Esta tarefa nos coloca mais uma exigência programática: nos relacionarmos com o Estado brasileiro para buscar garantir esse futuro que queremos. Nenhuma profissão, em seu processo de institucionalização, pode prescindir de um relacionamento com o Estado. É preciso que nos coloquemos como diplomatas nesta tarefa.

 

            Hoje, uma das questões mais radicais para os psicólogos é a empregabilidade da categoria. Somos vítimas do desemprego estrutural que atinge 25% dos psicólogos em condições de atuarem na profissão. Os Conselhos devem ter uma posição ativa para lidar com esta questão.

 

            O Banco Social de Serviços em Psicologia já é uma iniciativa nesta direção, pois colocou os Conselhos como interlocutores com o Estado na construção de políticas públicas. Deve-se destacar que permitiu ainda que os Conselhos dialogassem com o Estado de forma a superar perspectivas corporativas.

 

            Na história de nossa profissão, os modos de relação com o Estado evoluíram. Inicialmente, estes relacionamentos eram pessoais com os governantes e se caracterizavam por uma intimidade com o poder, permitindo que, apesar de frágeis e pouco organizados, os psicólogos tivessem uma Lei que regulamentasse sua profissão e em seguida uma Lei que criasse seus Conselhos Profissionais. Evoluímos então para a aliança com Movimento Sociais, passando a atuações reivindicativas e políticas. Agora, devemos ser capazes de completar essa nova etapa com posições ativas necessárias ao fortalecimento da institucionalização da Psicologia.

 

            Os Conselhos, como diplomatas da profissão, devem interpelar o Estado, objetivamente, sobre  a ausência da Psicologia em certos espaços nos quais foram desenvolvidas competências sem que fossem traduzidas em ações profissionais inseridas no mercado de trabalho. Produzimos discursos importantes que devem ser materializados em ações profissionais. E queremos fazer isto, mas não encontramos o espaço social necessário. O desafio colocado para esta tarefa é podermos lutar por este espaço sem que estejamos reivindicando qualquer privilégio. O papel dos Conselhos é ajudar os psicólogos a se constituírem como categoria profissional sem recorrerem ao corporativismo. Assim, a luta pela definição de políticas públicas que respondam às necessidades e urgências da sociedade brasileira aparece como a ferramenta principal, na medida em que possuem um interesse universal.

 

            Políticas bem sucedidas dependem de um índice de “eticidade”. Toda política pode ser questionada em algum de seus aspectos, pois elas sempre são resultado de disputa de interesses, sendo inevitável que seu resultado contrarie algum setor. No entanto, se a política não tiver contra ela qualquer questionamento ético, podemos dizer que ela é bem sucedida. Ultrapassar o corporativismo que aparece nas lutas das categorias profissionais é nossa meta. A luta por políticas públicas, universais, é a ferramenta principal para aliar as necessidades de um conjunto profissional que deseja ter espaço no mercado de trabalho a um projeto de sociedade na qual se tenham condições dignas de vida para todos.

 

            Cuidar da profissão é organizar institucionalmente a representação da diversidade da Psicologia para poder produzir o discurso coletivo que reivindica o espaço social adequado para o exercício de nossas competências, espaço este que possibilitará a participação da psicologia, como profissão, na construção de um mundo melhor.

 

 

         Nossos avanços

 

            O Cuidar da Profissão, nestes oito anos de trabalho pode produzir um avanço na direção de seus objetivos. Apontamos abaixo, algumas iniciativas que se constituíram como recursos para essa meta.

  • Instalação de Comissões de Direitos Humanos em todos os Conselhos Regionais e no Conselho Federal;

  • Realização da I Mostra de Práticas em Psicologia;

  • Apoio na construção da ULAPSI- União Latino-americana de Entidades de Psicologia;

  • Iniciativa para a construção da Biblioteca Virtual da Psicologia Brasileira;

  • Apoio e participação no Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira;

  • Participação, com todas as entidades do Fórum, da realização do I Congresso Brasileiro Psicologia Ciência e Profissão;

  • Regulamentação da profissão: resoluções sobre homossexualidade, racismo, testes psicológicos, serviços de psicologia pela Internet, documentos escritos decorrentes de avaliação psicológica, psicoterapia, título e registro de especialista, acupuntura, hipnose, práticas alternativas, pesquisas com seres humanos, residência em Psicologia.

