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Minuta de Plataforma 2004

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jan 112004
 

MINUTA

 

 

 

Plataforma para Cuidar da Profissão em São Paulo

 

junho de 2004

 

 

 

O Cuidar da Profissão em São Paulo vem se reapresentar para poder dar continuidade ao trabalho que vem realizando há duas gestões em São Paulo. As necessidades da profissão vão se renovando e o trabalho de transformar o Conselho em um órgão que cuida da profissão ainda não terminou. Cuidar da profissão tem o sentido de desenvolvê-la e oferecer à categoria referências para uma prática profissional ética, tecnicamente qualificada e socialmente comprometida.

 

 

 

Construir referências e delimitar a profissão: é preciso que negociemos com a sociedade e com o Estado os novos limites da Psicologia. Nossa Lei 4119 foi aprovada em 1962. Hoje, a Psicologia se apresenta muito mais vigorosa, ampla e diversificada. É preciso negociar com a sociedade essa nova configuração para que possamos ser reconhecidos e para que se fortaleça a institucionalização de nossa profissão, no Brasil. Em um momento em que as fronteiras e referências das profissões se sobrepõem ou estão diluídas, devemos enfrentar o desafio de trabalhar para demarcar a profissão e para regular práticas sem alimentar sectarismos e corporativismos reducionistas. Demarcar a profissão e regular práticas, como uma de nossas principais metas, deve servir para qualificar a profissão e aumentar nosso compromisso com as demandas da nossa realidade. A Psicoterapia é talvez o campo que melhor exemplifica a necessidade urgente de delimitar práticas.

 

 

 

Valorização da profissão e de seus instrumentos: Todo o trabalho de fortalecimento social da Psicologia exige que se interfira na imagem da profissão e no reconhecimento e aceitação de suas formas de trabalho. Para isso é preciso tomar nas mãos dos psicólogos o trabalho de construir, reconstruir e rever os instrumentos e as formas de trabalho profissional que temos desenvolvido ao longo destes 42 anos de profissão. Ampliar nosso mercado de trabalho e a clientela que faz uso de nossos serviços implica e exige reinvenção permanente. Queremos ter a Psicologia, seus instrumentos e práticas, nas mãos da categoria dos psicólogos. Queremos divulgar nossa profissão na mídia e nos espaços de prestação de serviço, pois queremos que ela esteja ao alcance de quem dela precisar.

 

 

 

Banco Social de Serviços em Psicologia: o Banco deverá durar até 27 de agosto de 2005. Queremos fortalecê-lo até lá, para que possa dar os resultados pretendidos: fortalecimento das políticas públicas, inclusão do psicólogo nas políticas desenvolvidas pelo serviço público, fortalecimento da institucionalização da Psicologia, oportunidade de treino profissional para os psicólogos em políticas sociais e renegociação com a sociedade da configuração de nossa profissão.  São muitos os objetivos do Banco Social e pretendemos que eles se realizem. Por isso, nos comprometemos em fortalecer e apoiar o desenvolvimento do Banco Social em todo Estado de São Paulo e no Brasil.

 

 

 

Contribuir na construção de políticas públicas: o Estado brasileiro, depois de quase 20 anos de políticas neoliberais, precisa ser reconstruído. Trabalhar para a construção de políticas públicas com a presença marcante do Estado é lutar para que os serviços básicos de saúde, educação, saneamento, moradia, assistência social possam ser ampliados e estar, desta forma, ao alcance de todos. Construir políticas públicas é fortalecer a cidadania e melhorar as condições de vida no Brasil. Os psicólogos devem estar neste trabalho e devem colocar a Psicologia a serviço desta transformação. Devemos lutar para que a Psicologia esteja prevista, como um serviço, nas políticas públicas de saúde, educação e outras.

 

 

 

Fazer circular Psicologia: um fator importante para que nosso trabalho seja bom é investir na comunicação de nossas atividades e na circulação da Psicologia em todo Estado de São Paulo. Precisamos melhorar nossa comunicação com a categoria. Aproveitar melhor a Internet, melhorar nosso site, dinamizar o Jornal são algumas das tarefas e responsabilidades que nos colocamos, buscando melhorar a circulação de informação. Além disso, é preciso contribuir para que a Psicologia circule entre os psicólogos. Apoiar a realização de eventos sejam do CRP/CFP ou de outras entidades da Psicologia é, sem dúvida, uma forma de caminhar na direção deste objetivo.

 

 

 

Orientar e fiscalizar o exercício profissional: orientar a categoria, respondendo às dúvidas sobre o exercício profissional e/ou produzindo novas respostas para as novas perguntas que vão surgindo com o desenvolvimento e ampliação social da profissão. Fiscalizar para poder garantir à sociedade seu direito de receber um bom serviço em psicologia.

 

 

 

Apoiar a criação do Núcleo Paulista da ABEP: A Associação Brasileira de Ensino de Psicologia precisa estar forte, para poder contribuir e coordenar a implantação das diretrizes curriculares que foram aprovadas para a Psicologia. O CRP SP deve colaborar na criação e desenvolvimento do Núcleo Paulista da ABEP. Deveremos estar atentos para que as diretrizes possam significar um avanço na formação. Queremos participar ao lado de estudantes, professores e pesquisadores para garantir uma boa formação na área. A proliferação de cursos tem posto em risco a qualidade da formação em Psicologia. O fortalecimento da ABEP deverá significar resistência e ao mesmo tempo oferta de referências de qualidade. O CRPSP quer estar nesta luta!

 

 

 

Direitos Humanos: Queremos continuar lutando pela associação entre a Psicologia e os Direitos Humanos. Esta relação poderá fortalecer a Psicologia como uma prestação de serviço à sociedade que se pauta pela ética e por princípios democráticos. Lutar para que todos tenham uma vida digna, pelo fim da desigualdade e do preconceito é uma forma de garantir boas condições psicológicas para a população brasileira. Associar a Psicologia aos Direitos Humanos é uma forma de fazer avançar nossa profissão na direção de respostas dignas às urgências da sociedade brasileira.

 

 

 

Apoio a Movimentos Sociais: Engajar-se nas lutas de nosso tempo é garantia de que não se está só. É preciso apoiar e participar de movimentos sociais guiados por metas e princípios democráticos. Fortalecimento do SUS, pela escola Pública, pela Democratização da Comunicação, contra a redução da maioridade penal, pelo fortalecimento do ECA, enfim pelas muitas lutas que nossa sociedade vem empreendendo em busca de uma vida digna para todos. O CRPSP quer estar nestas lutas.

 

 

 

Por uma Psicologia Latinoamericana: o fortalecimento da Psicologia como profissão comprometida com as urgências de nosso tempo exige a parceria e a união com a Psicologia e os psicólogos da América Latina. O CRPSP vai apoiar as iniciativas nesta direção. Manter em nosso Jornal uma página sobre a América Latina; manter-se filiado a ULAPSI- União Latinoamericana de Entidades de Psicologia; apoiar o Congresso da ULAPSI em São Paulo, em 2005; realizar debate que permita o diálogo da Psicologia Latinoamericana; e fazer circular informações sobre a Psicologia latinoamericana são iniciativas importantes para atingir nosso objetivo.

 

 

 

Gerir o CRP com seriedade e  transparência: é importante reforçar sempre os princípios de uma gestão honesta, rigorosa e transparente.  A gestão do Conselho é fiscalizada pelo Tribunal de Contas da União, mas são os princípios de uma gestão rigorosa que devem ser as diretrizes de nosso trabalho. Cuidar do patrimônio; zelar pelo uso dele e de seus recursos são tarefas importantes para nós. Nos comprometemos com essa meta.

Cuidar da profissão – construindo referências para o protagonismo social dos psicólogos – 2003

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nov 112003
 

Esse material que segue compôs um folder que distribuímos em maio de 2003. É, portanto, o último material publicado pelo “Cuidar”. Foi distribuído durante o Congresso Norte Nordeste, Paraíba e chamava a todos para a convenção que se realizou no dia 28 de maio de 2003.

Editorial

Fazer uma análise de conjuntu­ra política nestes tempos é uma verdadeira temeridade. Os parâ­metros de uma análise deste tipo estão fora da ordem. A doutrina Bush de relações internacionais está pautada pelo 11 de setembro. Em busca da segurança interna os americanos colocam todo o plane­ta sob suspeita. Quem não está com eles, está contra eles. Um clima paranóico que leva o gendarme do mundo a ações mili­tares, destruindo qualquer possi­bilidade de acordo internacional e inviabilizando a própria ONU como fórum da diplomacia mundial.

Primeiro foi o Afeganistão, depois o Iraque, agora é Arábia Saudita e já vislumbramos a pres­são sobre Cuba, Irã e Coréia do Norte. Todos incluídos, sintomati­camente, no que é denominado “Eixo do Mal”. A doutrina Bush é fundamentalista! A polarização da guerra fria e a ameaça atômica da segunda metade do século XX foi tomada pela ação terrorista de grupos islâmicos. O temor de uma guerra total dá lugar ao terror de que a estação do metrô possa ex­plodir a qualquer momento. A fal­ta de um imaginário utópico que possa sustentar um campo sim­bólico, permitindo a organização das lutas de transformação social, abre o caminho para a barbárie.

Na América do Sul, tradicional quintal americano, o movimento popular dá mostra de amadureci­mento e consolidação da demo­cracia, coisa rara nesta região. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, representa uma grande novidade no cenário internacional e pela primeira vez em nossa história temos um governo brasileiro de cunho democrático e popular.

Rigorosamente, é a primeira vez que a esquerda chega ao poder em nosso país. Trata-se de um movimento que contradiz os caminhos da doutrina Bush e ocorre em um momento que a estratégia capitalista para o período, o consenso de Washington, mostra sinais de debilidade. O acordo neoliberal não foi sufi­ciente para garantir estabilidade econômica para os agora chama­dos países de economia emer­gente.

