fev 092004
 

1) Retomamos a história do Movimento Pra Cuidar da Profissão;
2) Reafirmamos os princípios básicos que têm norteado nossas gestões a frente das entidades.
. método democrático de gerir a entidade;
. rigor com as finanças;
. respeitar e cumprir a finalidade da entidade;
. compreensão de que o avanço se faz com o coletivo, criando espaços para o debate das diferenças; ou seja, trabalhar com a diversidade que constitui a Psicologia sem preconceitos e secatrismos, de forma dialogante;
. buscar a união entre as entidades para o debate sobre o futuro da Psicologia e atuar conjunta e parceiramente no que for consensual;
tornar vivível nosso projeto de sociedade e de futuro para a Psicologia.
3) Nos apresentamos. Éramos de São Paulo, de Santo André, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, Taubat, São Carlos.
4) Discutimos nossas tarefas: contribuição financeira, formas de comunicação, teses para o CNP, plataforma e chapa e nossa organização..
. contribuição financeira: a Elisa enviará e-mail pela lista, dando número da conta bancária e quem preferir poderá depositar a contribuição (referência 30,00);
. nossa comunicação deverá se dar por este canal. Solicitamos aos companheiros que abram com frequência suas mensagens.

O Oliver também está organizando um espaço no site para o cuidar em São Paulo. Receberemos instruções. PEDIMOS A TODOS QUE SE CADASTREM NO SITE!!!!

. Teses para V CNP: organizamos grupinhos de trabalho para elaborarem as primeiras teses. O tema do Congresso deve ser nossa diretriz: Protagonismo Social da Psicologia- as urgências brasileiras e a construção de respostas da psicologia às necessidades sociais. Os grupos têm sub-temas de referências:
a) políticas públicas: Rogério, Fernanda e Mariângela
b) Direitos Humanos: Mafoane, Fernanda e Ana Teresa
c) Exercício Profissional: Patricia, Elisa, Inez e Oliver;
d) Formação: Ana Teresa, Oliver, Eduardo e Mafoane;
e) Organização dos Psicólogos: Ana Bock e Graça.
Na próxima reunião, os GTs deverão trazer as contribuições.
. Chapa: foi indicado que a chapa, composta por 30 nomes, tenha 8 que sejam de cada cidade que possui sub-sede do CRP. Deveremos debater a organização dos psicólogos no interior (sub-sedes), pois entendemos que, após cada reunião em SP o interior deveria realizar a sua reunião do cuidar.
. Plataforma: não avançamos no discussão, apenas apontamos como um tema para debate: a política de participação/ funcionamento cotidiano do CRP; outro ponto importante é a questão do corporativismo: o desafio de lidar com as questões dos psicólogos como corporação.
PRÓXIMA REUNIÃO 13 DE MARÇO ÀS 15 HORAS NA SEDE DO CRP.
. Segue material enviado anteriormente com sugestões de pontos para teses para V CNP
1. o CFP deve intensificar negociações com o Governo a respeito dos limites da profissão
2. divulgar a dimensão subjetiva da realidade
3. engajamento político dos psicólogos
4. tornar visível a psicologia que responde a demandas e urgências brasileiras
5. fortalecer o vínculo Psicologia e DH
6. fortalecer a participação dos psicólogos em órgãos de controle social
7. interferir na definição de políticas públicas
8. trabalhar para resgatar e fortalecer o reconhecimento social dos instrumentos e práticas da Psicologia
9. trabalhar na demarcação da profissão: psicoterapia
10. Apoiar e fortalecer o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia
11. Apoiar e fortalecer a ULAPSI

Ana Bock
06/02/2004

Documento Geral 2004

 Memória  Comentários desativados em Documento Geral 2004
jan 112004
 

DOCUMENTO GERAL

 

PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

 

 

         O Movimento “Para Cuidar da Profissão” se instalou em 1996, quando se articulou para as eleições para o Conselho Federal de Psicologia. Fomos vitoriosos nas eleições e ocupamos a direção nas gestões 97/98, 98/2001 e 2001/2004. Nestes 8 anos nossos objetivos continuam sendo os mesmos: contribuir para que os psicólogos possam se estabelecer, na sociedade brasileira, como um grupo profissional.

 

            A categoria não teve tempo histórico para se institucionalizar e para se organizar. São apenas 42 anos de uma categoria profissional que se viu regulamentada pela Lei 4119, com poucos psicólogos em sua base e sem ainda espaços significativos no mercado de trabalho. Os psicólogos não tiveram tempo e condições de produzirem uma voz coletiva. A precariedade da organização dos psicólogos é uma herança que devemos considerar, quando construímos nossos projetos de futuro para a Psicologia no Brasil.

 

            Assim, cuidar da profissão é sinônimo de organizar institucionalmente os psicólogos. Cuidar da profissão é estimular e criar condições para que a categoria se auto-organize, podendo então criar uma voz coletiva e se expressar socialmente.

 

            Somos, hoje, 125 mil psicólogos em condições de atuar na profissão. Brevemente seremos o dobro, pois temos hoje 496 cursos de Psicologia. Somos, portanto, um número expressivo de profissionais que deve buscar traduzir a sua quantidade em qualidade. Melhorar a qualidade implica e exige ORGANIZAÇÃO. A organização permite envidar esforços de legitimação do que é produzido a partir dessa organização, fortalecendo o lugar social dos psicólogos.

 

            Cuidar da profissão significa trabalhar nos Conselhos de Psicologia fazendo deles espaço de articulação e organização dos psicólogos. Não se busca encher o Conselho de profissionais, pois isto pode não significar organização. Esta implica na produção de um discurso coletivo; implica na construção de projetos para o futuro da Psicologia no Brasil. Organizar exige a presença da diversidade. Cuidar da profissão significa organizar institucionalmente a representação da diversidade da Psicologia.

 

            A Psicologia é diversa e os Conselhos devem expressar essa pluralidade. Não se pode negligenciar nenhuma área da Psicologia. Os Conselhos são órgãos de orientação, fiscalização e regulamentação da profissão, por isso não podem, em seu trabalho de ORGANIZAR, deixar de lado nenhuma contribuição da Psicologia. Tudo que se refere à Psicologia é de interesse do Conselho; nada deve ser considerado estranho ou deixado de lado.

 

            É preciso garimpar os sujeitos e oferecer as condições de trabalho para que venham sistematizar seus pensamentos e ir produzindo o discurso coletivo que buscamos e necessitamos, como instrumento de fortalecimento da institucionalização da Psicologia na sociedade.

 

            As direções que ocupam os Conselhos não podem evocar para si a tarefa de falar e expressar toda a Psicologia. Não podem ser expressão da diversidade. Pensar a atuação nos Conselhos de forma ética e representativa, exige que consideremos esta questão como central. Nosso trabalho é garimpar as riquezas da profissão que possam constituir as vozes coletivas e organizadas que buscamos. É a serviço desta meta que devemos colocar os Conselhos.

 

            Temos, como Movimento do Cuidar da Profissão, sabido destacar, em nosso trabalho, os aspectos político-sociais importantes para os quais a Psicologia deve estar atenta ao construir sua contribuição profissional. No entanto, estes aspectos não podem ocupar todo o cenário. É preciso estar atento para os demais aspectos. São temas que se referem às fragilidades do exercício profissional; são carências e competências represadas que precisam de nossa atenção. Os Conselhos precisam saber escutar,  nas perguntas dos psicólogos, em cada processo ético, nas denúncias, nos debates e eventos, nas queixas e críticas apresentadas, as diferentes temáticas e necessidades da profissão, para então produzir democraticamente as respostas e fazê-las circular.