  • Fórum Nacional de Ética para revisão do Código de ética do psicólogo;

  • Banco Social de Serviços em Psicologia.

Minuta de Plataforma 2004

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jan 112004
 

MINUTA

 

 

 

Plataforma para Cuidar da Profissão em São Paulo

 

junho de 2004

 

 

 

O Cuidar da Profissão em São Paulo vem se reapresentar para poder dar continuidade ao trabalho que vem realizando há duas gestões em São Paulo. As necessidades da profissão vão se renovando e o trabalho de transformar o Conselho em um órgão que cuida da profissão ainda não terminou. Cuidar da profissão tem o sentido de desenvolvê-la e oferecer à categoria referências para uma prática profissional ética, tecnicamente qualificada e socialmente comprometida.

 

 

 

Construir referências e delimitar a profissão: é preciso que negociemos com a sociedade e com o Estado os novos limites da Psicologia. Nossa Lei 4119 foi aprovada em 1962. Hoje, a Psicologia se apresenta muito mais vigorosa, ampla e diversificada. É preciso negociar com a sociedade essa nova configuração para que possamos ser reconhecidos e para que se fortaleça a institucionalização de nossa profissão, no Brasil. Em um momento em que as fronteiras e referências das profissões se sobrepõem ou estão diluídas, devemos enfrentar o desafio de trabalhar para demarcar a profissão e para regular práticas sem alimentar sectarismos e corporativismos reducionistas. Demarcar a profissão e regular práticas, como uma de nossas principais metas, deve servir para qualificar a profissão e aumentar nosso compromisso com as demandas da nossa realidade. A Psicoterapia é talvez o campo que melhor exemplifica a necessidade urgente de delimitar práticas.

 

 

 

Valorização da profissão e de seus instrumentos: Todo o trabalho de fortalecimento social da Psicologia exige que se interfira na imagem da profissão e no reconhecimento e aceitação de suas formas de trabalho. Para isso é preciso tomar nas mãos dos psicólogos o trabalho de construir, reconstruir e rever os instrumentos e as formas de trabalho profissional que temos desenvolvido ao longo destes 42 anos de profissão. Ampliar nosso mercado de trabalho e a clientela que faz uso de nossos serviços implica e exige reinvenção permanente. Queremos ter a Psicologia, seus instrumentos e práticas, nas mãos da categoria dos psicólogos. Queremos divulgar nossa profissão na mídia e nos espaços de prestação de serviço, pois queremos que ela esteja ao alcance de quem dela precisar.

 

 

 

Banco Social de Serviços em Psicologia: o Banco deverá durar até 27 de agosto de 2005. Queremos fortalecê-lo até lá, para que possa dar os resultados pretendidos: fortalecimento das políticas públicas, inclusão do psicólogo nas políticas desenvolvidas pelo serviço público, fortalecimento da institucionalização da Psicologia, oportunidade de treino profissional para os psicólogos em políticas sociais e renegociação com a sociedade da configuração de nossa profissão.  São muitos os objetivos do Banco Social e pretendemos que eles se realizem. Por isso, nos comprometemos em fortalecer e apoiar o desenvolvimento do Banco Social em todo Estado de São Paulo e no Brasil.

 

 

 

Contribuir na construção de políticas públicas: o Estado brasileiro, depois de quase 20 anos de políticas neoliberais, precisa ser reconstruído. Trabalhar para a construção de políticas públicas com a presença marcante do Estado é lutar para que os serviços básicos de saúde, educação, saneamento, moradia, assistência social possam ser ampliados e estar, desta forma, ao alcance de todos. Construir políticas públicas é fortalecer a cidadania e melhorar as condições de vida no Brasil. Os psicólogos devem estar neste trabalho e devem colocar a Psicologia a serviço desta transformação. Devemos lutar para que a Psicologia esteja prevista, como um serviço, nas políticas públicas de saúde, educação e outras.

 

 

 

Fazer circular Psicologia: um fator importante para que nosso trabalho seja bom é investir na comunicação de nossas atividades e na circulação da Psicologia em todo Estado de São Paulo. Precisamos melhorar nossa comunicação com a categoria. Aproveitar melhor a Internet, melhorar nosso site, dinamizar o Jornal são algumas das tarefas e responsabilidades que nos colocamos, buscando melhorar a circulação de informação. Além disso, é preciso contribuir para que a Psicologia circule entre os psicólogos. Apoiar a realização de eventos sejam do CRP/CFP ou de outras entidades da Psicologia é, sem dúvida, uma forma de caminhar na direção deste objetivo.

