danielcj

mar 022010
 

Histórico:

Ana Bock inicia a reunião recuperando aspectos da história da formação do CUIDAR DA PROFISSÂO, apresentando um dos primeiros registros impressos com os princípios desse grupo e contando com a contribuição, a partir de relatos, de muitos dos presentes:

· Em 1989, é realizado, em Brasília, o CONUP (Congresso Unificado de Psicologia), que deu origem aos CNPs (Congressos Nacionais de Psicologia). O CONUP foi um marco de reestruturação das entidades, com a discussão de um programa de democratização que dava outras diretrizes às entidades.

· Em 1996 ocorre a primeira reunião do Cuidar, realizada na PUC-SP, com um grupo de pessoas de diversas regiões do Brasil. Já havia pessoas desse grupo que tinham participado de Conselhos Regionais e de outras Entidades, mas era preciso organizar o trabalho. O objetivo era criar um movimento que organizasse a intervenção nas entidades, já que a avaliação era de que as mesmas haviam crescido, mas com uma cultura muito voltada para si mesmas, sendo poucas as intervenções sobre a categoria e a profissão, em específico, e sobre a sociedade, em geral. As entidades eram vistas como estratégicas para o desenvolvimento de um novo projeto para a Psicologia brasileira: o projeto do compromisso social.

· Em 1996, a fim de que o processo eleitoral pudesse acontecer em todos os CRs e CFP ao mesmo tempo, houve uma eleição que constituiu um mandato de transição (mandato tampão) com duração de um ano. Foi a primeira vez que o CUIDAR ganhou uma eleição, constituindo chapa para o CFP. Na carta programática, constavam pontos que buscavam romper com o trabalho voltado, prioritariamente, para aspectos internos às entidades: 1º- Democratização das entidades; 2º- Desenvolvimento de uma postura contra o corporativismo, pensando o lugar social da Psicologia de modo a evitar concepções estreitas, fechadas no corporativismo; 3º- Discussão dos rumos da profissão, desenvolvendo um projeto com Compromisso Social; 4º – Fortalecimento da organização da Psicologia brasileira (apoio a entidades, criação do FENPB); 5º – Gestão democrática, transparente e rigorosa das entidades; 6º- Trabalhar para produzir referências técnicas e éticas para o exercício profissional; 7º Criar mecanismos para fazer circular as referências em todo o Brasil.

Naquele momento, havia apenas 3 CRs mais ligados ao CUIDAR. Na reunião do Fórum de Entidades constituído no âmbito do CFP, onde se daria a posse da nova plenária, houve tentativa de impedimento, pois se alegava problemas durante o processo eleitoral. O grupo eleito impetrou o mandato de segurança. Empossada a nova plenária, as dificuldades eram muitas na medida em que as gestões da maior parte dos CRs era contrária às posições defendidas. Diante das muitas dificuldades na gestão, o grupo entendeu que era fundamental ampliar a participação do CUIDAR nos CRs. Na eleição de 1998, muitos CRs apresentaram chapas do CUIDAR em suas eleições e houve vitória na maioria deles. Essa nova condição permitiu que o trabalho fosse desencadeado com maior apoio o que resultou em grande visibilidade aos princípios e ao novo projeto defendido. A criação do FENPB, a realização da I Mostra de Práticas em Psicologia, a constituição da Comissão Nacional de DH e comissões em todos os CRs, a aprovação de resoluções importantes e ousadas no campo profissional, a criação da câmara de avaliação psicológica, o congresso brasileiro Psicologia: Ciência e Profissão, o congresso Norte Nordeste, são algumas das ações empreendidas no Brasil a partir do projeto do cuidar.

A partir do histórico, os princípios foram discutidos e atualizados, resultando em uma ratificação das Bases Programáticas do CUIDAR:

· Democratização das Entidades – criação e ampliação de espaços democráticos para que haja construção coletiva dos rumos da profissão. Explicitar e fortalecer sempre o método de construção democrático. Ex: CNPs, Fóruns de discussão diversos, tais como os Anos Temáticos no Sistema Conselhos. (Exemplos: Ano da educação, Ano da Psicoterapia). Essa democratização implica, necessariamente, a abertura das entidades para a participação dos psicólogos; possibilidade de discussão, por parte dos psicólogos, de temas emergentes, sobre os quais as entidades ainda não têm acúmulo e/ou posicionamento definido; e um diálogo mais profícuo com os movimentos sociais.