 

            É preciso que esta diversidade da Psicologia seja organizada. Esta é nossa proposta como Movimento do Cuidar da Profissão. Unir a diversidade da Psicologia na construção de seu futuro. Um futuro que queremos que seja caracterizado pelo compromisso com as necessidades da sociedade brasileira. Um futuro que permita o acesso à Psicologia a quem dela precise.

 

            Esta tarefa nos coloca mais uma exigência programática: nos relacionarmos com o Estado brasileiro para buscar garantir esse futuro que queremos. Nenhuma profissão, em seu processo de institucionalização, pode prescindir de um relacionamento com o Estado. É preciso que nos coloquemos como diplomatas nesta tarefa.

 

            Hoje, uma das questões mais radicais para os psicólogos é a empregabilidade da categoria. Somos vítimas do desemprego estrutural que atinge 25% dos psicólogos em condições de atuarem na profissão. Os Conselhos devem ter uma posição ativa para lidar com esta questão.

 

            O Banco Social de Serviços em Psicologia já é uma iniciativa nesta direção, pois colocou os Conselhos como interlocutores com o Estado na construção de políticas públicas. Deve-se destacar que permitiu ainda que os Conselhos dialogassem com o Estado de forma a superar perspectivas corporativas.

 

            Na história de nossa profissão, os modos de relação com o Estado evoluíram. Inicialmente, estes relacionamentos eram pessoais com os governantes e se caracterizavam por uma intimidade com o poder, permitindo que, apesar de frágeis e pouco organizados, os psicólogos tivessem uma Lei que regulamentasse sua profissão e em seguida uma Lei que criasse seus Conselhos Profissionais. Evoluímos então para a aliança com Movimento Sociais, passando a atuações reivindicativas e políticas. Agora, devemos ser capazes de completar essa nova etapa com posições ativas necessárias ao fortalecimento da institucionalização da Psicologia.

 

            Os Conselhos, como diplomatas da profissão, devem interpelar o Estado, objetivamente, sobre  a ausência da Psicologia em certos espaços nos quais foram desenvolvidas competências sem que fossem traduzidas em ações profissionais inseridas no mercado de trabalho. Produzimos discursos importantes que devem ser materializados em ações profissionais. E queremos fazer isto, mas não encontramos o espaço social necessário. O desafio colocado para esta tarefa é podermos lutar por este espaço sem que estejamos reivindicando qualquer privilégio. O papel dos Conselhos é ajudar os psicólogos a se constituírem como categoria profissional sem recorrerem ao corporativismo. Assim, a luta pela definição de políticas públicas que respondam às necessidades e urgências da sociedade brasileira aparece como a ferramenta principal, na medida em que possuem um interesse universal.

 

            Políticas bem sucedidas dependem de um índice de “eticidade”. Toda política pode ser questionada em algum de seus aspectos, pois elas sempre são resultado de disputa de interesses, sendo inevitável que seu resultado contrarie algum setor. No entanto, se a política não tiver contra ela qualquer questionamento ético, podemos dizer que ela é bem sucedida. Ultrapassar o corporativismo que aparece nas lutas das categorias profissionais é nossa meta. A luta por políticas públicas, universais, é a ferramenta principal para aliar as necessidades de um conjunto profissional que deseja ter espaço no mercado de trabalho a um projeto de sociedade na qual se tenham condições dignas de vida para todos.

 

            Cuidar da profissão é organizar institucionalmente a representação da diversidade da Psicologia para poder produzir o discurso coletivo que reivindica o espaço social adequado para o exercício de nossas competências, espaço este que possibilitará a participação da psicologia, como profissão, na construção de um mundo melhor.

 

 

         Nossos avanços

 

            O Cuidar da Profissão, nestes oito anos de trabalho pode produzir um avanço na direção de seus objetivos. Apontamos abaixo, algumas iniciativas que se constituíram como recursos para essa meta.

  • Instalação de Comissões de Direitos Humanos em todos os Conselhos Regionais e no Conselho Federal;

  • Realização da I Mostra de Práticas em Psicologia;

  • Apoio na construção da ULAPSI- União Latino-americana de Entidades de Psicologia;

  • Iniciativa para a construção da Biblioteca Virtual da Psicologia Brasileira;

  • Apoio e participação no Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira;

  • Participação, com todas as entidades do Fórum, da realização do I Congresso Brasileiro Psicologia Ciência e Profissão;

  • Regulamentação da profissão: resoluções sobre homossexualidade, racismo, testes psicológicos, serviços de psicologia pela Internet, documentos escritos decorrentes de avaliação psicológica, psicoterapia, título e registro de especialista, acupuntura, hipnose, práticas alternativas, pesquisas com seres humanos, residência em Psicologia.

  • Fórum Nacional de Ética para revisão do Código de ética do psicólogo;

  • Banco Social de Serviços em Psicologia.

Minuta de Plataforma 2004

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jan 112004
 

MINUTA

 

 

 

Plataforma para Cuidar da Profissão em São Paulo

 

junho de 2004

 

 

 

O Cuidar da Profissão em São Paulo vem se reapresentar para poder dar continuidade ao trabalho que vem realizando há duas gestões em São Paulo. As necessidades da profissão vão se renovando e o trabalho de transformar o Conselho em um órgão que cuida da profissão ainda não terminou. Cuidar da profissão tem o sentido de desenvolvê-la e oferecer à categoria referências para uma prática profissional ética, tecnicamente qualificada e socialmente comprometida.

 

 

 

Construir referências e delimitar a profissão: é preciso que negociemos com a sociedade e com o Estado os novos limites da Psicologia. Nossa Lei 4119 foi aprovada em 1962. Hoje, a Psicologia se apresenta muito mais vigorosa, ampla e diversificada. É preciso negociar com a sociedade essa nova configuração para que possamos ser reconhecidos e para que se fortaleça a institucionalização de nossa profissão, no Brasil. Em um momento em que as fronteiras e referências das profissões se sobrepõem ou estão diluídas, devemos enfrentar o desafio de trabalhar para demarcar a profissão e para regular práticas sem alimentar sectarismos e corporativismos reducionistas. Demarcar a profissão e regular práticas, como uma de nossas principais metas, deve servir para qualificar a profissão e aumentar nosso compromisso com as demandas da nossa realidade. A Psicoterapia é talvez o campo que melhor exemplifica a necessidade urgente de delimitar práticas.

 

 

 

Valorização da profissão e de seus instrumentos: Todo o trabalho de fortalecimento social da Psicologia exige que se interfira na imagem da profissão e no reconhecimento e aceitação de suas formas de trabalho. Para isso é preciso tomar nas mãos dos psicólogos o trabalho de construir, reconstruir e rever os instrumentos e as formas de trabalho profissional que temos desenvolvido ao longo destes 42 anos de profissão. Ampliar nosso mercado de trabalho e a clientela que faz uso de nossos serviços implica e exige reinvenção permanente. Queremos ter a Psicologia, seus instrumentos e práticas, nas mãos da categoria dos psicólogos. Queremos divulgar nossa profissão na mídia e nos espaços de prestação de serviço, pois queremos que ela esteja ao alcance de quem dela precisar.