 

 

 

Orientar e fiscalizar o exercício profissional: orientar a categoria, respondendo às dúvidas sobre o exercício profissional e/ou produzindo novas respostas para as novas perguntas que vão surgindo com o desenvolvimento e ampliação social da profissão. Fiscalizar para poder garantir à sociedade seu direito de receber um bom serviço em psicologia.

 

 

 

Apoiar a criação do Núcleo Paulista da ABEP: A Associação Brasileira de Ensino de Psicologia precisa estar forte, para poder contribuir e coordenar a implantação das diretrizes curriculares que foram aprovadas para a Psicologia. O CRP SP deve colaborar na criação e desenvolvimento do Núcleo Paulista da ABEP. Deveremos estar atentos para que as diretrizes possam significar um avanço na formação. Queremos participar ao lado de estudantes, professores e pesquisadores para garantir uma boa formação na área. A proliferação de cursos tem posto em risco a qualidade da formação em Psicologia. O fortalecimento da ABEP deverá significar resistência e ao mesmo tempo oferta de referências de qualidade. O CRPSP quer estar nesta luta!

 

 

 

Direitos Humanos: Queremos continuar lutando pela associação entre a Psicologia e os Direitos Humanos. Esta relação poderá fortalecer a Psicologia como uma prestação de serviço à sociedade que se pauta pela ética e por princípios democráticos. Lutar para que todos tenham uma vida digna, pelo fim da desigualdade e do preconceito é uma forma de garantir boas condições psicológicas para a população brasileira. Associar a Psicologia aos Direitos Humanos é uma forma de fazer avançar nossa profissão na direção de respostas dignas às urgências da sociedade brasileira.

 

 

 

Apoio a Movimentos Sociais: Engajar-se nas lutas de nosso tempo é garantia de que não se está só. É preciso apoiar e participar de movimentos sociais guiados por metas e princípios democráticos. Fortalecimento do SUS, pela escola Pública, pela Democratização da Comunicação, contra a redução da maioridade penal, pelo fortalecimento do ECA, enfim pelas muitas lutas que nossa sociedade vem empreendendo em busca de uma vida digna para todos. O CRPSP quer estar nestas lutas.

 

 

 

Por uma Psicologia Latinoamericana: o fortalecimento da Psicologia como profissão comprometida com as urgências de nosso tempo exige a parceria e a união com a Psicologia e os psicólogos da América Latina. O CRPSP vai apoiar as iniciativas nesta direção. Manter em nosso Jornal uma página sobre a América Latina; manter-se filiado a ULAPSI- União Latinoamericana de Entidades de Psicologia; apoiar o Congresso da ULAPSI em São Paulo, em 2005; realizar debate que permita o diálogo da Psicologia Latinoamericana; e fazer circular informações sobre a Psicologia latinoamericana são iniciativas importantes para atingir nosso objetivo.

 

 

 

Gerir o CRP com seriedade e  transparência: é importante reforçar sempre os princípios de uma gestão honesta, rigorosa e transparente.  A gestão do Conselho é fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União, mas são os princípios de uma gestão rigorosa que devem ser as diretrizes de nosso trabalho. Cuidar do patrimônio; zelar pelo uso dele e de seus recursos são tarefas importantes para nós. Nos comprometemos com essa meta.

Cuidar da profissão – construindo referências para o protagonismo social dos psicólogos – 2003

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nov 112003
 

Esse material que segue compôs um folder que distribuímos em maio de 2003. É, portanto, o último material publicado pelo “Cuidar”. Foi distribuído durante o Congresso Norte Nordeste, Paraíba e chamava a todos para a convenção que se realizou no dia 28 de maio de 2003.

Editorial

Fazer uma análise de conjuntu­ra política nestes tempos é uma verdadeira temeridade. Os parâ­metros de uma análise deste tipo estão fora da ordem. A doutrina Bush de relações internacionais está pautada pelo 11 de setembro. Em busca da segurança interna os americanos colocam todo o plane­ta sob suspeita. Quem não está com eles, está contra eles. Um clima paranóico que leva o gendarme do mundo a ações mili­tares, destruindo qualquer possi­bilidade de acordo internacional e inviabilizando a própria ONU como fórum da diplomacia mundial.