O povo brasileiro aposta em uma saída à esquerda e como nada é simples assim, até agora o go­verno Lula tem aplicado o mesmo remédio do corte orçamentário, dos juros altos, do pagamento da dívida, do superávit da balança, da inflação baixa, da atração do capital volátil, etc. Busca garantia de governabilidade, construindo maioria no parlamento com méto­dos semelhantes aos do governo FHC. Vivemos atônitos uma ducha de “real politik” que nos impõem o famoso dístico de que os fins são mais importantes que os meios.

Mas é importante notar que esse movimento é compreendido por amplos setores da população como cautela de quem agora sabe tratar com maturidade a condução do país e que irá, gota a gota, reverter a situação social drástica e perversa que vivemos. Os projetos sociais estão sendo delineados e o “Fome Zero” se transforma em um organizador popular. Os dis­positivos que servirão para a cons­trução de uma aliança concreta com possibilidade de reverter a condição de pobreza de 25 mi­lhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria, não se restringem à distribuição de ali­mentos, mas sim à construção de uma rede social de economia solidária.

Sabemos que as mudanças não serão repentinas e nem mesmo rápidas. O governo Lula deverá fazer a transição de um país neoliberal que abandonou as políticas sociais, optou por privatizar os serviços de educação e saúde, não investiu na reforma agrária, fiscal e da previdência, não ousou tocar no setor judiciário, nas penitenciárias e nos hospitais psiquiátricos; que des­cuidou da pesquisa e da produção de tecnologia, enfim um país que se manteve campeão de desigual­dades sociais para um novo Brasil.

São muitas as frentes de inter­venção; são grandes as mudanças necessárias; são poucos os recur­sos e é grande a expectativa da população. Sem desanimar, espe­ramos.
O Movimento Cuidar da Profissão acredita que não deva­mos esperar de braços cruzados. É hora da Psicologia se colocar no cenário nacional de modo mais ousado! O Brasil optou pela mudança e os psicólogos devem colaborar!

Nossos últimos 6 anos

Surgimos da vontade de dar um salto e aproveitamos o espaço dos Conselhos para produzir o diálogo da diversidade da Psicologia. Para con­quistarmos um lugar social para a Psicologia que significasse romper com a tradição de compromisso com as elites brasileiras.

Ocupamos a maior parte dos CRPs e o CFP, trabalhando ininterrupta­mente para alcançar essas metas. Destacamos as formas que o nosso trabalho assumiu:

Resoluções que demarcam a profissão: qualificar o exercício profissional do psicólogo exige esforços de várias naturezas. Qualificar a formação é uma delas; outra é produzir, de forma democrática, referências para o exercício profissional. O Cuidar da Profissão tem tido esta iniciativa por meio dos Conselhos de Psicologia. Foram várias as resoluções: docu­mentos decorrentes de avaliações psicológicas, dos testes psicológicos, dos serviços por internet, da pesquisa com seres humanos, da acupuntura e da hipnose, das práti­cas alternativas, enfim são várias as resoluções que oferecem à categoria dos psicólogos algumas referências nascidas das dificuldades em um exercício profissional qualificado.

Resoluções que defendem os direitos humanos: Duas resoluções serão históricas na Psicologia: a do racismo e da orientação sexual. São resoluções que proíbem os psicólogos de se acumpliciarem com práticas preconceituosas e estigmatizadoras.

Direitos Humanos: temos traba­lhado vinculando a Psicologia à defe­sa dos direitos humanos. Por meio de campanhas, da realização de even­tos, da construção de Comissões de Direitos Humanos em cada Regional e no CFP, da parceria com outras enti­dades e comissões de direitos humanos, na participação em even­tos e movimentos sociais que se põem em defesa dos direitos humanos. Os Conselhos têm se insti­tuído socialmente como órgãos importantes na defesa dos Direitos Humanos.

I Mostra de Práticas em Psicologia: Psicologia e Compromisso Social: talvez a atividade mais emblemática nascida no seio do Cuidar da Profissão. Envolveu todos os Conselhos Regionais e várias enti­dades nacionais brasileiras e da América Latina. Reuniu 15 mil pes­soas em São Paulo e mostrou cerca de 3000 trabalhos que demonstraram o novo compromisso social da Psicologia, vinculada a interesses da maioria da população.

Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira: outra inicia­tiva importante do Cuidar da Profissão para a Psicologia: reunir as entidades nacionais da Psicologia (hoje são 16 entidades) em um espaço de debate e esforço coletivo para resolver as dificuldades da Psicologia, contribuindo para o seu desenvolvimento na direção de uma profissão e uma ciência com compro­misso social. O Fórum desenvolveu atividades necessárias, tais como:

• Construção da ABEP (Associação Brasileira de Ensino de Psicologia): como o espaço de articulação dos esforços para qualificar a formação;
• Biblioteca Virtual da Psicologia: poucas profissões na América Latina têm uma Biblioteca Virtual. A Psicologia possui uma administrada pelo Fórum de Entidades que faz cir­cular de forma democrática as pro­duções científicas e profissionais no âmbito da Psicologia.
• I Congresso Brasileiro Psicologia Ciência e Profissão: reuniu 8 mil profissionais, professores e estu­dantes de Psicologia na USP, na cidade de São Paulo, no ano passado. Este evento marcou o diálogo entre a ciência e a profissão; diálogo este que se fazia timidamente, em poucos espaços. O trabalho foi disparado, agora resta desenvolvê-lo.
• Campanha Psicologia em Alerta: iniciativa do Fórum de publicar folhetos que caracterizaram alguns problemas enfrentados pela Psicologia e anunciavam a disposição do Fórum em enfrentá-los, convo­cando a todos para esta tarefa.
• Diretrizes Curriculares: o Fórum enfrentou de forma democrática o debate das diretrizes curriculares para a Psicologia e se opôs a toda ini­ciativa que não refletisse a vontade coletiva e os princípios de uma for­mação que unisse profissão e ciência.

Criou projetos de resgate da memória da psicologia: o Cuidar da Profissão cuidou da memória da Psicologia. Fez produzir vídeos com os personagens da história da Psicologia; publicou livros sobre os pioneiros da Psicologia assim como Livros esgotados que são considera­dos históricos.

Sistematizou e fez circular Psicologia: a iniciativa dos INDEX Psi que resultaram na Biblioteca Virtual da Psicologia, possibilitando acesso democrático ás produções da Psicologia.

Instalou um método de trabalho na Psicologia: transparência na política, rigor na gestão financeira e relação parceira com as diferenças, fazendo caminhar a Psicologia com todas as suas diferenças e toda sua diversidade.

Colaborou decisivamente para a construção da ULAPSI: uma política de unificação da psicologia Latino-americana que colabore com formas de reverter o caminho de mão única entre a produção européia e ameri­cana e nos coloque na condição de produtores de conhecimento, for­talecendo nossas entidades e ao mesmo tempo garantindo inde­pendência científica.

Tudo isto porque somos muitos. Tudo isto nos tornou muitos.

E o futuro?

Questões que se colocam para o próximo período, considerando que há eleições em várias entidades nos anos que se seguem:

• Ampliar a inserção social da Psicologia: mostrando para a sociedade brasileira a Psicologia que se sabe fazer;
• Negociar com o Estado as demarcações da profissão: em 1962, para aprovarmos a regula­mentação da profissão, foi feita esta negociação. Depois disto não voltamos a fazer estas intervenções. Torna-se necessário voltar a estas práticas;
• Tornar as entidades mais conhecidas: como órgão de defesa da sociedade e da qualifi­cação dos serviços de Psicologia e do seu saber;
• Qualificar o controle financeiro nas entidades: desenvolvendo instrumentos e concepções que permitam esta tarefa;
• Oferecer referências: tornando qualificado o exercício profissional do psicólogo.

E o que mais?

Venha debater para que possamos desenvolver o programa do CUIDAR DA PROFISSÃO para os próximos anos!
Venha ajudar a construir a pauta da Psicologia brasileira para o próximo período!!!

Movimento Cuidar da Profissão
Convenção Nacional
Dia: 28 de maio
Horário: às 19h30
Local: Hotel Hardman, Av. João Maurício, 1341
João Pessoa, Paraíba

Expediente
Movimento Cuidar da Profissão Jornalista Responsável: Elen Marques cuidardaprofissao@yahoogrupos.com.br MG 05034 JP
Projeto Gráfico: Míriam Barreto
Produção deste informativo: Impressão: Gráfica Lê
Fato Comunicação Tiragem: 2.500 exemplares
Fotolito: Image

3a ATA Cuidar MG 22/04/2003

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abr 112003
 

ATA DA 3ª REUNIÃO DO “CUIDAR DA PROFISSÃO” EM MINAS GERAIS

 

 

A reunião aconteceu no auditório do CRP-04, no dia 22 de abril de 2004. Estiveram presentes: Marta Elizabeth de Souza, Ronaldo Zenha, Humberto Cota Verona, Miriam Caiafa, Francisco Viana, Roberto Sales, Wladimir, João Carlos, Graziela e José Ribeiro. Justificaram ausência: Anselmo, Vera e Maria Helena (Barbacena).

 

Nesta reunião foi enfatizado a necessidade do CRP-04 desenvolver estratégias de aproximação da categoria com o conselho. Avaliamos que os meios atuais de comunicação não tem sido suficientes para alcançar os psicólogos no sentido da categoria perceber e assimilar efetivamente como as ações do conselho interferem diretamente no exercício profissional. Torna-se necessário que o Conselho aprofunde e desenvolva ações criativas e inovadoras visando aproximar a categoria do Conselho. A análise dos presentes é que o trabalho que o Sistema Conselho vem desenvolvendo nos últimos 10 anos é de extrema importância para o fortalecimento da psicologia do Brasil. Os psicólogos tem conseguido através do processo democrático de participação fazer com que os Conselhos de psicologia não sejam órgãos burocráticos e tradicionais. O Movimento Cuidar da Profissão imprimiu e vem a cada dia fortalecendo os conselhos, as entidades da psicologia, os psicólogos e a psicologia.