 

 

 

Banco Social de Serviços em Psicologia: o Banco deverá durar até 27 de agosto de 2005. Queremos fortalecê-lo até lá, para que possa dar os resultados pretendidos: fortalecimento das políticas públicas, inclusão do psicólogo nas políticas desenvolvidas pelo serviço público, fortalecimento da institucionalização da Psicologia, oportunidade de treino profissional para os psicólogos em políticas sociais e renegociação com a sociedade da configuração de nossa profissão.  São muitos os objetivos do Banco Social e pretendemos que eles se realizem. Por isso, nos comprometemos em fortalecer e apoiar o desenvolvimento do Banco Social em todo Estado de São Paulo e no Brasil.

 

 

 

Contribuir na construção de políticas públicas: o Estado brasileiro, depois de quase 20 anos de políticas neoliberais, precisa ser reconstruído. Trabalhar para a construção de políticas públicas com a presença marcante do Estado é lutar para que os serviços básicos de saúde, educação, saneamento, moradia, assistência social possam ser ampliados e estar, desta forma, ao alcance de todos. Construir políticas públicas é fortalecer a cidadania e melhorar as condições de vida no Brasil. Os psicólogos devem estar neste trabalho e devem colocar a Psicologia a serviço desta transformação. Devemos lutar para que a Psicologia esteja prevista, como um serviço, nas políticas públicas de saúde, educação e outras.

 

 

 

Fazer circular Psicologia: um fator importante para que nosso trabalho seja bom é investir na comunicação de nossas atividades e na circulação da Psicologia em todo Estado de São Paulo. Precisamos melhorar nossa comunicação com a categoria. Aproveitar melhor a Internet, melhorar nosso site, dinamizar o Jornal são algumas das tarefas e responsabilidades que nos colocamos, buscando melhorar a circulação de informação. Além disso, é preciso contribuir para que a Psicologia circule entre os psicólogos. Apoiar a realização de eventos sejam do CRP/CFP ou de outras entidades da Psicologia é, sem dúvida, uma forma de caminhar na direção deste objetivo.

 

 

 

Orientar e fiscalizar o exercício profissional: orientar a categoria, respondendo às dúvidas sobre o exercício profissional e/ou produzindo novas respostas para as novas perguntas que vão surgindo com o desenvolvimento e ampliação social da profissão. Fiscalizar para poder garantir à sociedade seu direito de receber um bom serviço em psicologia.

 

 

 

Apoiar a criação do Núcleo Paulista da ABEP: A Associação Brasileira de Ensino de Psicologia precisa estar forte, para poder contribuir e coordenar a implantação das diretrizes curriculares que foram aprovadas para a Psicologia. O CRP SP deve colaborar na criação e desenvolvimento do Núcleo Paulista da ABEP. Deveremos estar atentos para que as diretrizes possam significar um avanço na formação. Queremos participar ao lado de estudantes, professores e pesquisadores para garantir uma boa formação na área. A proliferação de cursos tem posto em risco a qualidade da formação em Psicologia. O fortalecimento da ABEP deverá significar resistência e ao mesmo tempo oferta de referências de qualidade. O CRPSP quer estar nesta luta!

 

 

 

Direitos Humanos: Queremos continuar lutando pela associação entre a Psicologia e os Direitos Humanos. Esta relação poderá fortalecer a Psicologia como uma prestação de serviço à sociedade que se pauta pela ética e por princípios democráticos. Lutar para que todos tenham uma vida digna, pelo fim da desigualdade e do preconceito é uma forma de garantir boas condições psicológicas para a população brasileira. Associar a Psicologia aos Direitos Humanos é uma forma de fazer avançar nossa profissão na direção de respostas dignas às urgências da sociedade brasileira.

 

 

 

Apoio a Movimentos Sociais: Engajar-se nas lutas de nosso tempo é garantia de que não se está só. É preciso apoiar e participar de movimentos sociais guiados por metas e princípios democráticos. Fortalecimento do SUS, pela escola Pública, pela Democratização da Comunicação, contra a redução da maioridade penal, pelo fortalecimento do ECA, enfim pelas muitas lutas que nossa sociedade vem empreendendo em busca de uma vida digna para todos. O CRPSP quer estar nestas lutas.

 

 

 

Por uma Psicologia Latinoamericana: o fortalecimento da Psicologia como profissão comprometida com as urgências de nosso tempo exige a parceria e a união com a Psicologia e os psicólogos da América Latina. O CRPSP vai apoiar as iniciativas nesta direção. Manter em nosso Jornal uma página sobre a América Latina; manter-se filiado a ULAPSI- União Latinoamericana de Entidades de Psicologia; apoiar o Congresso da ULAPSI em São Paulo, em 2005; realizar debate que permita o diálogo da Psicologia Latinoamericana; e fazer circular informações sobre a Psicologia latinoamericana são iniciativas importantes para atingir nosso objetivo.

 

 

 

Gerir o CRP com seriedade e  transparência: é importante reforçar sempre os princípios de uma gestão honesta, rigorosa e transparente.  A gestão do Conselho é fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União, mas são os princípios de uma gestão rigorosa que devem ser as diretrizes de nosso trabalho. Cuidar do patrimônio; zelar pelo uso dele e de seus recursos são tarefas importantes para nós. Nos comprometemos com essa meta.

Cuidar da profissão – construindo referências para o protagonismo social dos psicólogos – 2003

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nov 112003
 

Esse material que segue compôs um folder que distribuímos em maio de 2003. É, portanto, o último material publicado pelo “Cuidar”. Foi distribuído durante o Congresso Norte Nordeste, Paraíba e chamava a todos para a convenção que se realizou no dia 28 de maio de 2003.

Editorial

Fazer uma análise de conjuntu­ra política nestes tempos é uma verdadeira temeridade. Os parâ­metros de uma análise deste tipo estão fora da ordem. A doutrina Bush de relações internacionais está pautada pelo 11 de setembro. Em busca da segurança interna os americanos colocam todo o plane­ta sob suspeita. Quem não está com eles, está contra eles. Um clima paranóico que leva o gendarme do mundo a ações mili­tares, destruindo qualquer possi­bilidade de acordo internacional e inviabilizando a própria ONU como fórum da diplomacia mundial.

Primeiro foi o Afeganistão, depois o Iraque, agora é Arábia Saudita e já vislumbramos a pres­são sobre Cuba, Irã e Coréia do Norte. Todos incluídos, sintomati­camente, no que é denominado “Eixo do Mal”. A doutrina Bush é fundamentalista! A polarização da guerra fria e a ameaça atômica da segunda metade do século XX foi tomada pela ação terrorista de grupos islâmicos. O temor de uma guerra total dá lugar ao terror de que a estação do metrô possa ex­plodir a qualquer momento. A fal­ta de um imaginário utópico que possa sustentar um campo sim­bólico, permitindo a organização das lutas de transformação social, abre o caminho para a barbárie.

Na América do Sul, tradicional quintal americano, o movimento popular dá mostra de amadureci­mento e consolidação da demo­cracia, coisa rara nesta região. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma grande novidade no cenário internacional e pela primeira vez em nossa história temos um governo brasileiro de cunho democrático e popular.

Rigorosamente, é a primeira vez que a esquerda chega ao poder em nosso país. Trata-se de um movimento que contradiz os caminhos da doutrina Bush e ocorre em um momento que a estratégia capitalista para o período, o consenso de Washington, mostra sinais de debilidade. O acordo neoliberal não foi sufi­ciente para garantir estabilidade econômica para os agora chama­dos países de economia emer­gente.