Primeiro foi o Afeganistão, depois o Iraque, agora é Arábia Saudita e já vislumbramos a pres­são sobre Cuba, Irã e Coréia do Norte. Todos incluídos, sintomati­camente, no que é denominado “Eixo do Mal”. A doutrina Bush é fundamentalista! A polarização da guerra fria e a ameaça atômica da segunda metade do século XX foi tomada pela ação terrorista de grupos islâmicos. O temor de uma guerra total dá lugar ao terror de que a estação do metrô possa ex­plodir a qualquer momento. A fal­ta de um imaginário utópico que possa sustentar um campo sim­bólico, permitindo a organização das lutas de transformação social, abre o caminho para a barbárie.

Na América do Sul, tradicional quintal americano, o movimento popular dá mostra de amadureci­mento e consolidação da demo­cracia, coisa rara nesta região. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma grande novidade no cenário internacional e pela primeira vez em nossa história temos um governo brasileiro de cunho democrático e popular.

Rigorosamente, é a primeira vez que a esquerda chega ao poder em nosso país. Trata-se de um movimento que contradiz os caminhos da doutrina Bush e ocorre em um momento que a estratégia capitalista para o período, o consenso de Washington, mostra sinais de debilidade. O acordo neoliberal não foi sufi­ciente para garantir estabilidade econômica para os agora chama­dos países de economia emer­gente.

O povo brasileiro aposta em uma saída à esquerda e como nada é simples assim, até agora o go­verno Lula tem aplicado o mesmo remédio do corte orçamentário, dos juros altos, do pagamento da dívida, do superávit da balança, da inflação baixa, da atração do capital volátil, etc. Busca garantia de governabilidade, construindo maioria no parlamento com méto­dos semelhantes aos do governo FHC. Vivemos atônitos uma ducha de “real politik” que nos impõem o famoso dístico de que os fins são mais importantes que os meios.

Mas é importante notar que esse movimento é compreendido por amplos setores da população como cautela de quem agora sabe tratar com maturidade a condução do país e que irá, gota a gota, reverter a situação social drástica e perversa que vivemos. Os projetos sociais estão sendo delineados e o “Fome Zero” se transforma em um organizador popular. Os dis­positivos que servirão para a cons­trução de uma aliança concreta com possibilidade de reverter a condição de pobreza de 25 mi­lhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria, não se restringem à distribuição de ali­mentos, mas sim à construção de uma rede social de economia solidária.

Sabemos que as mudanças não serão repentinas e nem mesmo rápidas. O governo Lula deverá fazer a transição de um país neoliberal que abandonou as políticas sociais, optou por privatizar os serviços de educação e saúde, não investiu na reforma agrária, fiscal e da previdência, não ousou tocar no setor judiciário, nas penitenciárias e nos hospitais psiquiátricos; que des­cuidou da pesquisa e da produção de tecnologia, enfim um país que se manteve campeão de desigual­dades sociais para um novo Brasil.

São muitas as frentes de inter­venção; são grandes as mudanças necessárias; são poucos os recur­sos e é grande a expectativa da população. Sem desanimar, espe­ramos.
O Movimento Cuidar da Profissão acredita que não deva­mos esperar de braços cruzados. É hora da Psicologia se colocar no cenário nacional de modo mais ousado! O Brasil optou pela mudança e os psicólogos devem colaborar!

Nossos últimos 6 anos

Surgimos da vontade de dar um salto e aproveitamos o espaço dos Conselhos para produzir o diálogo da diversidade da Psicologia. Para con­quistarmos um lugar social para a Psicologia que significasse romper com a tradição de compromisso com as elites brasileiras.

Ocupamos a maior parte dos CRPs e o CFP, trabalhando ininterrupta­mente para alcançar essas metas. Destacamos as formas que o nosso trabalho assumiu:

Resoluções que demarcam a profissão: qualificar o exercício profissional do psicólogo exige esforços de várias naturezas. Qualificar a formação é uma delas; outra é produzir, de forma democrática, referências para o exercício profissional. O Cuidar da Profissão tem tido esta iniciativa por meio dos Conselhos de Psicologia. Foram várias as resoluções: docu­mentos decorrentes de avaliações psicológicas, dos testes psicológicos, dos serviços por internet, da pesquisa com seres humanos, da acupuntura e da hipnose, das práti­cas alternativas, enfim são várias as resoluções que oferecem à categoria dos psicólogos algumas referências nascidas das dificuldades em um exercício profissional qualificado.