 

Após este debate, os presentes definiram a necessidade de se trabalhar a Carta Programa para ser discutida no dia 27 de abril de 2004, bem como os nomes dos psicólogos para comporem a chapa.

 

Foi enfatizada a necessidade de contribuição financeira para o movimento. Neste sentido optou-se por uma contribuição mensal de R$ 20,00 (Vinte Reais) a serem pagos ou depositados até o 16º dia útil de cada mês a partir de Abril de 2004. Conta bancária do Cuidar da Profissão MG: Caixa Econômica Federal AG: 2770 operação 013 Conta: 00623-2.

 

Próximas reuniões do Cuidar:

  • Dia 27/04 às 19hs na sede do CRP-04

  • Dia 24/04 – Manhã – Uberlândia

 

Tarde – Uberaba

  • Dia 29/04 – Santa Rita de Caldas (Sul de Minas)

  • Dia 1/05 (Sábado) – 9hs às 12hs na sede do CRP-04 (colegas do Interior: Contamos com sua presença e participação)

 

 

 

PROPOSTAS PARA A “CARTA PROGRAMA”

 

 

1 – Política Transparente de Aproximação da Categoria com o CRP-04.

 

A Construção de Processo democrático e participativo requer um aprendizado constante. O Sistema Conselho ao longo dos últimos 10 anos vem ampliando e construindo estratégias de participação dos psicólogos nas políticas desenvolvidas pelo Sistema. É preciso continuar este processo através de:

  • realização de Plenárias ampliadas com a participação dos articuladores do interior.

  • Criação, fomento e fortalecimento do CRP-04 com as entidades da psicologia em Minas Gerais (Sindicato dos Psicólogos, ABEP, Associação da Psicologia) propondo a criação do Fórum regional das entidades da psicologia em Minas Gerais.

  • Apoio as iniciativas de organização dos psicólogos do interior provendo condições da criação de uma rede de articulação da categoria.

 

 

2 – Política de Melhoria da Qualificação Profissional

 

O CRP-04 deve continuar a organizar os psicólogos por área de atuação com o objetivo de produzir referencias ética e técnicas que possam qualificar o exercício profissional gerados por princípios éticos. Para tal o CRP-04 deve investir no trabalho das comissões existentes (Saúde, Educação Esporte, Especialistas, Avaliação Psicológica, Transito, Trabalho e Organizacional, Orientação e Fiscalização, Ética, Comunicação Social, Mídia e Cidadania, Direitos Humanos e Cidadania).

 

Criar espaço para formação de novas comissões (Psicologia e Assistência Social, Meio ambiente, Psicologia e questões da terra, entre outras).

 

Incentivar a criação de comissões no interior onde haja escritórios setoriais e onde os psicólogos se interessarem. O CRP-04 continuará a participar dos grupos de trabalhos da autarquia que tem por objetivo criar subsídios para a construção de resoluções para demarcarem a profissão contribuindo para a melhoria da qualidade da formação.

  • Promover reuniões itinerante de orientação / discussão com os psicólogos de uma micro-região sobre o exercício da profissão e as regulamentações existentes, com a participação de conselheiros e Técnicos de Orientação e Fiscalização do CRP-04. O CRP-04 deve articular a diretriz ética do Cuidar com o campo de investigação científica assegurando a garantia dos Direitos Humanos e Cidadania dos sujeitos estudados, como item a ser observado e respeitado pelos psicólogos em sus trabalhos de pesquisa.

  • Realizar seminários para discutir as resoluções do Conselho e outro órgãos sobre critérios de pesquisa com seres humanos.

  • Realizar no interior, de forma prioritária eventos de caráter técnicos científicos para aproximar a categoria do Conselho. Realizar na capital e rede metropolitana de Belo Horizonte, prioritariamente eventos culturais e em parceria com órgãos formadores, eventos técnico-científicos.

  • Criar a ABEP Regional articulando as entidades formadoras para qualificar e fortalecer o ensino e a pesquisa em psicologia no Estado de Minas Gerais.

  • O CRP-04 em parceria com a ABEP e demais conselhos de profissões regulamentadas devem lutar contra a abertura indiscriminada de novos cursos superiores. Especialmente em Minas Gerais, onde o Conselho Estadual de Educação é que autoriza a abertura de cursos e não o MEC (constituinte mineira).

  • Fortalecer ações estratégias de intervenção junto ao poder público, empresas e sociedade no sentido de definir critérios para as práticas de estágios em psicologia em parceria com a ABEP regional e instituições formadoras.

  • Realizar o 1º Congresso Nacional de Psicologia e a Reforma Psiquiátrica.

  • Desencadear o processo de discussão sobre os novos campos de inserção da psicologia como: Assistência Social, Meio Ambiente, Habitação.

  • Fortalecer a política do compromisso social da psicologia através de lutas conjuntas com o sindicato dos psicólogos e campanhas para realização de concursos públicos.

  • Aprofundar discussões com o sindicato no sentido de definir estratégias sobre lutas conjuntas relacionadas as questões como piso salarial para a categoria.

  • Dar continuidade e ampliar as ações do Banco Social de Serviços em Psicologia no estado.

Construir um Futuro para a Profissão 2000

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nov 112000
 

Esse material foi produzido em 2000. Pretendia divulgar o movimento e chamar para convenção que se realizou durante a I Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, São Paulo, outubro de 2000.

Futuro
O futuro que queremos construir

SE MUITO VALE O QUE
FOI FEITO
MAIS VALE O
QUE SERÁ

Milton Nascimento

Pensar o futuro, como projeto, é uma tarefa que exige a mistura, na medida certa, de realidade e de sonhos, de possibilidades e impossibilidades, de necessidades e urgências. Isto faz dela, uma tarefa difícil. Mas é preciso ousar na resposta a pergunta: que Psicologia queremos?

Queremos uma Psicologia a serviço da população brasileira: queremos romper com a tradição de uma profissão elitista, para construir uma Psicologia comprometida com as demandas de um país pobre e campeão de desigualdades sociais. Nossa ciência e nossa profissão podem contribuir muito para a construção de condições dignas de vida. É isto que precisamos ter como projeto. Nossa profissão ficou durante muitos anos reservada a pessoas que, com alto poder aquisitivo, podiam comprar nosso serviço. Não queremos ter uma profissão restrita a alguns. Sabemos da Importância de nosso trabalho e queremos que muitos possam ter acesso a ele.

Queremos uma psicologia que fale do homem e da vida vivida por ele. Precisamos superar visões que enclausuraram o psicológico no homem e o tomaram como algo íntimo, sem conexão ou relação direta com a realidade social. É preciso construir saberes que, ao falarem do homem e de seu mundo psicológico, falem do mundo social. Precisamos desenvolver visões mais abrangentes do fenômeno, para que possamos ampliar nossa Intervenção na sociedade, É preciso que tenhamos uma profissão capaz de responder às necessidades sociais, senão corremos o risco de não termos espaço e nem mesmo demanda social para ela.

Queremos uma Psicologia que seja capaz de reunir os psicólogos na busca pelas respostas para as necessidades da população brasileira, respeitando a diversidade teórica que nos caracteriza. Apresentar esta diversidade é uma qualidade de nossa ciência e de nossa profissão, mas exige que busquemos a unidade no esforço de responder às demandas da sociedade.

Queremos uma categoria de psicólogos organizada em torno de suas entidades, construindo coletivamente projetos. O futuro da Psicologia não deve ser tarefa para alguns iluminados; deve ser um trabalho coletivo, de muitos, e para isto é preciso que sejam construídos espaços que tornem possível o debate e a construção coletiva. Por isto ê preciso que sejam fortalecidas as várias entidades que já possuímos.

Queremos uma Psicologia que, tomando o passado como sua referência, se insira na sociedade e, de modo comprometido, supere o passado e inaugure o presente, construindo-o com multas mãos e idéias, guiada pela certeza de que devemos colocar sempre nossa profissão e nossa ciência a serviço da transformação de nossa sociedade.

Identidade
7 pontos básicos para uma definição da nossa identidade.

I O futuro da Psicologia brasileira nos diz respeito e nos interessa muito. Nos, psicólogos, professores e estudantes, devemos buscar intervir na sua construção, segundo um projeto que expresse democraticamente a nossa vontade, organizada institucionalmente, através das entidades, grupos e movimentos. O futuro da Psicologia não pode ficar à mercê dos interesses do comércio da educação, ou dos burocratas ministeriais e muito menos das posturas coorporativistas ou elitistas de certos grupos profissionais,

II A fragilidade institucional das nossas entidades precisa ser superada. Ela é incompatível com as dimensões e Importância social, assumidas pela Psicologia brasileira. As nossas entidades precisam ser multiplicadas, fortalecidas e apoiadas, O pressuposto do seu fortalecimento é a sua identidade com os interesses dos psicólogos e os da sociedade brasileira. O trabalho conjunto entre as entidades, o apoio recíproco, a ausência de competições em torno de objetivos comuns, deve ser uma regra operativa do trabalho interinstitucional. Construir lideranças significa romper com todo o personalismo e instaurar processos coletivos de trabalho e decisão.

III. A fragmentação da Psicologia não deve nos intimidar. Devemos, enquanto entidades, trabalhar com essa diversidade que nos constituí enquanto campo, sem preconceitos e de forma dialogante. Isso não significa abrir mão da busca do estabelecimento dos consensos mínimos sobre a nossa ciência e profissão, sempre através de mecanismos participativos e abertos, Não devemos recuar diante da necessidade do estabelecimento de regras ou normas de funcionamento profissional, tendo em mente que eles sempre refletem uma provlsorledade, mas balizam as nossas expectativas, e da comunidade. Assim, nada do que é Psicologia nos é estranho enquanto Interesse.