O povo brasileiro aposta em uma saída à esquerda e como nada é simples assim, até agora o go­verno Lula tem aplicado o mesmo remédio do corte orçamentário, dos juros altos, do pagamento da dívida, do superávit da balança, da inflação baixa, da atração do capital volátil, etc. Busca garantia de governabilidade, construindo maioria no parlamento com méto­dos semelhantes aos do governo FHC. Vivemos atônitos uma ducha de “real politik” que nos impõem o famoso dístico de que os fins são mais importantes que os meios.

Mas é importante notar que esse movimento é compreendido por amplos setores da população como cautela de quem agora sabe tratar com maturidade a condução do país e que irá, gota a gota, reverter a situação social drástica e perversa que vivemos. Os projetos sociais estão sendo delineados e o “Fome Zero” se transforma em um organizador popular. Os dis­positivos que servirão para a cons­trução de uma aliança concreta com possibilidade de reverter a condição de pobreza de 25 mi­lhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria, não se restringem à distribuição de ali­mentos, mas sim à construção de uma rede social de economia solidária.

Sabemos que as mudanças não serão repentinas e nem mesmo rápidas. O governo Lula deverá fazer a transição de um país neoliberal que abandonou as políticas sociais, optou por privatizar os serviços de educação e saúde, não investiu na reforma agrária, fiscal e da previdência, não ousou tocar no setor judiciário, nas penitenciárias e nos hospitais psiquiátricos; que des­cuidou da pesquisa e da produção de tecnologia, enfim um país que se manteve campeão de desigual­dades sociais para um novo Brasil.

São muitas as frentes de inter­venção; são grandes as mudanças necessárias; são poucos os recur­sos e é grande a expectativa da população. Sem desanimar, espe­ramos.
O Movimento Cuidar da Profissão acredita que não deva­mos esperar de braços cruzados. É hora da Psicologia se colocar no cenário nacional de modo mais ousado! O Brasil optou pela mudança e os psicólogos devem colaborar!

Nossos últimos 6 anos

Surgimos da vontade de dar um salto e aproveitamos o espaço dos Conselhos para produzir o diálogo da diversidade da Psicologia. Para con­quistarmos um lugar social para a Psicologia que significasse romper com a tradição de compromisso com as elites brasileiras.

Ocupamos a maior parte dos CRPs e o CFP, trabalhando ininterrupta­mente para alcançar essas metas. Destacamos as formas que o nosso trabalho assumiu:

Resoluções que demarcam a profissão: qualificar o exercício profissional do psicólogo exige esforços de várias naturezas. Qualificar a formação é uma delas; outra é produzir, de forma democrática, referências para o exercício profissional. O Cuidar da Profissão tem tido esta iniciativa por meio dos Conselhos de Psicologia. Foram várias as resoluções: docu­mentos decorrentes de avaliações psicológicas, dos testes psicológicos, dos serviços por internet, da pesquisa com seres humanos, da acupuntura e da hipnose, das práti­cas alternativas, enfim são várias as resoluções que oferecem à categoria dos psicólogos algumas referências nascidas das dificuldades em um exercício profissional qualificado.

Resoluções que defendem os direitos humanos: Duas resoluções serão históricas na Psicologia: a do racismo e da orientação sexual. São resoluções que proíbem os psicólogos de se acumpliciarem com práticas preconceituosas e estigmatizadoras.

Direitos Humanos: temos traba­lhado vinculando a Psicologia à defe­sa dos direitos humanos. Por meio de campanhas, da realização de even­tos, da construção de Comissões de Direitos Humanos em cada Regional e no CFP, da parceria com outras enti­dades e comissões de direitos humanos, na participação em even­tos e movimentos sociais que se põem em defesa dos direitos humanos. Os Conselhos têm se insti­tuído socialmente como órgãos importantes na defesa dos Direitos Humanos.

I Mostra de Práticas em Psicologia: Psicologia e Compromisso Social: talvez a atividade mais emblemática nascida no seio do Cuidar da Profissão. Envolveu todos os Conselhos Regionais e várias enti­dades nacionais brasileiras e da América Latina. Reuniu 15 mil pes­soas em São Paulo e mostrou cerca de 3000 trabalhos que demonstraram o novo compromisso social da Psicologia, vinculada a interesses da maioria da população.

Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira: outra inicia­tiva importante do Cuidar da Profissão para a Psicologia: reunir as entidades nacionais da Psicologia (hoje são 16 entidades) em um espaço de debate e esforço coletivo para resolver as dificuldades da Psicologia, contribuindo para o seu desenvolvimento na direção de uma profissão e uma ciência com compro­misso social. O Fórum desenvolveu atividades necessárias, tais como:

• Construção da ABEP (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia): como o espaço de articulação dos esforços para qualificar a formação;
• Biblioteca Virtual da Psicologia: poucas profissões na América Latina têm uma Biblioteca Virtual. A Psicologia possui uma administrada pelo Fórum de Entidades que faz cir­cular de forma democrática as pro­duções científicas e profissionais no âmbito da Psicologia.
• I Congresso Brasileiro Psicologia Ciência e Profissão: reuniu 8 mil profissionais, professores e estu­dantes de Psicologia na USP, na cidade de São Paulo, no ano passado. Este evento marcou o diálogo entre a ciência e a profissão; diálogo este que se fazia timidamente, em poucos espaços. O trabalho foi disparado, agora resta desenvolvê-lo.
• Campanha Psicologia em Alerta: iniciativa do Fórum de publicar folhetos que caracterizaram alguns problemas enfrentados pela Psicologia e anunciavam a disposição do Fórum em enfrentá-los, convo­cando a todos para esta tarefa.
• Diretrizes Curriculares: o Fórum enfrentou de forma democrática o debate das diretrizes curriculares para a Psicologia e se opôs a toda ini­ciativa que não refletisse a vontade coletiva e os princípios de uma for­mação que unisse profissão e ciência.

Criou projetos de resgate da memória da psicologia: o Cuidar da Profissão cuidou da memória da Psicologia. Fez produzir vídeos com os personagens da história da Psicologia; publicou livros sobre os pioneiros da Psicologia assim como Livros esgotados que são considera­dos históricos.

Sistematizou e fez circular Psicologia: a iniciativa dos INDEX Psi que resultaram na Biblioteca Virtual da Psicologia, possibilitando acesso democrático ás produções da Psicologia.

Instalou um método de trabalho na Psicologia: transparência na política, rigor na gestão financeira e relação parceira com as diferenças, fazendo caminhar a Psicologia com todas as suas diferenças e toda sua diversidade.

Colaborou decisivamente para a construção da ULAPSI: uma política de unificação da psicologia Latino-americana que colabore com formas de reverter o caminho de mão única entre a produção européia e ameri­cana e nos coloque na condição de produtores de conhecimento, for­talecendo nossas entidades e ao mesmo tempo garantindo inde­pendência científica.

Tudo isto porque somos muitos. Tudo isto nos tornou muitos.

E o futuro?

Questões que se colocam para o próximo período, considerando que há eleições em várias entidades nos anos que se seguem:

• Ampliar a inserção social da Psicologia: mostrando para a sociedade brasileira a Psicologia que se sabe fazer;
• Negociar com o Estado as demarcações da profissão: em 1962, para aprovarmos a regula­mentação da profissão, foi feita esta negociação. Depois disto não voltamos a fazer estas intervenções. Torna-se necessário voltar a estas práticas;
• Tornar as entidades mais conhecidas: como órgão de defesa da sociedade e da qualifi­cação dos serviços de Psicologia e do seu saber;
• Qualificar o controle financeiro nas entidades: desenvolvendo instrumentos e concepções que permitam esta tarefa;
• Oferecer referências: tornando qualificado o exercício profissional do psicólogo.