Resoluções que defendem os direitos humanos: Duas resoluções serão históricas na Psicologia: a do racismo e da orientação sexual. São resoluções que proíbem os psicólogos de se acumpliciarem com práticas preconceituosas e estigmatizadoras.

Direitos Humanos: temos traba­lhado vinculando a Psicologia à defe­sa dos direitos humanos. Por meio de campanhas, da realização de even­tos, da construção de Comissões de Direitos Humanos em cada Regional e no CFP, da parceria com outras enti­dades e comissões de direitos humanos, na participação em even­tos e movimentos sociais que se põem em defesa dos direitos humanos. Os Conselhos têm se insti­tuído socialmente como órgãos importantes na defesa dos Direitos Humanos.

I Mostra de Práticas em Psicologia: Psicologia e Compromisso Social: talvez a atividade mais emblemática nascida no seio do Cuidar da Profissão. Envolveu todos os Conselhos Regionais e várias enti­dades nacionais brasileiras e da América Latina. Reuniu 15 mil pes­soas em São Paulo e mostrou cerca de 3000 trabalhos que demonstraram o novo compromisso social da Psicologia, vinculada a interesses da maioria da população.

Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira: outra inicia­tiva importante do Cuidar da Profissão para a Psicologia: reunir as entidades nacionais da Psicologia (hoje são 16 entidades) em um espaço de debate e esforço coletivo para resolver as dificuldades da Psicologia, contribuindo para o seu desenvolvimento na direção de uma profissão e uma ciência com compro­misso social. O Fórum desenvolveu atividades necessárias, tais como:

• Construção da ABEP (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia): como o espaço de articulação dos esforços para qualificar a formação;
• Biblioteca Virtual da Psicologia: poucas profissões na América Latina têm uma Biblioteca Virtual. A Psicologia possui uma administrada pelo Fórum de Entidades que faz cir­cular de forma democrática as pro­duções científicas e profissionais no âmbito da Psicologia.
• I Congresso Brasileiro Psicologia Ciência e Profissão: reuniu 8 mil profissionais, professores e estu­dantes de Psicologia na USP, na cidade de São Paulo, no ano passado. Este evento marcou o diálogo entre a ciência e a profissão; diálogo este que se fazia timidamente, em poucos espaços. O trabalho foi disparado, agora resta desenvolvê-lo.
• Campanha Psicologia em Alerta: iniciativa do Fórum de publicar folhetos que caracterizaram alguns problemas enfrentados pela Psicologia e anunciavam a disposição do Fórum em enfrentá-los, convo­cando a todos para esta tarefa.
• Diretrizes Curriculares: o Fórum enfrentou de forma democrática o debate das diretrizes curriculares para a Psicologia e se opôs a toda ini­ciativa que não refletisse a vontade coletiva e os princípios de uma for­mação que unisse profissão e ciência.

Criou projetos de resgate da memória da psicologia: o Cuidar da Profissão cuidou da memória da Psicologia. Fez produzir vídeos com os personagens da história da Psicologia; publicou livros sobre os pioneiros da Psicologia assim como Livros esgotados que são considera­dos históricos.

Sistematizou e fez circular Psicologia: a iniciativa dos INDEX Psi que resultaram na Biblioteca Virtual da Psicologia, possibilitando acesso democrático ás produções da Psicologia.

Instalou um método de trabalho na Psicologia: transparência na política, rigor na gestão financeira e relação parceira com as diferenças, fazendo caminhar a Psicologia com todas as suas diferenças e toda sua diversidade.

Colaborou decisivamente para a construção da ULAPSI: uma política de unificação da psicologia Latino-americana que colabore com formas de reverter o caminho de mão única entre a produção européia e ameri­cana e nos coloque na condição de produtores de conhecimento, for­talecendo nossas entidades e ao mesmo tempo garantindo inde­pendência científica.

Tudo isto porque somos muitos. Tudo isto nos tornou muitos.