Manutenção do respeito à diversidade no próprio grupo, garantindo que, a partir da construção de diretrizes comuns e da consciência a respeito da história deste grupo, diferentes vozes e posicionamentos possam ser considerados.

Construir as tomadas de posição por consenso, procurando não romper as relações, não trabalhar a partir de oposições. A idéia é ampliar participações diretas, atentando às mudanças históricas que, às vezes, implicam em trabalharmos com outras estratégias de participação, com outras linguagens, etc.

· Postura contrária ao corporativismo – atender ao objetivo de institucionalizar a Psicologia, garantindo autonomia e representatividade, posto que não pode caber apenas a um grupo de pessoas dizer o que é a Psicologia. O reconhecimento de que somos uma corporação deve implicar a atenção ao não corporativismo. Algumas situações exemplares dessa tensão apresentam-se nos embates com a Administração (cerceamento da atuação dos psicólogos) e com a Medicina (Ato Médico – submissão de outras categorias profissionais). Diante dessas situações, é preciso que nos posicionemos, afirmemos a especificidade da contribuição da Psicologia, sem entrarmos em uma disputa corporativista.

· Compromisso Social – entendimento de que a finalidade do movimento é a transformação social, no sentido da garantia dos direitos humanos, da solidariedade e da participação social. Nesse sentido, aprofundar a discussão, atualizar as diretrizes e sempre tomar posição em relação ao que deve ser o Projeto do Compromisso Social da Psicologia.

· Organização da Psicologia – Gestão aberta, ética, participativa, rigorosa no que tange aos aspectos administrativo-financeiros, entendendo que as entidades devem ser instrumentos de circulação de saberes. O CUIDAR não se restringe à gestão dos Conselhos, é fundamental o reconhecimento de outros grupos, de outros espaços da Psicologia. A partir desse reconhecimento da diversidade, a idéia é auxiliar outras entidades a se organizarem, posto que, assim, delimitam-se âmbitos de ação e atribuições (apoiar a criação e fortalecimento de Associações, Sociedades, etc.). Ampliação da relação com outros países da América Latina, por meio da ULAPSI. Ainda é importante auxiliar na diferenciação dos âmbitos de ação concernentes ao Sindicato e ao Sistema Conselhos.

· Construção e organização de Referências Técnicas para a Profissão – continuar o processo de acompanhamento das questões do exercício profissional, garantindo o aprimoramento dos pactos pela qualidade técnica, produzindo e renovando as referências para a atuação (explo.: CREPOP). Também garantir o acesso, aos psicólogos àquilo que é realizado em todo o país (BVS, CREPOP, Mostras, Congresso Ciência e Profissão, etc.).

· Gestão Rigorosa das entidades – importante princípio que garante o uso dos recursos das entidades de forma transparente e rigorosa com respeito absoluto ao conjunto da categoria que contribui compulsoriamente para a manutenção e desenvolvimento das atividades das entidades. É preciso atenção permanente à função prevista para a entidade, cumprindo-se com competência o que lhe cabe.

Ratificados os princípios do Cuidar da Profissão, foram apontados alguns desafios presentes na conjuntura atual:

· Em relação à institucionalização da Psicologia: alcançamos um patamar de reconhecimento? O que mais é preciso fazer, cuidando para não cairmos no corporativismo?

· Importância de reconhecermos a amplitude da Psicologia. Há áreas da Psicologia que não se aproximam das entidades e que precisam ser consolidadas. Precisamos criar condições para que possam reconhecer as entidades da Psicologia como espaços de expressão, organização e colaboração. Precisamos ainda explicitar nosso posicionamento em relação a algumas temáticas (ex.: psicoterapia, trabalho, entre outras).