E o que mais?

Venha debater para que possamos desenvolver o programa do CUIDAR DA PROFISSÃO para os próximos anos!
Venha ajudar a construir a pauta da Psicologia brasileira para o próximo período!!!

Movimento Cuidar da Profissão
Convenção Nacional
Dia: 28 de maio
Horário: às 19h30
Local: Hotel Hardman, Av. João Maurício, 1341
João Pessoa, Paraíba

Expediente
Movimento Cuidar da Profissão Jornalista Responsável: Elen Marques cuidardaprofissao@yahoogrupos.com.br MG 05034 JP
Projeto Gráfico: Míriam Barreto
Produção deste informativo: Impressão: Gráfica Lê
Fato Comunicação Tiragem: 2.500 exemplares
Fotolito: Image

3a ATA Cuidar MG 22/04/2003

 Atas  Comentários desativados em 3a ATA Cuidar MG 22/04/2003
abr 112003
 

ATA DA 3ª REUNIÃO DO “CUIDAR DA PROFISSÃO” EM MINAS GERAIS

 

 

A reunião aconteceu no auditório do CRP-04, no dia 22 de abril de 2004. Estiveram presentes: Marta Elizabeth de Souza, Ronaldo Zenha, Humberto Cota Verona, Miriam Caiafa, Francisco Viana, Roberto Sales, Wladimir, João Carlos, Graziela e José Ribeiro. Justificaram ausência: Anselmo, Vera e Maria Helena (Barbacena).

 

Nesta reunião foi enfatizado a necessidade do CRP-04 desenvolver estratégias de aproximação da categoria com o conselho. Avaliamos que os meios atuais de comunicação não tem sido suficientes para alcançar os psicólogos no sentido da categoria perceber e assimilar efetivamente como as ações do conselho interferem diretamente no exercício profissional. Torna-se necessário que o Conselho aprofunde e desenvolva ações criativas e inovadoras visando aproximar a categoria do Conselho. A análise dos presentes é que o trabalho que o Sistema Conselho vem desenvolvendo nos últimos 10 anos é de extrema importância para o fortalecimento da psicologia do Brasil. Os psicólogos tem conseguido através do processo democrático de participação fazer com que os Conselhos de psicologia não sejam órgãos burocráticos e tradicionais. O Movimento Cuidar da Profissão imprimiu e vem a cada dia fortalecendo os conselhos, as entidades da psicologia, os psicólogos e a psicologia.

 

Após este debate, os presentes definiram a necessidade de se trabalhar a Carta Programa para ser discutida no dia 27 de abril de 2004, bem como os nomes dos psicólogos para comporem a chapa.

 

Foi enfatizada a necessidade de contribuição financeira para o movimento. Neste sentido optou-se por uma contribuição mensal de R$ 20,00 (Vinte Reais) a serem pagos ou depositados até o 16º dia útil de cada mês a partir de Abril de 2004. Conta bancária do Cuidar da Profissão MG: Caixa Econômica Federal AG: 2770 operação 013 Conta: 00623-2.

 

Próximas reuniões do Cuidar:

  • Dia 27/04 às 19hs na sede do CRP-04

  • Dia 24/04 – Manhã – Uberlândia

 

Tarde – Uberaba

  • Dia 29/04 – Santa Rita de Caldas (Sul de Minas)

  • Dia 1/05 (Sábado) – 9hs às 12hs na sede do CRP-04 (colegas do Interior: Contamos com sua presença e participação)

 

 

 

PROPOSTAS PARA A “CARTA PROGRAMA”

 

 

1 – Política Transparente de Aproximação da Categoria com o CRP-04.

 

A Construção de Processo democrático e participativo requer um aprendizado constante. O Sistema Conselho ao longo dos últimos 10 anos vem ampliando e construindo estratégias de participação dos psicólogos nas políticas desenvolvidas pelo Sistema. É preciso continuar este processo através de:

  • realização de Plenárias ampliadas com a participação dos articuladores do interior.

  • Criação, fomento e fortalecimento do CRP-04 com as entidades da psicologia em Minas Gerais (Sindicato dos Psicólogos, ABEP, Associação da Psicologia) propondo a criação do Fórum regional das entidades da psicologia em Minas Gerais.

  • Apoio as iniciativas de organização dos psicólogos do interior provendo condições da criação de uma rede de articulação da categoria.

 

 

2 – Política de Melhoria da Qualificação Profissional

 

O CRP-04 deve continuar a organizar os psicólogos por área de atuação com o objetivo de produzir referencias ética e técnicas que possam qualificar o exercício profissional gerados por princípios éticos. Para tal o CRP-04 deve investir no trabalho das comissões existentes (Saúde, Educação Esporte, Especialistas, Avaliação Psicológica, Transito, Trabalho e Organizacional, Orientação e Fiscalização, Ética, Comunicação Social, Mídia e Cidadania, Direitos Humanos e Cidadania).

 

Criar espaço para formação de novas comissões (Psicologia e Assistência Social, Meio ambiente, Psicologia e questões da terra, entre outras).

 

Incentivar a criação de comissões no interior onde haja escritórios setoriais e onde os psicólogos se interessarem. O CRP-04 continuará a participar dos grupos de trabalhos da autarquia que tem por objetivo criar subsídios para a construção de resoluções para demarcarem a profissão contribuindo para a melhoria da qualidade da formação.

  • Promover reuniões itinerante de orientação / discussão com os psicólogos de uma micro-região sobre o exercício da profissão e as regulamentações existentes, com a participação de conselheiros e Técnicos de Orientação e Fiscalização do CRP-04. O CRP-04 deve articular a diretriz ética do Cuidar com o campo de investigação científica assegurando a garantia dos Direitos Humanos e Cidadania dos sujeitos estudados, como item a ser observado e respeitado pelos psicólogos em sus trabalhos de pesquisa.

  • Realizar seminários para discutir as resoluções do Conselho e outro órgãos sobre critérios de pesquisa com seres humanos.

  • Realizar no interior, de forma prioritária eventos de caráter técnicos científicos para aproximar a categoria do Conselho. Realizar na capital e rede metropolitana de Belo Horizonte, prioritariamente eventos culturais e em parceria com órgãos formadores, eventos técnico-científicos.

  • Criar a ABEP Regional articulando as entidades formadoras para qualificar e fortalecer o ensino e a pesquisa em psicologia no Estado de Minas Gerais.

  • O CRP-04 em parceria com a ABEP e demais conselhos de profissões regulamentadas devem lutar contra a abertura indiscriminada de novos cursos superiores. Especialmente em Minas Gerais, onde o Conselho Estadual de Educação é que autoriza a abertura de cursos e não o MEC (constituinte mineira).

  • Fortalecer ações estratégias de intervenção junto ao poder público, empresas e sociedade no sentido de definir critérios para as práticas de estágios em psicologia em parceria com a ABEP regional e instituições formadoras.

  • Realizar o 1º Congresso Nacional de Psicologia e a Reforma Psiquiátrica.

  • Desencadear o processo de discussão sobre os novos campos de inserção da psicologia como: Assistência Social, Meio Ambiente, Habitação.

  • Fortalecer a política do compromisso social da psicologia através de lutas conjuntas com o sindicato dos psicólogos e campanhas para realização de concursos públicos.

  • Aprofundar discussões com o sindicato no sentido de definir estratégias sobre lutas conjuntas relacionadas as questões como piso salarial para a categoria.