E o futuro?

Questões que se colocam para o próximo período, considerando que há eleições em várias entidades nos anos que se seguem:

• Ampliar a inserção social da Psicologia: mostrando para a sociedade brasileira a Psicologia que se sabe fazer;
• Negociar com o Estado as demarcações da profissão: em 1962, para aprovarmos a regula­mentação da profissão, foi feita esta negociação. Depois disto não voltamos a fazer estas intervenções. Torna-se necessário voltar a estas práticas;
• Tornar as entidades mais conhecidas: como órgão de defesa da sociedade e da qualifi­cação dos serviços de Psicologia e do seu saber;
• Qualificar o controle financeiro nas entidades: desenvolvendo instrumentos e concepções que permitam esta tarefa;
• Oferecer referências: tornando qualificado o exercício profissional do psicólogo.

E o que mais?

Venha debater para que possamos desenvolver o programa do CUIDAR DA PROFISSÃO para os próximos anos!
Venha ajudar a construir a pauta da Psicologia brasileira para o próximo período!!!

Movimento Cuidar da Profissão
Convenção Nacional
Dia: 28 de maio
Horário: às 19h30
Local: Hotel Hardman, Av. João Maurício, 1341
João Pessoa, Paraíba

Expediente
Movimento Cuidar da Profissão Jornalista Responsável: Elen Marques cuidardaprofissao@yahoogrupos.com.br MG 05034 JP
Projeto Gráfico: Míriam Barreto
Produção deste informativo: Impressão: Gráfica Lê
Fato Comunicação Tiragem: 2.500 exemplares
Fotolito: Image

Construir um Futuro para a Profissão 2000

 Memória  Comentários desativados em Construir um Futuro para a Profissão 2000
nov 112000
 

Esse material foi produzido em 2000. Pretendia divulgar o movimento e chamar para convenção que se realizou durante a I Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, São Paulo, outubro de 2000.

Futuro
O futuro que queremos construir

SE MUITO VALE O QUE
FOI FEITO
MAIS VALE O
QUE SERÁ

Milton Nascimento

Pensar o futuro, como projeto, é uma tarefa que exige a mistura, na medida certa, de realidade e de sonhos, de possibilidades e impossibilidades, de necessidades e urgências. Isto faz dela, uma tarefa difícil. Mas é preciso ousar na resposta a pergunta: que Psicologia queremos?

Queremos uma Psicologia a serviço da população brasileira: queremos romper com a tradição de uma profissão elitista, para construir uma Psicologia comprometida com as demandas de um país pobre e campeão de desigualdades sociais. Nossa ciência e nossa profissão podem contribuir muito para a construção de condições dignas de vida. É isto que precisamos ter como projeto. Nossa profissão ficou durante muitos anos reservada a pessoas que, com alto poder aquisitivo, podiam comprar nosso serviço. Não queremos ter uma profissão restrita a alguns. Sabemos da Importância de nosso trabalho e queremos que muitos possam ter acesso a ele.

Queremos uma psicologia que fale do homem e da vida vivida por ele. Precisamos superar visões que enclausuraram o psicológico no homem e o tomaram como algo íntimo, sem conexão ou relação direta com a realidade social. É preciso construir saberes que, ao falarem do homem e de seu mundo psicológico, falem do mundo social. Precisamos desenvolver visões mais abrangentes do fenômeno, para que possamos ampliar nossa Intervenção na sociedade, É preciso que tenhamos uma profissão capaz de responder às necessidades sociais, senão corremos o risco de não termos espaço e nem mesmo demanda social para ela.

Queremos uma Psicologia que seja capaz de reunir os psicólogos na busca pelas respostas para as necessidades da população brasileira, respeitando a diversidade teórica que nos caracteriza. Apresentar esta diversidade é uma qualidade de nossa ciência e de nossa profissão, mas exige que busquemos a unidade no esforço de responder às demandas da sociedade.

Queremos uma categoria de psicólogos organizada em torno de suas entidades, construindo coletivamente projetos. O futuro da Psicologia não deve ser tarefa para alguns iluminados; deve ser um trabalho coletivo, de muitos, e para isto é preciso que sejam construídos espaços que tornem possível o debate e a construção coletiva. Por isto ê preciso que sejam fortalecidas as várias entidades que já possuímos.