IV. Cuidar significa “tomar a seu cargo”. Cuidar é o oposto a negligência, a displicência, “Cuidar da profissão’, significa estabelecer uma relação de “encarregados” de todos os interesses profissionais, dos maiores aos menores. Isso significa trabalhar estrategicamente, desenvolvendo a percepção das necessidades e das prioridades profissionais. Cada ação institucional deve ser analisada por esse crivo antes de ser Implementada. A principal fonte de recursos para resolvermos os problemas da nossa profissão está dada, na riqueza e na pluralidade de pessoas e grupos que a constituem. Hoje a Psicologia brasileira já é detentora de uma competência no seu interior que pode e precisa ser mobilizada para o avanço coletivo da profissão. 0 papel de nossas entidades é catallzar esta potência e fazê-la reverte a favor dos interesses sociais maiores.

V. A gestão dos recursos institucionais é coisa sagrada, A honestidade, a transparência, a probidade e a parcimônia devem constituir-se em elementos políticos de primeira grandeza, nas nossas gestões. Os princípios da finalidade, da impessoalidade, da economia são balizadores no trato da coisa publica. A vigilância e o cuidado com o patrimônio institucional é responsabilidade política dos dirigentes e dos seus colaboradores.

VI. Democracia é democracia e não comporta adjetivos. Ela deve se expressar em todas as dimensões internas e externas, nas nossas gestões. E preciso garantir a ampla difusão das informações que são necessárias à participação no interior dá nossas entidades. É preciso garantir espaços de expressão e posicionamento, sobretudo para o pensamento que nos é critico e divergente. Os órgãos de nossas entidades não podem ser utilizados como tribunas particulares dos que estão nas suas direções. E preciso garantir o direito à participação nos temas de interesse geral através de assembléias, fóruns e congressos. Nós defenderemos sempre a democracia direta, àquela que implica a possibilidade da presença física dos sujeitos políticos, no debate público e a sua mobilização. Nós acreditamos que a organização coletiva sempre produz pensamentos mais adequados do que qualquer grupo de “iluminados”. É preciso romper com todos os resquícios do “patrimonialismo”, que significa gerir de acordo com os interesses dos grupos particulares, das personalidades ou dos “apadrinhados”. A isonomia de oportunidades para que todos os interesses se expressem, é o pressuposto básico para uma gestão democrática.

VII 0 futuro da Psicologia brasileira passa pela sua capacidade de se fazer útil à maioria da população brasileira. Não existe contradição entre “Cuidar da Profissão” e o desenvolvimento de uma luta em prol de uma sociedade justa e democrática, da luta em prol dos Direitos humanos, da construção de uma Psicologia que tenha compromisso social, Não existe contradição entre o desenvolvimentos técnicos científico da Psicologia e a prática eticamente responsável com os nossos problemas nacionais. As nossas identidades, no plano internacional, devem valorizar preferencialmente as aproximações com as produções criticam dos países latino-americanos, com os quais guardamos identidades na condição de paises periféricos, avassalados pelo neoliberalismo oportunista.

PS – Por uma questão de estilo : Queremos amadurecer geracionalmente como Psicólogos, nos orgulhando da profissão que escolhemos, valorizando a sua história .acumulando conhecimentos e experiências, mas conservando um sabor de juventude na nossa forma de ser e de agir. A alegria, o humor e a paixão devem ser sempre, os antídoto contra os formalismos, contra a sisudez, contra a política convertida em fardo e dor. E assim que acreditamos que seja o Cuidar da Profissão !

Política
Psicologia e Política

O que você prefere: Psicologia ou Política? Há quem diga que não faz política, só faz psicologia, Nessa caso, os demais são apontados como quem só faz política e não psicologia. É dito que os interessados em política engendram uma partldarizaçao da psicologia.
Nós fazemos psicologia e fazemos política. Nossa psicologia deixa claro a que políticas quer atender. Nossa política é produzir uma psicologia forte e capaz de atender as necessidades do povo brasileiro e latino-americano.

Na verdade, todos estamos fazendo política. Por exemplo, quando alguém propõe uma diretriz curricular que foge do que foi estabelecido por centenas de profissionais e entidades representativas, está fazendo política. Quando a diretriz proposta se aproxima dos postulados de FHC e do Banco Mundial, a perspectiva dessa política é mais evidente.

Nossa política é fazer política as claras, a luz do dia, de forma pública. Com critérios que possam ser explicados em voz alta e sem eufemismos.

Nossa política é fazer psicologia. Uma psicologia que tenha seus olhos voltados para toda a população brasileira. Se possível, que dê alguma ênfase às maiorias sempre esquecidas peio estado brasileiro.
Nossa política é fazer uma política que explicite os projetos que estão em jogo para o seu desenvolvimento. Chega de pensar a evolução da psicóloga como algo casual ou espontâneo. Vamos discutir esses projetos e construir um que dê conta de nossas contradições e de nossa criatividade.

Nossa política é apostar no novo, no que está porvir. A ditadura do pensamento único e do fim da história vai acabar. Os povos latino-americanos já começaram a derrubar os governos neoliberais. Nos países ricos os protestos contra a Organização Mundial do Comércio, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial não param de ganhar manchetes.

Enfim nossa política é tomar partido. Tomar partido ao lado de tantos psicólogos que reinventam a psicologia no seu dia a dia, mas não têm espaço para divulgá-la e torná-la reconhecida. Tomar partido ao lado do povo brasileiro.
Nossa política é de convidar todos os psicólogos para conjugarem o verbo flor.

Verbo Flor
O verbo é conjugável em quase todas as pessoas
Em certos tempo definidos, a saber
Quase nunca no outono
No inverno quase não,
Quase sempre no verão
E de,ais na primavera,
Que no coração poderá durar
E ser eterna,
Se o coração conjugar:
Quando eu flor, quando tu flores
Você flor e ele flor
Quando nós,
Quando todo mundo flor.

Renato Rocha

Esta é uma publicação de responsabilidade do Movimento Nacional” Para cuidar da profissão”, pago com recursos próprios de seus membros, integrado por muitos Psicólogos, que hoje participam da direção do Conselho Federal de Psicologia e de vários conselhos regionais.
Os textos aqui apresentados expressam a contribuição do coletivo que hoje responde pela direção do Conselho Federal de Psicologia.
Arte: Sandra Cardoso Lopes Impressão e fotolito: Cromograf 47 3551393 Blumenau – SC tiragem: 5 mil exemplares.

Construir um Futuro para a Profissão 2000

 Memória  Comentários desativados em Construir um Futuro para a Profissão 2000
nov 112000
 

Esse material foi produzido em 2000. Pretendia divulgar o movimento e chamar para convenção que se realizou durante a I Mostra Nacional de Práticas em Psicologia, São Paulo, outubro de 2000.

Futuro
O futuro que queremos construir
SE MUITO VALE O QUE
FOI FEITO
MAIS VALE O
QUE SERÁ

Milton Nascimento

Pensar o futuro, como projeto, é uma tarefa que exige a mistura, na medida certa, de realidade e de sonhos, de possibilidades e impossibilidades, de necessidades e urgências. Isto faz dela, uma tarefa difícil. Mas é preciso ousar na resposta a pergunta: que Psicologia queremos?

Queremos uma Psicologia a serviço da população brasileira: queremos romper com a tradição de uma profissão elitista, para construir uma Psicologia comprometida com as demandas de um país pobre e campeão de desigualdades sociais. Nossa ciência e nossa profissão podem contribuir muito para a construção de condições dignas de vida. É isto que precisamos ter como projeto. Nossa profissão ficou durante muitos anos reservada a pessoas que, com alto poder aquisitivo, podiam comprar nosso serviço. Não queremos ter uma profissão restrita a alguns. Sabemos da Importância de nosso trabalho e queremos que muitos possam ter acesso a ele.

Queremos uma psicologia que fale do homem e da vida vivida por ele. Precisamos superar visões que enclausuraram o psicológico no homem e o tomaram como algo íntimo, sem conexão ou relação direta com a realidade social. É preciso construir saberes que, ao falarem do homem e de seu mundo psicológico, falem do mundo social. Precisamos desenvolver visões mais abrangentes do fenômeno, para que possamos ampliar nossa Intervenção na sociedade, É preciso que tenhamos uma profissão capaz de responder às necessidades sociais, senão corremos o risco de não termos espaço e nem mesmo demanda social para ela.

Queremos uma Psicologia que seja capaz de reunir os psicólogos na busca pelas respostas para as necessidades da população brasileira, respeitando a diversidade teórica que nos caracteriza. Apresentar esta diversidade é uma qualidade de nossa ciência e de nossa profissão, mas exige que busquemos a unidade no esforço de responder às demandas da sociedade.

Queremos uma categoria de psicólogos organizada em torno de suas entidades, construindo coletivamente projetos. O futuro da Psicologia não deve ser tarefa para alguns iluminados; deve ser um trabalho coletivo, de muitos, e para isto é preciso que sejam construídos espaços que tornem possível o debate e a construção coletiva. Por isto ê preciso que sejam fortalecidas as várias entidades que já possuímos.

Queremos uma Psicologia que, tomando o passado como sua referência, se insira na sociedade e, de modo comprometido, supere o passado e inaugure o presente, construindo-o com multas mãos e idéias, guiada pela certeza de que devemos colocar sempre nossa profissão e nossa ciência a serviço da transformação de nossa sociedade.

Identidade
7 pontos básicos para uma definição da nossa identidade.

I O futuro da Psicologia brasileira nos diz respeito e nos interessa muito. Nos, psicólogos, professores e estudantes, devemos buscar intervir na sua construção, segundo um projeto que expresse democraticamente a nossa vontade, organizada institucionalmente, através das entidades, grupos e movimentos. O futuro da Psicologia não pode ficar à mercê dos interesses do comércio da educação, ou dos burocratas ministeriais e muito menos das posturas coorporativistas ou elitistas de certos grupos profissionais,

II A fragilidade institucional das nossas entidades precisa ser superada. Ela é incompatível com as dimensões e Importância social, assumidas pela Psicologia brasileira. As nossas entidades precisam ser multiplicadas, fortalecidas e apoiadas, O pressuposto do seu fortalecimento é a sua identidade com os interesses dos psicólogos e os da sociedade brasileira. O trabalho conjunto entre as entidades, o apoio recíproco, a ausência de competições em torno de objetivos comuns, deve ser uma regra operativa do trabalho interinstitucional. Construir lideranças significa romper com todo o personalismo e instaurar processos coletivos de trabalho e decisão.