  • Dar continuidade e ampliar as ações do Banco Social de Serviços em Psicologia no estado.

Construir um Futuro para a Profissão 2000

 Memória  Comentários desativados em Construir um Futuro para a Profissão 2000
nov 112000
 

Esse material foi produzido em 2000. Pretendia divulgar o movimento e chamar para convenção que se realizou durante a I Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, São Paulo, outubro de 2000.

Futuro
O futuro que queremos construir

SE MUITO VALE O QUE
FOI FEITO
MAIS VALE O
QUE SERÁ

Milton Nascimento

Pensar o futuro, como projeto, é uma tarefa que exige a mistura, na medida certa, de realidade e de sonhos, de possibilidades e impossibilidades, de necessidades e urgências. Isto faz dela, uma tarefa difícil. Mas é preciso ousar na resposta a pergunta: que Psicologia queremos?

Queremos uma Psicologia a serviço da população brasileira: queremos romper com a tradição de uma profissão elitista, para construir uma Psicologia comprometida com as demandas de um país pobre e campeão de desigualdades sociais. Nossa ciência e nossa profissão podem contribuir muito para a construção de condições dignas de vida. É isto que precisamos ter como projeto. Nossa profissão ficou durante muitos anos reservada a pessoas que, com alto poder aquisitivo, podiam comprar nosso serviço. Não queremos ter uma profissão restrita a alguns. Sabemos da Importância de nosso trabalho e queremos que muitos possam ter acesso a ele.

Queremos uma psicologia que fale do homem e da vida vivida por ele. Precisamos superar visões que enclausuraram o psicológico no homem e o tomaram como algo íntimo, sem conexão ou relação direta com a realidade social. É preciso construir saberes que, ao falarem do homem e de seu mundo psicológico, falem do mundo social. Precisamos desenvolver visões mais abrangentes do fenômeno, para que possamos ampliar nossa Intervenção na sociedade, É preciso que tenhamos uma profissão capaz de responder às necessidades sociais, senão corremos o risco de não termos espaço e nem mesmo demanda social para ela.

Queremos uma Psicologia que seja capaz de reunir os psicólogos na busca pelas respostas para as necessidades da população brasileira, respeitando a diversidade teórica que nos caracteriza. Apresentar esta diversidade é uma qualidade de nossa ciência e de nossa profissão, mas exige que busquemos a unidade no esforço de responder às demandas da sociedade.

Queremos uma categoria de psicólogos organizada em torno de suas entidades, construindo coletivamente projetos. O futuro da Psicologia não deve ser tarefa para alguns iluminados; deve ser um trabalho coletivo, de muitos, e para isto é preciso que sejam construídos espaços que tornem possível o debate e a construção coletiva. Por isto ê preciso que sejam fortalecidas as várias entidades que já possuímos.

Queremos uma Psicologia que, tomando o passado como sua referência, se insira na sociedade e, de modo comprometido, supere o passado e inaugure o presente, construindo-o com multas mãos e idéias, guiada pela certeza de que devemos colocar sempre nossa profissão e nossa ciência a serviço da transformação de nossa sociedade.

Identidade
7 pontos básicos para uma definição da nossa identidade.

I O futuro da Psicologia brasileira nos diz respeito e nos interessa muito. Nos, psicólogos, professores e estudantes, devemos buscar intervir na sua construção, segundo um projeto que expresse democraticamente a nossa vontade, organizada institucionalmente, através das entidades, grupos e movimentos. O futuro da Psicologia não pode ficar à mercê dos interesses do comércio da educação, ou dos burocratas ministeriais e muito menos das posturas coorporativistas ou elitistas de certos grupos profissionais,

II A fragilidade institucional das nossas entidades precisa ser superada. Ela é incompatível com as dimensões e Importância social, assumidas pela Psicologia brasileira. As nossas entidades precisam ser multiplicadas, fortalecidas e apoiadas, O pressuposto do seu fortalecimento é a sua identidade com os interesses dos psicólogos e os da sociedade brasileira. O trabalho conjunto entre as entidades, o apoio recíproco, a ausência de competições em torno de objetivos comuns, deve ser uma regra operativa do trabalho interinstitucional. Construir lideranças significa romper com todo o personalismo e instaurar processos coletivos de trabalho e decisão.

III. A fragmentação da Psicologia não deve nos intimidar. Devemos, enquanto entidades, trabalhar com essa diversidade que nos constituí enquanto campo, sem preconceitos e de forma dialogante. Isso não significa abrir mão da busca do estabelecimento dos consensos mínimos sobre a nossa ciência e profissão, sempre através de mecanismos participativos e abertos, Não devemos recuar diante da necessidade do estabelecimento de regras ou normas de funcionamento profissional, tendo em mente que eles sempre refletem uma provlsorledade, mas balizam as nossas expectativas, e da comunidade. Assim, nada do que é Psicologia nos é estranho enquanto Interesse.

IV. Cuidar significa “tomar a seu cargo”. Cuidar é o oposto a negligência, a displicência, “Cuidar da profissão’, significa estabelecer uma relação de “encarregados” de todos os interesses profissionais, dos maiores aos menores. Isso significa trabalhar estrategicamente, desenvolvendo a percepção das necessidades e das prioridades profissionais. Cada ação institucional deve ser analisada por esse crivo antes de ser Implementada. A principal fonte de recursos para resolvermos os problemas da nossa profissão está dada, na riqueza e na pluralidade de pessoas e grupos que a constituem. Hoje a Psicologia brasileira já é detentora de uma competência no seu interior que pode e precisa ser mobilizada para o avanço coletivo da profissão. 0 papel de nossas entidades é catallzar esta potência e fazê-la reverte a favor dos interesses sociais maiores.

V. A gestão dos recursos institucionais é coisa sagrada, A honestidade, a transparência, a probidade e a parcimônia devem constituir-se em elementos políticos de primeira grandeza, nas nossas gestões. Os princípios da finalidade, da impessoalidade, da economia são balizadores no trato da coisa publica. A vigilância e o cuidado com o patrimônio institucional é responsabilidade política dos dirigentes e dos seus colaboradores.

VI. Democracia é democracia e não comporta adjetivos. Ela deve se expressar em todas as dimensões internas e externas, nas nossas gestões. E preciso garantir a ampla difusão das informações que são necessárias à participação no interior dá nossas entidades. É preciso garantir espaços de expressão e posicionamento, sobretudo para o pensamento que nos é critico e divergente. Os órgãos de nossas entidades não podem ser utilizados como tribunas particulares dos que estão nas suas direções. E preciso garantir o direito à participação nos temas de interesse geral através de assembléias, fóruns e congressos. Nós defenderemos sempre a democracia direta, àquela que implica a possibilidade da presença física dos sujeitos políticos, no debate público e a sua mobilização. Nós acreditamos que a organização coletiva sempre produz pensamentos mais adequados do que qualquer grupo de “iluminados”. É preciso romper com todos os resquícios do “patrimonialismo”, que significa gerir de acordo com os interesses dos grupos particulares, das personalidades ou dos “apadrinhados”. A isonomia de oportunidades para que todos os interesses se expressem, é o pressuposto básico para uma gestão democrática.