Queremos uma Psicologia que, tomando o passado como sua referência, se insira na sociedade e, de modo comprometido, supere o passado e inaugure o presente, construindo-o com multas mãos e idéias, guiada pela certeza de que devemos colocar sempre nossa profissão e nossa ciência a serviço da transformação de nossa sociedade.

Identidade
7 pontos básicos para uma definição da nossa identidade.

I O futuro da Psicologia brasileira nos diz respeito e nos interessa muito. Nos, psicólogos, professores e estudantes, devemos buscar intervir na sua construção, segundo um projeto que expresse democraticamente a nossa vontade, organizada institucionalmente, através das entidades, grupos e movimentos. O futuro da Psicologia não pode ficar à mercê dos interesses do comércio da educação, ou dos burocratas ministeriais e muito menos das posturas coorporativistas ou elitistas de certos grupos profissionais,

II A fragilidade institucional das nossas entidades precisa ser superada. Ela é incompatível com as dimensões e Importância social, assumidas pela Psicologia brasileira. As nossas entidades precisam ser multiplicadas, fortalecidas e apoiadas, O pressuposto do seu fortalecimento é a sua identidade com os interesses dos psicólogos e os da sociedade brasileira. O trabalho conjunto entre as entidades, o apoio recíproco, a ausência de competições em torno de objetivos comuns, deve ser uma regra operativa do trabalho interinstitucional. Construir lideranças significa romper com todo o personalismo e instaurar processos coletivos de trabalho e decisão.

III. A fragmentação da Psicologia não deve nos intimidar. Devemos, enquanto entidades, trabalhar com essa diversidade que nos constituí enquanto campo, sem preconceitos e de forma dialogante. Isso não significa abrir mão da busca do estabelecimento dos consensos mínimos sobre a nossa ciência e profissão, sempre através de mecanismos participativos e abertos, Não devemos recuar diante da necessidade do estabelecimento de regras ou normas de funcionamento profissional, tendo em mente que eles sempre refletem uma provlsorledade, mas balizam as nossas expectativas, e da comunidade. Assim, nada do que é Psicologia nos é estranho enquanto Interesse.

IV. Cuidar significa “tomar a seu cargo”. Cuidar é o oposto a negligência, a displicência, “Cuidar da profissão’, significa estabelecer uma relação de “encarregados” de todos os interesses profissionais, dos maiores aos menores. Isso significa trabalhar estrategicamente, desenvolvendo a percepção das necessidades e das prioridades profissionais. Cada ação institucional deve ser analisada por esse crivo antes de ser Implementada. A principal fonte de recursos para resolvermos os problemas da nossa profissão está dada, na riqueza e na pluralidade de pessoas e grupos que a constituem. Hoje a Psicologia brasileira já é detentora de uma competência no seu interior que pode e precisa ser mobilizada para o avanço coletivo da profissão. 0 papel de nossas entidades é catallzar esta potência e fazê-la reverte a favor dos interesses sociais maiores.

V. A gestão dos recursos institucionais é coisa sagrada, A honestidade, a transparência, a probidade e a parcimônia devem constituir-se em elementos políticos de primeira grandeza, nas nossas gestões. Os princípios da finalidade, da impessoalidade, da economia são balizadores no trato da coisa publica. A vigilância e o cuidado com o patrimônio institucional é responsabilidade política dos dirigentes e dos seus colaboradores.

VI. Democracia é democracia e não comporta adjetivos. Ela deve se expressar em todas as dimensões internas e externas, nas nossas gestões. E preciso garantir a ampla difusão das informações que são necessárias à participação no interior dá nossas entidades. É preciso garantir espaços de expressão e posicionamento, sobretudo para o pensamento que nos é critico e divergente. Os órgãos de nossas entidades não podem ser utilizados como tribunas particulares dos que estão nas suas direções. E preciso garantir o direito à participação nos temas de interesse geral através de assembléias, fóruns e congressos. Nós defenderemos sempre a democracia direta, àquela que implica a possibilidade da presença física dos sujeitos políticos, no debate público e a sua mobilização. Nós acreditamos que a organização coletiva sempre produz pensamentos mais adequados do que qualquer grupo de “iluminados”. É preciso romper com todos os resquícios do “patrimonialismo”, que significa gerir de acordo com os interesses dos grupos particulares, das personalidades ou dos “apadrinhados”. A isonomia de oportunidades para que todos os interesses se expressem, é o pressuposto básico para uma gestão democrática.