III. A fragmentação da Psicologia não deve nos intimidar. Devemos, enquanto entidades, trabalhar com essa diversidade que nos constituí enquanto campo, sem preconceitos e de forma dialogante. Isso não significa abrir mão da busca do estabelecimento dos consensos mínimos sobre a nossa ciência e profissão, sempre através de mecanismos participativos e abertos, Não devemos recuar diante da necessidade do estabelecimento de regras ou normas de funcionamento profissional, tendo em mente que eles sempre refletem uma provlsorledade, mas balizam as nossas expectativas, e da comunidade. Assim, nada do que é Psicologia nos é estranho enquanto Interesse.

IV. Cuidar significa “tomar a seu cargo”. Cuidar é o oposto a negligência, a displicência, “Cuidar da profissão’, significa estabelecer uma relação de “encarregados” de todos os interesses profissionais, dos maiores aos menores. Isso significa trabalhar estrategicamente, desenvolvendo a percepção das necessidades e das prioridades profissionais. Cada ação institucional deve ser analisada por esse crivo antes de ser Implementada. A principal fonte de recursos para resolvermos os problemas da nossa profissão está dada, na riqueza e na pluralidade de pessoas e grupos que a constituem. Hoje a Psicologia brasileira já é detentora de uma competência no seu interior que pode e precisa ser mobilizada para o avanço coletivo da profissão. 0 papel de nossas entidades é catallzar esta potência e fazê-la reverte a favor dos interesses sociais maiores.

V. A gestão dos recursos institucionais é coisa sagrada, A honestidade, a transparência, a probidade e a parcimônia devem constituir-se em elementos políticos de primeira grandeza, nas nossas gestões. Os princípios da finalidade, da impessoalidade, da economia são balizadores no trato da coisa publica. A vigilância e o cuidado com o patrimônio institucional é responsabilidade política dos dirigentes e dos seus colaboradores.

VI. Democracia é democracia e não comporta adjetivos. Ela deve se expressar em todas as dimensões internas e externas, nas nossas gestões. E preciso garantir a ampla difusão das informações que são necessárias à participação no interior dá nossas entidades. É preciso garantir espaços de expressão e posicionamento, sobretudo para o pensamento que nos é critico e divergente. Os órgãos de nossas entidades não podem ser utilizados como tribunas particulares dos que estão nas suas direções. E preciso garantir o direito à participação nos temas de interesse geral através de assembléias, fóruns e congressos. Nós defenderemos sempre a democracia direta, àquela que implica a possibilidade da presença física dos sujeitos políticos, no debate público e a sua mobilização. Nós acreditamos que a organização coletiva sempre produz pensamentos mais adequados do que qualquer grupo de “iluminados”. É preciso romper com todos os resquícios do “patrimonialismo”, que significa gerir de acordo com os interesses dos grupos particulares, das personalidades ou dos “apadrinhados”. A isonomia de oportunidades para que todos os interesses se expressem, é o pressuposto básico para uma gestão democrática.

VII 0 futuro da Psicologia brasileira passa pela sua capacidade de se fazer útil à maioria da população brasileira. Não existe contradição entre “Cuidar da Profissão” e o desenvolvimento de uma luta em prol de uma sociedade justa e democrática, da luta em prol dos Direitos humanos, da construção de uma Psicologia que tenha compromisso social, Não existe contradição entre o desenvolvimentos técnicos científico da Psicologia e a prática eticamente responsável com os nossos problemas nacionais. As nossas identidades, no plano internacional, devem valorizar preferencialmente as aproximações com as produções criticam dos países latino-americanos, com os quais guardamos identidades na condição de paises periféricos, avassalados pelo neoliberalismo oportunista.

PS – Por uma questão de estilo : Queremos amadurecer geracionalmente como Psicólogos, nos orgulhando da profissão que escolhemos, valorizando a sua história .acumulando conhecimentos e experiências, mas conservando um sabor de juventude na nossa forma de ser e de agir. A alegria, o humor e a paixão devem ser sempre, os antídoto contra os formalismos, contra a sisudez, contra a política convertida em fardo e dor. E assim que acreditamos que seja o Cuidar da Profissão !

Política
Psicologia e Política

O que você prefere: Psicologia ou Política? Há quem diga que não faz política, só faz psicologia, Nessa caso, os demais são apontados como quem só faz política e não psicologia. É dito que os interessados em política engendram uma partldarizaçao da psicologia.
Nós fazemos psicologia e fazemos política. Nossa psicologia deixa claro a que políticas quer atender. Nossa política é produzir uma psicologia forte e capaz de atender as necessidades do povo brasileiro e latino-americano.

Na verdade, todos estamos fazendo política. Por exemplo, quando alguém propõe uma diretriz curricular que foge do que foi estabelecido por centenas de profissionais e entidades representativas, está fazendo política. Quando a diretriz proposta se aproxima dos postulados de FHC e do Banco Mundial, a perspectiva dessa política é mais evidente.

Nossa política é fazer política as claras, a luz do dia, de forma pública. Com critérios que possam ser explicados em voz alta e sem eufemismos.

Nossa política é fazer psicologia. Uma psicologia que tenha seus olhos voltados para toda a população brasileira. Se possível, que dê alguma ênfase às maiorias sempre esquecidas peio estado brasileiro.
Nossa política é fazer uma política que explicite os projetos que estão em jogo para o seu desenvolvimento. Chega de pensar a evolução da psicóloga como algo casual ou espontâneo. Vamos discutir esses projetos e construir um que dê conta de nossas contradições e de nossa criatividade.

Nossa política é apostar no novo, no que está porvir. A ditadura do pensamento único e do fim da história vai acabar. Os povos latino-americanos já começaram a derrubar os governos neoliberais. Nos países ricos os protestos contra a Organização Mundial do Comércio, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial não param de ganhar manchetes.

Enfim nossa política é tomar partido. Tomar partido ao lado de tantos psicólogos que reinventam a psicologia no seu dia a dia, mas não têm espaço para divulgá-la e torná-la reconhecida. Tomar partido ao lado do povo brasileiro.
Nossa política é de convidar todos os psicólogos para conjugarem o verbo flor.

Verbo Flor
O verbo é conjugável em quase todas as pessoas
Em certos tempo definidos, a saber
Quase nunca no outono
No inverno quase não,
Quase sempre no verão
E de,ais na primavera,
Que no coração poderá durar
E ser eterna,
Se o coração conjugar:
Quando eu flor, quando tu flores
Você flor e ele flor
Quando nós,
Quando todo mundo flor.

Renato Rocha

Esta é uma publicação de responsabilidade do Movimento Nacional” Para cuidar da profissão”, pago com recursos próprios de seus membros, integrado por muitos Psicólogos, que hoje participam da direção do Conselho Federal de Psicologia e de vários conselhos regionais.
Os textos aqui apresentados expressam a contribuição do coletivo que hoje responde pela direção do Conselho Federal de Psicologia.
Arte: Sandra Cardoso Lopes Impressão e fotolito: Cromograf 47 3551393 Blumenau – SC tiragem: 5 mil exemplares.

Um Conselho para Cuidar da Profissão

 Memória  Comentários desativados em Um Conselho para Cuidar da Profissão
nov 111996
 

Esse documento que segue foi já um segundo documento. O primeiro era idêntico a esse, mas assinado apenas por Ana Bock, Marcus Vinicius e Francisco Viana. Com a chapa 2 montada, reproduzimos o documento e ele circulou pela internet já indicando os nomes dos componentes da chapa. Sua data deve ser maio de 1996.

Por uma articulação pública, aberta e democrática para a discussão de uma Política Nacional para os Conselhos de Psicologia

1. Em agosto deste ano, com a realização do II CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, organizado pelos Conselhos Profissionais, mais um importante passo estará sendo dado para a implementação das transformações sociais, políticas e jurídicas dessas instituições, sobretudo do Conselho Federal, de maneira a melhor adequá-las às urgências profissionais que afligem aos mais de 90.000 psicólogos brasileiros.

2. Para uma melhor compreensão desse momento, é necessário que nos reportemos a uma caminhada democratizante que nos remete ao início dos anos 80, quando forças progressistas venceram uma disputa política que afastou da direção do Conselho Federal de Psicologia um segmento mais conservador, responsável, por exemplo, pela concessão do título de psicólogo honorário ao Presidente Médici. Desta maneira, no período subseqüente, não foi estranho encontrar essa entidade na Luta pelas Diretas e em outras campanhas vinculadas a redemocratização da sociedade brasileira e aos direitos humanos.

3. Do ponto de vista interno, o processo de democratização das relações entre Conselho Federal e Conselhos Regionais se expressou através da implementação de um Conselho Consultivo, como instância comum de formulação dos projetos de ação nacional da autarquia que, extrapolando os rígidos mecanismos jurídicos autárquicos, introduziram a livre discussão política como método de relacionamento da comunidade formada pelos conselheiros federais e regionais. Operando com base no consenso, o que era muito limitativo, o Conselho Consultivo seria substituído, a partir dos anos 90, por um Conselho Deliberativo, que mantinha a mesma finalidade, com maior poder decisório.

4. Do ponto de vista da categoria, esse processo democratizante refletiu-se na mudança da prática política da maioria dos Conselhos Regionais, que assumiram uma postura de diálogo com os colegas, abrindo espaços de debate sobre a profissão e discutindo o caráter fiscalizador da entidade; além disso, implementaram eleições diretas para o Conselho Federal, rompendo com a prática de sua indicação pelos plenários dos Regionais.