VII 0 futuro da Psicologia brasileira passa pela sua capacidade de se fazer útil à maioria da população brasileira. Não existe contradição entre “Cuidar da Profissão” e o desenvolvimento de uma luta em prol de uma sociedade justa e democrática, da luta em prol dos Direitos humanos, da construção de uma Psicologia que tenha compromisso social, Não existe contradição entre o desenvolvimentos técnicos científico da Psicologia e a prática eticamente responsável com os nossos problemas nacionais. As nossas identidades, no plano internacional, devem valorizar preferencialmente as aproximações com as produções criticam dos países latino-americanos, com os quais guardamos identidades na condição de paises periféricos, avassalados pelo neoliberalismo oportunista.

PS – Por uma questão de estilo : Queremos amadurecer geracionalmente como Psicólogos, nos orgulhando da profissão que escolhemos, valorizando a sua história .acumulando conhecimentos e experiências, mas conservando um sabor de juventude na nossa forma de ser e de agir. A alegria, o humor e a paixão devem ser sempre, os antídoto contra os formalismos, contra a sisudez, contra a política convertida em fardo e dor. E assim que acreditamos que seja o Cuidar da Profissão !

Política
Psicologia e Política

O que você prefere: Psicologia ou Política? Há quem diga que não faz política, só faz psicologia, Nessa caso, os demais são apontados como quem só faz política e não psicologia. É dito que os interessados em política engendram uma partldarizaçao da psicologia.
Nós fazemos psicologia e fazemos política. Nossa psicologia deixa claro a que políticas quer atender. Nossa política é produzir uma psicologia forte e capaz de atender as necessidades do povo brasileiro e latino-americano.

Na verdade, todos estamos fazendo política. Por exemplo, quando alguém propõe uma diretriz curricular que foge do que foi estabelecido por centenas de profissionais e entidades representativas, está fazendo política. Quando a diretriz proposta se aproxima dos postulados de FHC e do Banco Mundial, a perspectiva dessa política é mais evidente.

Nossa política é fazer política as claras, a luz do dia, de forma pública. Com critérios que possam ser explicados em voz alta e sem eufemismos.

Nossa política é fazer psicologia. Uma psicologia que tenha seus olhos voltados para toda a população brasileira. Se possível, que dê alguma ênfase às maiorias sempre esquecidas peio estado brasileiro.
Nossa política é fazer uma política que explicite os projetos que estão em jogo para o seu desenvolvimento. Chega de pensar a evolução da psicóloga como algo casual ou espontâneo. Vamos discutir esses projetos e construir um que dê conta de nossas contradições e de nossa criatividade.

Nossa política é apostar no novo, no que está porvir. A ditadura do pensamento único e do fim da história vai acabar. Os povos latino-americanos já começaram a derrubar os governos neoliberais. Nos países ricos os protestos contra a Organização Mundial do Comércio, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial não param de ganhar manchetes.

Enfim nossa política é tomar partido. Tomar partido ao lado de tantos psicólogos que reinventam a psicologia no seu dia a dia, mas não têm espaço para divulgá-la e torná-la reconhecida. Tomar partido ao lado do povo brasileiro.
Nossa política é de convidar todos os psicólogos para conjugarem o verbo flor.

Verbo Flor
O verbo é conjugável em quase todas as pessoas
Em certos tempo definidos, a saber
Quase nunca no outono
No inverno quase não,
Quase sempre no verão
E de,ais na primavera,
Que no coração poderá durar
E ser eterna,
Se o coração conjugar:
Quando eu flor, quando tu flores
Você flor e ele flor
Quando nós,
Quando todo mundo flor.

Renato Rocha

Esta é uma publicação de responsabilidade do Movimento Nacional” Para cuidar da profissão”, pago com recursos próprios de seus membros, integrado por muitos Psicólogos, que hoje participam da direção do Conselho Federal de Psicologia e de vários conselhos regionais.
Os textos aqui apresentados expressam a contribuição do coletivo que hoje responde pela direção do Conselho Federal de Psicologia.
Arte: Sandra Cardoso Lopes Impressão e fotolito: Cromograf 47 3551393 Blumenau – SC tiragem: 5 mil exemplares.

Construir um Futuro para a Profissão 2000

 Memória  Comentários desativados em Construir um Futuro para a Profissão 2000
nov 112000
 

Esse material foi produzido em 2000. Pretendia divulgar o movimento e chamar para convenção que se realizou durante a I Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, São Paulo, outubro de 2000.

Futuro
O futuro que queremos construir
SE MUITO VALE O QUE
FOI FEITO
MAIS VALE O
QUE SERÁ

Milton Nascimento

Pensar o futuro, como projeto, é uma tarefa que exige a mistura, na medida certa, de realidade e de sonhos, de possibilidades e impossibilidades, de necessidades e urgências. Isto faz dela, uma tarefa difícil. Mas é preciso ousar na resposta a pergunta: que Psicologia queremos?

Queremos uma Psicologia a serviço da população brasileira: queremos romper com a tradição de uma profissão elitista, para construir uma Psicologia comprometida com as demandas de um país pobre e campeão de desigualdades sociais. Nossa ciência e nossa profissão podem contribuir muito para a construção de condições dignas de vida. É isto que precisamos ter como projeto. Nossa profissão ficou durante muitos anos reservada a pessoas que, com alto poder aquisitivo, podiam comprar nosso serviço. Não queremos ter uma profissão restrita a alguns. Sabemos da Importância de nosso trabalho e queremos que muitos possam ter acesso a ele.

Queremos uma psicologia que fale do homem e da vida vivida por ele. Precisamos superar visões que enclausuraram o psicológico no homem e o tomaram como algo íntimo, sem conexão ou relação direta com a realidade social. É preciso construir saberes que, ao falarem do homem e de seu mundo psicológico, falem do mundo social. Precisamos desenvolver visões mais abrangentes do fenômeno, para que possamos ampliar nossa Intervenção na sociedade, É preciso que tenhamos uma profissão capaz de responder às necessidades sociais, senão corremos o risco de não termos espaço e nem mesmo demanda social para ela.

Queremos uma Psicologia que seja capaz de reunir os psicólogos na busca pelas respostas para as necessidades da população brasileira, respeitando a diversidade teórica que nos caracteriza. Apresentar esta diversidade é uma qualidade de nossa ciência e de nossa profissão, mas exige que busquemos a unidade no esforço de responder às demandas da sociedade.

Queremos uma categoria de psicólogos organizada em torno de suas entidades, construindo coletivamente projetos. O futuro da Psicologia não deve ser tarefa para alguns iluminados; deve ser um trabalho coletivo, de muitos, e para isto é preciso que sejam construídos espaços que tornem possível o debate e a construção coletiva. Por isto ê preciso que sejam fortalecidas as várias entidades que já possuímos.

Queremos uma Psicologia que, tomando o passado como sua referência, se insira na sociedade e, de modo comprometido, supere o passado e inaugure o presente, construindo-o com multas mãos e idéias, guiada pela certeza de que devemos colocar sempre nossa profissão e nossa ciência a serviço da transformação de nossa sociedade.

Identidade
7 pontos básicos para uma definição da nossa identidade.

I O futuro da Psicologia brasileira nos diz respeito e nos interessa muito. Nos, psicólogos, professores e estudantes, devemos buscar intervir na sua construção, segundo um projeto que expresse democraticamente a nossa vontade, organizada institucionalmente, através das entidades, grupos e movimentos. O futuro da Psicologia não pode ficar à mercê dos interesses do comércio da educação, ou dos burocratas ministeriais e muito menos das posturas coorporativistas ou elitistas de certos grupos profissionais,

II A fragilidade institucional das nossas entidades precisa ser superada. Ela é incompatível com as dimensões e Importância social, assumidas pela Psicologia brasileira. As nossas entidades precisam ser multiplicadas, fortalecidas e apoiadas, O pressuposto do seu fortalecimento é a sua identidade com os interesses dos psicólogos e os da sociedade brasileira. O trabalho conjunto entre as entidades, o apoio recíproco, a ausência de competições em torno de objetivos comuns, deve ser uma regra operativa do trabalho interinstitucional. Construir lideranças significa romper com todo o personalismo e instaurar processos coletivos de trabalho e decisão.