VII 0 futuro da Psicologia brasileira passa pela sua capacidade de se fazer útil à maioria da população brasileira. Não existe contradição entre “Cuidar da Profissão” e o desenvolvimento de uma luta em prol de uma sociedade justa e democrática, da luta em prol dos Direitos humanos, da construção de uma Psicologia que tenha compromisso social, Não existe contradição entre o desenvolvimentos técnicos científico da Psicologia e a prática eticamente responsável com os nossos problemas nacionais. As nossas identidades, no plano internacional, devem valorizar preferencialmente as aproximações com as produções criticam dos países latino-americanos, com os quais guardamos identidades na condição de paises periféricos, avassalados pelo neoliberalismo oportunista.

PS – Por uma questão de estilo : Queremos amadurecer geracionalmente como Psicólogos, nos orgulhando da profissão que escolhemos, valorizando a sua história .acumulando conhecimentos e experiências, mas conservando um sabor de juventude na nossa forma de ser e de agir. A alegria, o humor e a paixão devem ser sempre, os antídoto contra os formalismos, contra a sisudez, contra a política convertida em fardo e dor. E assim que acreditamos que seja o Cuidar da Profissão !

Política
Psicologia e Política

O que você prefere: Psicologia ou Política? Há quem diga que não faz política, só faz psicologia, Nessa caso, os demais são apontados como quem só faz política e não psicologia. É dito que os interessados em política engendram uma partldarizaçao da psicologia.
Nós fazemos psicologia e fazemos política. Nossa psicologia deixa claro a que políticas quer atender. Nossa política é produzir uma psicologia forte e capaz de atender as necessidades do povo brasileiro e latino-americano.

Na verdade, todos estamos fazendo política. Por exemplo, quando alguém propõe uma diretriz curricular que foge do que foi estabelecido por centenas de profissionais e entidades representativas, está fazendo política. Quando a diretriz proposta se aproxima dos postulados de FHC e do Banco Mundial, a perspectiva dessa política é mais evidente.

Nossa política é fazer política as claras, a luz do dia, de forma pública. Com critérios que possam ser explicados em voz alta e sem eufemismos.

Nossa política é fazer psicologia. Uma psicologia que tenha seus olhos voltados para toda a população brasileira. Se possível, que dê alguma ênfase às maiorias sempre esquecidas peio estado brasileiro.
Nossa política é fazer uma política que explicite os projetos que estão em jogo para o seu desenvolvimento. Chega de pensar a evolução da psicóloga como algo casual ou espontâneo. Vamos discutir esses projetos e construir um que dê conta de nossas contradições e de nossa criatividade.

Nossa política é apostar no novo, no que está porvir. A ditadura do pensamento único e do fim da história vai acabar. Os povos latino-americanos já começaram a derrubar os governos neoliberais. Nos países ricos os protestos contra a Organização Mundial do Comércio, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial não param de ganhar manchetes.

Enfim nossa política é tomar partido. Tomar partido ao lado de tantos psicólogos que reinventam a psicologia no seu dia a dia, mas não têm espaço para divulgá-la e torná-la reconhecida. Tomar partido ao lado do povo brasileiro.
Nossa política é de convidar todos os psicólogos para conjugarem o verbo flor.

Verbo Flor
O verbo é conjugável em quase todas as pessoas
Em certos tempo definidos, a saber
Quase nunca no outono
No inverno quase não,
Quase sempre no verão
E de,ais na primavera,
Que no coração poderá durar
E ser eterna,
Se o coração conjugar:
Quando eu flor, quando tu flores
Você flor e ele flor
Quando nós,
Quando todo mundo flor.

Renato Rocha

Esta é uma publicação de responsabilidade do Movimento Nacional” Para cuidar da profissão”, pago com recursos próprios de seus membros, integrado por muitos Psicólogos, que hoje participam da direção do Conselho Federal de Psicologia e de vários conselhos regionais.
Os textos aqui apresentados expressam a contribuição do coletivo que hoje responde pela direção do Conselho Federal de Psicologia.
Arte: Sandra Cardoso Lopes Impressão e fotolito: Cromograf 47 3551393 Blumenau – SC tiragem: 5 mil exemplares.