5. Do ponto de vista político, a grande conquista democratizante da autarquia se daria em 1989, quando pela primeira vez na sua história, realiza um evento nacional, organizado e promovido conjuntamente com as entidades sindicais da categoria (Fenapsi e Sindicatos/ Associações) e composto por delegados eleitos nas bases, concretizando uma nova forma de fazer política. Frágil e limitado na sua capacidade de aprofundar as discussões, a realização do CONGRESSO NACIONAL UNIFICADO representou para a autarquia a afirmação de uma possibilidade de participação direta dos psicólogos na formulação dos seus interesses maiores.

6. Em 1991, o CFP realizou um Encontro de Plenárias em Belo Horizonte. Este evento poderia ter representado um relativo retrocesso nesse processo de inclusão da categoria nas discussões da autarquia, se não fosse sua decisão final de realização de um PROCESSO CONSTITUINTE, o qual resultou no vitorioso I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, realizado em 1994, em Campos do Jordão/SP.

7. Nós, que nesse momento assumimos a proposta de construção desta articulação, consideramos o I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA como um marco indiscutível de uma nova era institucional para essa autarquia e para o futuro de nossa profissão. Apesar dos evidentes limites, esse evento nos fez avançar na afirmação da democracia direta como método de enfrentamento das dificuldades da profissão, pois permitiu que nos debruçássemos sobre amplo material a respeito de nossa formação, nosso exercício profissional e nossa organização política, nos desafiando na busca de soluções para os problemas e exigindo um redesenho de nossa configuração institucional.

8. Fóruns específicos, como os que sucederam o I Congresso, poderão contribuir na formulação de posições sobre os problemas existentes, que serão homologadas na forma adequada pelas instâncias institucionais adequadas. A regularidade do fórum congressual, de caráter nacional a cada 3 anos, nos oferecerá um referencial para a organização de uma Agenda de Discussões que atualize as posições da categoria, unificadas nacionalmente, sobre vários aspectos críticos da profissão, definindo políticas nacionais que deverão balizar as nossas intervenções institucionais na conjuntura social brasileira.

O LUGAR DA FUTURA ELEIÇÃO NACIONAL NESSE PROCESSO
9. Ao lado dessa inovadora e progressista perspectiva, o I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, ao alterar a composição política e a forma de eleição da direção do Conselho Federal de Psicologia, trouxe novas responsabilidades em termos da participação de todos os interessados na construção de uma Política Nacional para a Autarquia, a serem encampadas por uma CHAPA NACIONAL que, efetivamente contemple os interesses das forças políticas comprometidas com esse processo de transformação.

10. Para nós o sucesso do atual projeto de mudanças, que deverá ser aprofundado durante o II CONGRESSO NACIONAL, passa hoje pela construção de uma articulação pública, aberta e democrática, que precedendo a sua realização e superando as limitações geográficas hoje existentes, crie um espaço e uma oportunidade de participação para que as idéias sobre o futuro da entidade possam efetivamente ser conhecidas e debatidas, oferecendo visibilidade às eventuais divergências e enriquecendo o debate político. Tal é a nossa disposição ao dispararmos essa iniciativa, que a partir de agora encontra-se aberta para adesão dos interessados.

UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO EM UMA CONJUNTURA DE CRISE…
11. Como se não bastassem as dificuldades epistemológicas que fundam a Psicologia, a história de sua institucionalização como profissão no Brasil incluiu uma série de pressões sociais, cujos efeitos, hoje, questionam o seu próprio futuro enquanto atividade profissional, colocando em risco a sua própria existência.

12. Sem grandes enraizamentos na tradição cultural e intelectual brasileira, convertida em profissão a partir de 1962, a Psicologia viveu vertiginoso crescimento que nos prepara uma entrada no ano 2000 com um contingente de mais de 100.000 psicólogos, fortemente concentrados nos grandes centros urbanos e nas regiões do país mais desenvolvidas economicamente. Essa ausência de enraizamentos anteriores e o caráter vertiginoso de seu crescimento são elementos importantes para caracterizarem as dificuldades vividas pela profissão nesse momento.

13. Um primeiro efeito significativo dessa trajetória diz respeito aos limites da institucionalização acadêmica da Psicologia no Brasil e o seu impacto no processo de formação dos profissionais psicólogos. Com tal ordem de crescimento, torna-se inevitável perguntar pelos inexistentes processos de preparação docente e seus reflexos no caráter banalizador da transmissão de conhecimentos operado durante a formação das primeiras gerações profissionais, por sua vez formadora das próximas. Por outro lado, quando se considera que a expansão de ofertas de vagas em psicologia esteve associada ao movimento privatizante do ensino, em escolas empresas, em sua maioria sabidamente de má qualidade, pode-se ter o dimensionamento das dificuldades enfrentadas em termos da qualidade da mão de obra tornada disponível.

14. Do ponto de vista estritamente profissional, como sucessivas pesquisas tem evidenciado, essa multiplicação desordenada de psicólogos criou impasses em relação ao mercado de trabalho estabelecido, incapaz de absorver no seu crescimento vegetativo, todo esse contingente de profissionais. Abandono da profissão, predominância da dedicação parcial, subemprego, baixos salários, aviltamento das condições do exercício profissional são apenas algumas das conseqüências das pressões mercadológicas.

15. Fortemente identificada com uma prática de caráter clínico, o exercício profissional dos psicólogos assume uma perspectiva elitista e liberal, onde a saturação do mercado, definida pelo seu caráter limitado em termos de capacidade de financiar o consumo de serviços psicológicos, leva a uma exigência de diversificações e novidades em torno do mesmo tema, fazendo eclodir, entre nós profissionais, a adoção das chamadas “práticas alternativas”, como forma de encontrar um espaço diferenciado nesse mercado tão competitivo.

16. Por outro lado, ao se vincular aos signos da Individualidade e da Subjetividade, enquanto dois pilares centrais da construção da cultura da Modernidade, o espaço da Psicologia se vê tencionado também pelo assédio da Mídia e por toda uma gama de interesses que sabem que “o psicológico” é um poderoso instrumento de marketing.

17. Impactados por toda essa conjuntura, as organizações sociais constituídas pelos psicólogos(Sindicatos, Sociedades, Associações e principalmente os Conselhos)têm se revelado frágeis e atônitas frente à complexidade e variedade dos problemas a serem enfrentados, com uma pequena capacidade de tomar iniciativas e posicionamentos, como se o futuro pudesse, sem as intervenções da categoria, trazer as soluções.

18. Sobretudo os Conselhos de Psicologia, que têm o papel regulamentador da profissão, têm se mostrado tímidos frente a essa tarefa, deixando desnorteados os profissionais que a eles se dirigem em busca de referências. Sem dúvida alguma, o avanço do processo de organização, consubstanciado no I CONGRESSO NACIONAL DA PSICOLOGIA, representa uma grande possibilidade de superação desta inércia, na medida em que, através dos Congressos, a categoria emprestará autoridade para que essa entidade se movimente com mais legitimidade em seu nome.

19. Nesse contexto de perspectivas extremamente desfavoráveis para o nosso futuro, entendemos fazer sentido um chamamento às forças interessadas na construção de um projeto político, que assuma como sua prioridade fazer do Conselho Federal o espaço nacional de aglutinação de um projeto “para cuidar da profissão”. Entendemos ser preciso romper com posições hesitantes e enfrentar as incertezas que caracterizam nosso campo psicológico com uma postura corajosa, capaz de trazer definições e traçar limites, ainda que de forma provisória.

20. Assumir a perspectiva do “Conselho para cuidar da profissão” não significa em hipótese alguma ceder aos reclames corporativos que nesse contexto emergem como solução. Num contexto político nacional, em que forças reacionárias, organizadas no governo FCH, pregam a política neoliberal de desmontagem do Estado, “cuidar da profissão” significa exatamente o engajamento radical na luta pela expansão dos serviços públicos e na defesa dos direitos de cidadania. É preciso ter clareza que não existe hoje contradição entre os interesses profissionais da grande maioria dos psicólogos desempregados e sub-empregados e as lutas da população na exigência do direito à saúde, à educação, ao trabalho e à terra. Portanto, nosso Conselho Nacional precisa desenvolver uma ação competente que possa consolidar a liderança institucional junto à própria categoria, lutando sempre para viabilizar uma prestação de serviços éticos e de boa qualidade para a população.

21. Cuidar da profissão significa também, dessa maneira, fazer um investimento no desenvolvimento de uma competência institucional, através de uma adequada capacitação técnica e humana, que possa garantir, ao seu gerenciamento administrativo e político, eficiência e qualidade. Nesse contexto de problemas enfrentados pela profissão, a gestão do Conselho Nacional deve ser uma alavanca para a superação da desinformação e do amadorismo que às vezes marcam a gestão de nossas entidades. Buscar criar condições para a capacitação técnica dos gestores e dos seus colaboradores, tanto do ponto de vista administrativo, quanto político, passa assim a ser, mais do que uma meta burocrática, uma tarefa coletiva de todas as suas unidades institucionais.

22. Por outro lado, tal ordem de questões nos coloca necessariamente frente a uma reflexão acerca do papel e do relacionamento dessa instância nacional para com as instâncias regionais. Para nós o apoio à proposta de autonomização crescente dos Regionais, francamente majoritária no I CONGRESSO NACIONAL, não deve e não pode significar uma criação de obstáculos à construção da unidade de ação política da autarquia como um todo. A autonomia dos Regionais não pode significar a constituição de normas de exercício estritamente locais, que colocasse psicólogos de diferentes regiões submetidos a diferentes regimentos profissionais. Torna-se então necessário identificar a melhor forma de garantir uma unidade nacional das regulamentações profissionais. Por outro lado, entendemos que o processo de constituição de uma DIRECÇÃO POLÍTICA passa necessariamente pela construção comum de uma Agenda de Discussões capaz de traduzir prioridades e responsabilidades de cada um.

23. Tendo em vista, que nesse primeiro texto, pretendemos estar contribuindo para a abertura de discussões públicas sobre as futuras eleições do CNP, com vistas à construção de um processo político que não se resuma num processo privado de organização de chapas, consideramos convidados todos os interessados na seqüência desse processo. Neste momento, considerando as limitações geográficas, estamos documento pelo correio eletrônico (Internet), bem como de fazermos circular o material que nos seja enviado.