III. A fragmentação da Psicologia não deve nos intimidar. Devemos, enquanto entidades, trabalhar com essa diversidade que nos constituí enquanto campo, sem preconceitos e de forma dialogante. Isso não significa abrir mão da busca do estabelecimento dos consensos mínimos sobre a nossa ciência e profissão, sempre através de mecanismos participativos e abertos, Não devemos recuar diante da necessidade do estabelecimento de regras ou normas de funcionamento profissional, tendo em mente que eles sempre refletem uma provlsorledade, mas balizam as nossas expectativas, e da comunidade. Assim, nada do que é Psicologia nos é estranho enquanto Interesse.

IV. Cuidar significa “tomar a seu cargo”. Cuidar é o oposto a negligência, a displicência, “Cuidar da profissão’, significa estabelecer uma relação de “encarregados” de todos os interesses profissionais, dos maiores aos menores. Isso significa trabalhar estrategicamente, desenvolvendo a percepção das necessidades e das prioridades profissionais. Cada ação institucional deve ser analisada por esse crivo antes de ser Implementada. A principal fonte de recursos para resolvermos os problemas da nossa profissão está dada, na riqueza e na pluralidade de pessoas e grupos que a constituem. Hoje a Psicologia brasileira já é detentora de uma competência no seu interior que pode e precisa ser mobilizada para o avanço coletivo da profissão. 0 papel de nossas entidades é catallzar esta potência e fazê-la reverte a favor dos interesses sociais maiores.

V. A gestão dos recursos institucionais é coisa sagrada, A honestidade, a transparência, a probidade e a parcimônia devem constituir-se em elementos políticos de primeira grandeza, nas nossas gestões. Os princípios da finalidade, da impessoalidade, da economia são balizadores no trato da coisa publica. A vigilância e o cuidado com o patrimônio institucional é responsabilidade política dos dirigentes e dos seus colaboradores.

VI. Democracia é democracia e não comporta adjetivos. Ela deve se expressar em todas as dimensões internas e externas, nas nossas gestões. E preciso garantir a ampla difusão das informações que são necessárias à participação no interior dá nossas entidades. É preciso garantir espaços de expressão e posicionamento, sobretudo para o pensamento que nos é critico e divergente. Os órgãos de nossas entidades não podem ser utilizados como tribunas particulares dos que estão nas suas direções. E preciso garantir o direito à participação nos temas de interesse geral através de assembléias, fóruns e congressos. Nós defenderemos sempre a democracia direta, àquela que implica a possibilidade da presença física dos sujeitos políticos, no debate público e a sua mobilização. Nós acreditamos que a organização coletiva sempre produz pensamentos mais adequados do que qualquer grupo de “iluminados”. É preciso romper com todos os resquícios do “patrimonialismo”, que significa gerir de acordo com os interesses dos grupos particulares, das personalidades ou dos “apadrinhados”. A isonomia de oportunidades para que todos os interesses se expressem, é o pressuposto básico para uma gestão democrática.

VII 0 futuro da Psicologia brasileira passa pela sua capacidade de se fazer útil à maioria da população brasileira. Não existe contradição entre “Cuidar da Profissão” e o desenvolvimento de uma luta em prol de uma sociedade justa e democrática, da luta em prol dos Direitos humanos, da construção de uma Psicologia que tenha compromisso social, Não existe contradição entre o desenvolvimentos técnicos científico da Psicologia e a prática eticamente responsável com os nossos problemas nacionais. As nossas identidades, no plano internacional, devem valorizar preferencialmente as aproximações com as produções criticam dos países latino-americanos, com os quais guardamos identidades na condição de paises periféricos, avassalados pelo neoliberalismo oportunista.

PS – Por uma questão de estilo : Queremos amadurecer geracionalmente como Psicólogos, nos orgulhando da profissão que escolhemos, valorizando a sua história .acumulando conhecimentos e experiências, mas conservando um sabor de juventude na nossa forma de ser e de agir. A alegria, o humor e a paixão devem ser sempre, os antídoto contra os formalismos, contra a sisudez, contra a política convertida em fardo e dor. E assim que acreditamos que seja o Cuidar da Profissão !

Política
Psicologia e Política

O que você prefere: Psicologia ou Política? Há quem diga que não faz política, só faz psicologia, Nessa caso, os demais são apontados como quem só faz política e não psicologia. É dito que os interessados em política engendram uma partldarizaçao da psicologia.
Nós fazemos psicologia e fazemos política. Nossa psicologia deixa claro a que políticas quer atender. Nossa política é produzir uma psicologia forte e capaz de atender as necessidades do povo brasileiro e latino-americano.

Na verdade, todos estamos fazendo política. Por exemplo, quando alguém propõe uma diretriz curricular que foge do que foi estabelecido por centenas de profissionais e entidades representativas, está fazendo política. Quando a diretriz proposta se aproxima dos postulados de FHC e do Banco Mundial, a perspectiva dessa política é mais evidente.

Nossa política é fazer política as claras, a luz do dia, de forma pública. Com critérios que possam ser explicados em voz alta e sem eufemismos.

Nossa política é fazer psicologia. Uma psicologia que tenha seus olhos voltados para toda a população brasileira. Se possível, que dê alguma ênfase às maiorias sempre esquecidas peio estado brasileiro.
Nossa política é fazer uma política que explicite os projetos que estão em jogo para o seu desenvolvimento. Chega de pensar a evolução da psicóloga como algo casual ou espontâneo. Vamos discutir esses projetos e construir um que dê conta de nossas contradições e de nossa criatividade.

Nossa política é apostar no novo, no que está porvir. A ditadura do pensamento único e do fim da história vai acabar. Os povos latino-americanos já começaram a derrubar os governos neoliberais. Nos países ricos os protestos contra a Organização Mundial do Comércio, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial não param de ganhar manchetes.

Enfim nossa política é tomar partido. Tomar partido ao lado de tantos psicólogos que reinventam a psicologia no seu dia a dia, mas não têm espaço para divulgá-la e torná-la reconhecida. Tomar partido ao lado do povo brasileiro.
Nossa política é de convidar todos os psicólogos para conjugarem o verbo flor.

Verbo Flor
O verbo é conjugável em quase todas as pessoas
Em certos tempo definidos, a saber
Quase nunca no outono
No inverno quase não,
Quase sempre no verão
E de,ais na primavera,
Que no coração poderá durar
E ser eterna,
Se o coração conjugar:
Quando eu flor, quando tu flores
Você flor e ele flor
Quando nós,
Quando todo mundo flor.

Renato Rocha

Esta é uma publicação de responsabilidade do Movimento Nacional” Para cuidar da profissão”, pago com recursos próprios de seus membros, integrado por muitos Psicólogos, que hoje participam da direção do Conselho Federal de Psicologia e de vários conselhos regionais.
Os textos aqui apresentados expressam a contribuição do coletivo que hoje responde pela direção do Conselho Federal de Psicologia.
Arte: Sandra Cardoso Lopes Impressão e fotolito: Cromograf 47 3551393 Blumenau – SC tiragem: 5 mil exemplares.