· Nossas estratégias de comunicação têm que ser repensadas, a fim de que os posicionamentos, as ações e a chamada à participação cheguem mais aos psicólogos formados e àqueles que ainda estão em formação, inclusive por meio das entidades estudantis. Devemos pensar também em como contribuir para que as discussões que, hoje, fazemos, cheguem à Academia, passando a fazer parte do processo de formação do psicólogo.

· Reconhecer que nosso trabalho tem, essencialmente, um caráter militante, de chamamento à participação. Os espaços das entidades e movimentos de que participamos devem ser compreendidos como espaços de militância, o que requer atenção constante aos princípios do Cuidar, garantia da discussão e debate aberto, respeito à diversidade, relações democráticas, juntamente com posicionamentos que levem a ratificar conquistas e avançar.

· As atividades nas entidades e o posicionamento de muitos dos membros do cuidar resultaram em uma expansão e divulgação dos princípios norteadores das ações para outros espaços. Uma questão importante se coloca: é o momento de o CUIDAR ocupar outros espaços, para além da Psicologia?

· Necessidade de agilizarmos mais nossas reações diante de discussões que exigem maior velocidade de resposta social, porque, muitas vezes, perdemos a chance de realizar interlocuções e intervenções que são fundamentais.

· É fundamental considerarmos que a ampliação e fortalecimento de posições progressistas em nossa sociedade, dada a conjuntura favorável, resulta também na organização de movimentos contrários a essas posições. Basta que observemos as discussões relativas aos Direitos Humanos, às questões da homossexualidade e da mídia. Da mesma maneira, a realidade do mundo do trabalho deve ser considerada em nossas ações. É somente a partir da consideração da atual política que podemos construir nossas estratégias de enfrentamento.

· Aprofundar o debate da relação com o Estado, incluindo a discussão das políticas públicas e dos diferentes projetos para o Estado que se apresentam na atual conjuntura política.

· Quanto ao CNP – a) necessidade de traçarmos estratégias de consolidação das discussões relativas à profissão e à produção de referências técnicas; b) abordar a questão da interdisciplinaridade; c) necessidade de divulgarmos mais para a categoria quais são nossas posições e nosso método de trabalho.

· Se, em um determinado momento, foi importante realizarmos marcações de caráter mais ideológico, hoje, é importante que aprofundemos a construção de referências para o trabalho, de maneira democrática, participativa e que considere a diversidade do campo. Ao mesmo tempo, reconhecer que os princípios do Cuidar, em que pese o respeito à diversidade e a busca do consenso, implicam posicionamentos claros e escolha de rumos para a profissão e a sociedade.

· Devemos estar atentos constantemente ao método utilizado para construir a política: estamos conseguindo ampliar participação? Temos conseguido compartilhar nossos avanços com toda a categoria? Não é preciso capilarizar o trabalho ainda mais? Devemos investir na interiorização das ações políticas, na descentralização que fortaleça diferentes pólos de organização, criando estratégias variadas de condução da política. Ao mesmo tempo, devemos cuidar para que essa ampliação e essa descentralização não signifiquem fragmentação. Ampliamos nossa participação em entidades da Psicologia, o que nos dá, então, a possibilidade de investir em lutas unificadas, de caráter nacional. A perspectiva de um projeto nacional para a Psicologia deve ser sempre a diretriz a guiar tais iniciativas.

· Nosso funcionamento precisa ser repensado, posto que derivamos de uma legislação que está marcada pelo caráter de controle e não é nessa lógica que queremos funcionar. Além disso, é preciso considerar a ampliação numérica da categoria, a diversidade do campo e o caráter de compromisso social que orienta nossas ações.

· Necessidade de se avaliar os pontos de tensão na gestão do Cuidar, além de contribuirmos na avaliação da postura democrática das Entidades.

· Necessidade da formação política, sem ser doutrinária, dos militantes da gestão do Cuidar.

· Necessidade de se pensar estratégias para o caminhar do movimento “Cuidar da Profissão”. A Convenção vem em uma boa hora.