24. Imaginamos que o processo de preparação e organização dos Congressos Regionais deva se constituir em espaços privilegiados para a expansão deste debate, na direção de construirmos um projeto político mais unificado nacionalmente. Estamos prevendo para 12/13 de julho uma conferência nacional aberta desta articulação a ser realizada possivelmente em São Paulo, momento no qual a produção deste processo poderá ser sintetizada, oferecendo visibilidade aos consensos e dissensos, que caso sejam insuperáveis poderão, no nosso entender, dar origem a tantas chapas quantos forem os agrupamentos que ali se produzirem. Obviamente, ao dar início a este processo, temos expectativas de que, superando os limites pessoais e regionais,possamos construir abrangentes consensos, reunindo, em torno de um mesmo programa, todas aquelas forças que têm, há mais de uma década, buscado construir uma autarquia mais competente e mais democrática.

Chapa 2: UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO:

EFETIVOS:
presidente: Ana Mercês Bahia Bock -SP
vice-presidente: Francisco José Machado Viana -MG
secretário: Marcus Vinícius de Oliveira Silva -BA
tesoureiro: José Carlos Tourinho e Silva –SE
diretoria região Norte: Jorge Moraes Costa –PA
diretoria região Nordeste: Laeuza Lúcia da Silva Farias –AL
diretoria região centro-Oeste: Deusdet do Carmo Martins –GO
diretoria região Sudeste: Ernesto J. Santos –RJ
diretoria região Sul: Álvaro Luiz de Aguiar –SC

SUPLENTES:
Marcos Ribeiro Ferreira -SC
Marta Elizabeth de Souza -MG
Odair Furtado -SP
Rosa Maria Benedetti Albanezi -DF
Candida do Socorro Conte de Almeida -PA
Francisco Eduardo da Costa -CE
Maria de Lourdes J.Contini -MS
Jorge Broide -SP
Julieta Arsenio –PR

Um Conselho para Cuidar da Profissão II

 Memória  Comentários desativados em Um Conselho para Cuidar da Profissão II
nov 111996
 

Neste segundo documento de campanha, começamos a caminhar mais para uma plataforma eleitoral. É também um documento de 1996.

No primeiro documento que elaboramos, fizemos uma pequena análise da situação conjuntural de nossa profissão. E apontávamos… “Nesse contexto de perspectivas extremamente desfavoráveis para o nosso futuro, entendemos fazer sentido um chamamento às forças interessadas na construção de um projeto político, que assuma como sua prioridade fazer do Conselho Federal o espaço nacional de aglutinação de um projeto “para cuidar da profissão…”

Apontávamos alguns aspectos deste projeto:
“…engajamento radical na luta pela expansão dos serviços públicos e na defesa dos direitos de cidadania…”
“…fazer um investimento no desenvolvimento de uma competência institucional, através de uma adequada capacitação técnica e humana…”

Aqui pretendemos desenvolver um pouco mais nosso projeto.
Depois de pelo menos 10 anos pesquisando, questionando, debatendo nossa profissão, temos hoje alguns consensos:

  • é preciso superar o modelo médico que tem caracterizado nossa profissão
  • é preciso construirmos uma prática que coloque nossos serviços ao alcance da maioria da população
  • é preciso atuarmos visando a promoção do bem estar do indivíduo e da comunidade. O psicólogo é um profissional da saúde e deve trabalhar para promovê-la
  • é preciso superarmos uma formação que nos ensina apenas a reproduzir Psicologia para então passarmos a criar Psicologia

Enfim, consciência de nossos problemas e mesmo a clareza de algumas soluções nós parecemos ter. O que nos falta então?
Nos falta ousar por em prática, através de nossas entidades, alguns procedimentos que contribuirão para o avanço. Não basta termos consciência dos problemas; é preciso atuar, intervir na realidade.

As gestões do Conselho Federal de Psicologia tiveram o grande mérito de abrir o espaço da entidade para o debate, contribuindo para que todas estas questões fossem apontadas. Agora é preciso transformar nosso conhecimento sobre a profissão e seus problemas em ação.
É preciso construir ou reformular os instrumentos de comunicação com a categoria para que possam levar a cada psicólogo este debate; para que possam levar a cada psicólogo propostas e alternativas para a prática de cada um, propostas acompanhadas de sua fundamentação teórica;
É preciso dialogar com as agencias formadoras dos psicólogos, porque aí está a fonte de grande parte de nossas questões e talvez a fonte de grande parte de nossas soluções. Não devemos ser ingênuos acreditando que nossos problemas se localizam exclusivamente na formação; estaríamos sendo simplistas e superficiais em nossas análises, pois a formação dos psicólogos reflete uma sociedade e uma ciência neo-liberais, tecnicistas que ignoram as desigualdades existentes e estão baseadas na política da exclusão. É preciso, portanto, entender a questão da formação dentro de um contexto social onde ela ocorre e que lhe empresta características e propriedades.
Assim pretendemos um debate aberto e histórico com as agencias formadoras. É preciso dialogar, principalmente com as Universidades públicas que sempre foram as agencias de ponta na formação de nossos profissionais. Que psicólogo estão formando? Estão ensinando que visão de homem e de sociedade? Que prática profissional estão estimulando? As Universidades públicas devem ser a referência, devem ser o carro chefe de nossa formação. Nosso debate deve se iniciar aí.
Nessas escolas é preciso debater o modelo de serviço que está instituído através dos estágios. Como andam os Serviços de Psicologia Aplicada? As Clínicas Psicológicas? Como podemos desejar que nossos profissionais se comprometam com um atendimento e uma Psicologia para a maioria da população se nossas clínicas estão construídas a partir do modelo da prática autônoma da Psicologia? Temos muito que debater.
Outro ponto importante nesse diálogo é a possibilidade de entendermos a Psicologia fundamentalmente como uma ciência e não simplesmente como uma profissão. Ver a Psicologia como ciência significa repensar a profissão a partir do ponto de vista da ciência. Temos freqüentemente analisado nossa profissão pensando-a como uma prática profissional, portanto como conjunto de métodos e técnicas de intervenção. E pensamos que a prática que sabemos desenvolver poderia ser melhor aproveitada, poderia se expandir etc…Mas é preciso pensá-la de uma outra perspectiva: a da ciência. Há uma realidade social e humana que apresenta para a ciência problemas; cabe à ciência, a partir desta realidade e sempre colada a ela, investigar, pesquisar e construir formas de superar as dificuldades e necessidades apresentadas. Talvez se fizéssemos isto chegássemos à conclusão que é preciso redirecionar nossa profissão para uma prática educacional, junto aos milhares de alunos de nossas escolas públicas onde o fracasso é hoje a maior característica; junto aos trabalhadores para a obtenção de condições saudáveis de trabalho; junto à população, nas unidades de saúde, para construirmos coletivamente as condições saudáveis de vida. Estes são exemplos apenas de uma reversão na direção de nossa formação; talvez não sejam estas as prioridades, mas com certeza não são prioridades as práticas que insistimos em ensinar.
Superar o modelo médico/ clínico de atuação é outro ponto que tem merecido nossa atenção. Pensamos que a superação deste modelo passa inevitavelmente pelo debate da visão de homem e de sociedade que fundamentam nossos conhecimentos e prática. A visão do homem autônomo, independente, ahistórico precisa ser superada; um homem que se autodetermina; que é responsável único pelo seu processo de individuação são aspectos que merecem nossa atenção para que possamos iniciar o trabalho, com certeza longo, de superação.
É preciso ainda que estejamos dispostos a colocar tudo na mesa, sem medo. Este medo que tem aparecido em pesquisas sobre nossa profissão: o medo do novo; a insegurança do não saber fazer sempre que a situação é outra que não aquela aprendida/vivida na faculdade. O debate corajoso de nossas questões é ponto de honra quando se pretende cuidar da profissão, pois cuidar da profissão não é trabalhar para mantê-la como está; trabalhar para cuidar da profissão é ousar expor nossos problemas e fragilidades, nossas ignorâncias e desconhecimentos para construir uma Psicologia que seja realmente importante e necessária para a sociedade brasileira.

Esperamos sua colaboração. Convidamos você para esta luta!

Chapa 2 UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

EFETIVOS:
presidente: Ana Mercês Bahia Bock – SP
vice-presidente: Francisco José Machado Viana – MG
secretário: Marcus Vinícius de Oliveira Silva – BA
tesoureiro: José Carlos Tourinho e Silva – SE
diretoria região Norte: Jorge Moraes Costa – PA
diretoria região Nordeste: Laeuza Lúcia da Silva Farias – AL
diretoria região Centro-Oeste: Deusdet do Carmo Martins – GO
diretoria região Sudeste: Ernesto J. Santos – RJ
diretoria região Sul: Álvaro Luiz de Aguiar – SC

SUPLENTES:

Marcos Ribeiro Ferreira – SC
Marta Elizabeth de Souza – MG
Odair Furtado – SP
Rosa Maria Benedetti Albanezi – DF
Cândida do Socorro Conte de Almeida – PA
Francisco Eduardo da Costa – CE
Maria de Lourdes J. Contini – MS
Jorge Broide – SP
Julieta Arsenio – PR

Material de Campanha 1996

 Memória  Comentários desativados em Material de Campanha 1996
nov 111996
 

Feito e distribuído já próximo às eleições: novembro de 1996

No dia 28 de novembro os psicólogos estarão elegendo a nova diretoria do Conselho Federal de Psicologia. Eleições diretas! Uma vitória da categoria. Não deixe de votar.

CHAPA 2 – UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

Para nós democracia é coisa muito séria. Por isso entendemos que construir uma chapa para concorrer às eleições do CFP é mais do que juntar um punhado de nomes.

O novo patamar de organização política, representado pelas transformações decorrentes do I Congresso Nacional da Psicologia, nos desafia a renovar os velhos hábitos políticos vigentes.