Síntese produzida na reunião:

· Pergunta que devemos considerar: qual o papel a que estamos nos dispondo como gestores?

· Temos clareza de que o CUIDAR não está relacionado apenas ao Sistema Conselhos, mas à gestão das entidades da Psicologia;

· Nossa atenção não está apenas nos novos temas ou nos antigos temas da Psicologia, mas na diversidade da área;

· Precisamos superar a exclusividade do discurso, construindo referências para a formação e para o exercício profissional;

· Há uma tensão entre aquilo que se pensa individualmente e aquilo que é construído coletivamente nas entidades. É importante considerarmos que o processo de construção dos posicionamentos coletivos parte de posições individuais que no diálogo, no confronto e no embate resultam em posições coletivas que devem ser orientadoras das intervenções dos membros do cuidar. O projeto do CUIDAR é um projeto coletivo que contem, mas supera, posições individuais. Assim, o posicionamento da entidade não é produto de um discurso único e que despreza a realidade, mas fruto de um trajeto amplo, que considera os tensionamentos, a diversidade e que, então, é capaz de ser traduzido em uma política. A maneira como lidamos com esse tensionamento é o método democrático, a partir da busca de construção de consensos.

· Nossa meta: produzir a institucionalização da Psicologia no Brasil, ampliando nossa capacidade de intervenção, respondendo ás demandas sociais;

· Existe a necessidade de apresentarmos aos setores públicos aquilo que fazemos, as posições que consolidamos; é preciso dar maior visibilidade às construções que as entidades da Psicologia vem fazendo de forma conjunta, para que possa alcançar as universidades, a categoria como um todo, os gestores públicos e a sociedade de maneira geral.

· No percurso do trabalho do compromisso social um aspecto importante é a produção de uma Psicologia na América Latina. Devemos ampliar nossas intervenções que podem contribuir para circulação da Psicologia Latino-Americana na América Latina.

· CUIDAR DA PROFISSÂO tem os seguintes âmbitos de atuação: profissão; sociedade e movimentos sociais; Estado. É essencial uma análise do Estado e da atual conjuntura para que entendamos as atuais demandas e pensemos em formas de intervenção, já que nossas iniciativas ainda são incipientes.

· Algumas questões de princípio: método democrático, com maior representatividade, trabalho por consenso e incentivo à ampla participação; não corporativismo; rigor administrativo; compromisso social, garantindo que, a partir das diretrizes construídas coletivamente, possa-se realizar um trabalho que garanta a abertura para a diversidade do campo, bem como atenção a temas comuns que gerem ações unificadas para o fortalecimento do projeto do compromisso social. O CUIDAR deve ter a clareza de que o gestor é responsável por manter este processo.

Representantes para a Convenção do CUIDAR em 06 de março:

· Este coletivo entende que, além do grupo fundador, o grupo organizador deve ter assento garantido na Convenção. Assim, faremos essa consulta pela lista nacional de emails.

· Os membros da FENAPSI e do SinPsi aqui presentes não são elegíveis, pois 5 membros desse segmento terão assento garantido.

· Caso nossa proposta seja acatada, André Isnardi, Elisa Rosa e Graça Marchina não fazem parte das pessoas elegíveis aqui presentes, porque terão sua participação garantida. Assim, por consenso, entendemos que nossos representantes serão: Ermínia Ciliberti, Marilene Proença e Roberta Azzi.

· Caso nossa proposta não seja acatada nossos representantes serão: Graça Marchina, Marilene Proença e Roberta Azzi.

Obs. Foi acordado que as relatoras apresentarão o documento para a lista de email dos presentes, a fim de que sua redação seja finalizada, após o que o documento será enviado à lista do CUIDAR para ciência de todos.

ago 312007
 

Parabéns a todos nós, os agradecimentos a todos que se envolveram no processo desde o Congresso Regional e aproveito para informar que a posse precisa ser realizada regimentalmente até 30 dias da data de eleição. Portanto será no dia 26 de setembro às 19h30 na Sede do CRP-06. Os demais detalhes estão sendo combinados com a diretoria e com a área de eventos e gerência.

Marilene

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