Por isso desde o começo temos procurado construir uma articulação de forma pública, aberta e democrática.

O MÉTODO DEMOCRÁTICO COMO PRESSUPOSTO
Para nós, democracia tem que se concretizar nas práticas cotidianas:

  • em um compromisso com a mais ampla circulação de informações que garanta possibilidade da participação de todos os interessados;
  • em um relacionamento ético e dialogante entre os diversos níveis institucionais e entre esses e a categoria;
  • na construção de processos coletivos que possibilitem a multiplicação dos atores institucionais;
  • na responsabilidade pessoal dos dirigentes para com as decisões emanadas dos fóruns de deliberação coletiva.

O CFP COMO INSTITUIÇÃO ESTRATÉGICA

As organizações sociais constituídas pelos psicólogos têm se revelado frágeis e atônitas frente à complexidade e variedade dos problemas da Psicologia, enquanto ciência e profissão.

Nesse contexto de crise, entendemos que o CFP joga um papel fundamental como agenciador de processos que possam aglutinar as várias formas organizativas construídas pela categoria, no enfrentamento desta fragilidade.

Concretamente isso significa que o CFP deve atuar buscando construir alianças e parcerias entre os diversos grupos da profissão -acadêmicos, profissionais, de formação.

Certamente esse processo tem como pressuposto a construção de um relacionamento sincero e solidário entre as unidades da autarquia.

CUIDAR DA PROFISSÃO: PRIORIDADE NÚMERO 1

Entendemos que os limites da institucionalização das entidades da Psicologia no Brasil produziram uma situação de inércia e abandono da profissão que tem ficado ao sabor da aleatoriedade das circunstâncias.
Nesse contexto, CUIDAR DA. PROFISSÃO significa:

  • A ousadia de enfrentar as urgências da profissão com a construção coletiva de demarcações relativas ao exercício profissional, produzindo concretamente a identidade da profissão;
  • Fazer avançar o processo de reflexão e atuação no campo da ética profissional, que evolua do registro da prestação de serviços para um compromisso da categoria com a construção da cidadania,
  • Assumir a luta pela constituição de um espaço institucional próprio para a abordagem das questões da formação acadêmica, nos moldes das associações brasileiras de ensino das diversas profissões;
  • Viabilizar o acesso dos profissionais a processos de reciclagem, através da constituição de um programa de educação profissional continuada que contribua para a melhoria da qualificação dos serviços prestados à comunidade,
  • Realizar uma gestão administrativa competente, através da adoção de instrumental técnico gerencial, de forma a tornar nossa entidade ágil e eficaz, zelando pela boa utilização dos seus recursos financeiros;
  • Intervir nas políticas públicas buscando articular os interesses de uma política da profissão com a luta pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro;
  • Romper com o isolamento internacional da Psicologia brasileira, integrando-a no contexto do desenvolvimento técnico científico mundial e buscando laços de solidariedade e intercâmbio no plano profissional, dando especial atenção à integração regional no Mercosul;
  • Desenvolver uma atenção especial para com as entidades sindicais dos psicólogos -FENAPSI e sindicatos- buscando desenvolver parcerias em torno de objetivos comuns, garantindo a especificidade da atuação de cada uma;
  • Participar ativamente dos fóruns políticos organizadores das diversas entidades representativas da sociedade civil que partilhem dos interesses políticos e profissionais dos psicólogos e suas entidades.

Ao concorrermos nas eleições para o CFP, reafirmamos o nosso compromisso com as decisões do I e II Congressos, bem como a implementação dos processos de transformações institucionais aí decididos.

EFETIVOS
Ana Mercês Bahia Bock – SP
Francisco José M. Viana – MG
Marcus Vinícius O Silva – BA
José Carlos Tourinho – SE
Jorge Moraes Costa – PA
Laeuza L. S. Farias – AL
Deusdet C, Martins – GO
Ernesto J. Santos – RJ
Álvaro L. Aguiar –SC

SUPLENTES
Marcos R. Ferreira -SC
Marta Elizabeth Souza -MG
Odair Furtado -SP
Rosa M,B. Albanezi -DF
Candida S.C. Almeida -PA
Francisco Eduardo Costa -CE
M. Lourdes J.Contini -MS
Jorge Broide -SP
Julieta Arsenio –PR

A CHAPA 2, UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO, está constituída por 18 excelentes colegas, representantes da categoria, que atuam em diversas áreas da Psicologia e militam há muitos anos em entidades e movimentos dos psicólogos e da sociedade civil.

POR QUE ESTAMOS NOS CANDIDATANDO?
Estamos nos candidatando para construir um Conselho para cuidar da profissão. E aqui alguns aspectos merecem destaque:
1o. Entendemos que é preciso dar sentido a atuação do Conselho Federal de Psicologia. É preciso exigir dele o cumprimento de sua função: cuidar da profissão. E só há uma maneira de realmente se cuidar da profissão, que é trabalhando para qualificar sua inserção na sociedade. A qualidade do trabalho prestado por nossa categoria é nossa preocupação central.
2o. Pode-se perguntar se, com essa prioridade, não estaríamos subestimando as necessidades de democratização e agilização da autarquia. E nossa resposta é não. Reivindicamos para nosso grupo a responsabilidade de ter trazido as práticas coletivas e democráticas, como os Congressos, para dentro da autarquia; em 1989, realizamos, com as dificuldades daquele momento, o Congresso Unificado, que reuniu, pela primeira vez na história de nossa categoria, delegados de base, representativos de sindicatos e conselhos, eleitos em suas regiões a partir de um processo de debate e construção e defesa de teses.
Não temos dúvida que esse processo de democratização já foi iniciado. Os dois Congressos Nacionais, as discussões e propostas para a Lei 5766, as propostas de eleição direta com plataforma para a direção do CFP, a proposta de um Conselho não federativo, da construção de um fórum de entidades são alguns exemplos do avanço já obtido. Agora é hora de priorizar a construção de um projeto para qualificar a inserção de nossa profissão na sociedade. É preciso cuidar dela.

COMO PRETENDEMOS FAZER ISSO?
Construindo espaços de reflexão sobre as questões da profissão, como a proposta da criação de uma Associação Brasileira de Ensino da Psicologia, reunindo várias instituições e colegas que vêm acumulando muitos elementos e experiências capazes de melhorar nossa formação.
Criando referências para a categoria, através de uma entidade forte e corajosa, que se manifesta na sociedade civil.
Ousando criar, coletivamente, demarcações relativas ao exercício profissional, produzindo concretamente a identidade da profissão.
Interferindo nas políticas públicas, buscando articular os interesses de uma política da profissão com a luta pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro;
Rompendo o isolamento com os Conselhos Regionais, com as outras categorias, com as outras entidades (em especial os sindicatos e Fenapsi), construindo relações de parceria para um trabalho conjunto guiado por objetivos comuns, respeitadas as especificidades de cada um.
Rompendo o isolamento internacional da Psicologia brasileira, integrando-a no contexto do desenvolvimento técnico científico mundial e estreitando laços, em particular, com a América Latina.
Viabilizar para os psicólogos o acesso à informação e a programas de educação continuada.
Participar ativamente dos fóruns políticos da sociedade civil que partilhem dos interesses políticos e profissionais dos psicólogos e suas entidades.
Reflexão, referência, demarcações, coletivamente, políticas públicas, romper isolamento, informação e educação continuada e fóruns políticos são termos que resumem e constroem nossa proposta para UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO.

Chapa 2: Quem somos nós
Ana M. Bahia Bock: diretora e prof. da Fac. Psicologia da PUCSP, doutoranda Psic. Social, secretária e presidente do Sind. Psicólogos SP, 80/83; 83/86; presidente da FENAPSI 1a gestão. Autora do livro “Psicologias: Uma Introdução ao Estudo da Psicologia .

Francisco J. M. Viana: especialista saúde pública/FIOCRUZ/RJ e adm. hospitalar/FGV/SP; diretor presidente do Sind. Psicólogos de MG 1’gestão; diretor reg. sudeste da FENAPSI 1’gestão; diretor 4 anos do CPP/FHEMIG-Hospital Psiquiátrico para Infância e Adolescência; prof. convidado pós graduação Saúde Mental das Faculdades Newton de Paiva; psicólogo clínico.

Marcus Vinícius de O. Silva: especialista Saúde Mental/FIOCRUZ/RJ, mestre Saúde Comunitária Fac. de Med./UFBa; prof. assistente Dep. de Psicologia da FFCH/UFBa; vice presidente do CRP-4’região 87/88; secretário do CFP/89; vice presidente do CFP/93; presidente do CFP/95; militante do Movimento Antimanicomial, Coord. do Núcleo de Estudos pela Superação dos Manicômios/Ba, Assessor técnico do Hosp. Juliano Moreira.

José C. Tourinho e Silva: mestre Psicologia pela UFPb, prof. assistente e ex chefe do dep. Psicologia da UFSe, conselheiro e tesoureiro do CFP- 1995, assessor na área de Psicologia Org. da Prefeitura de Aracaju, maestro e violonista.

Jorge M. Costa: prof. na Psicologia da UFPa; especialista Teoria e Pesquisa do Comportamento; mestrando em Psicologia; presidente Comissão de Comunicação Social do CRP-10 e vice-presidente do CRP-10/94/96; representante do CRP-10 no C. Est. de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente/Pa.

Laeuza L. da S. Farias: atuando na área institucional/comunitária; coord. no CAPS “Casa Verde” Maceió; coord. executiva do Núcleo Est. de Saúde Mental de Al; prof. de educação em Saúde Pública no curso de especialização -UNAERP, filósofa.

Deusdet do C. Martins: especialista em saúde publica/FIOCRUZ, especialista Psicologia Hospitalar, psicóloga do Ministério da Saúde, ex-vice presidente da Reg. Centro Oeste da Fed. Nac. dos Trab. Saúde e Previdência; conselheira secretária da 1‘gestão do CRP-09.

Ernesto J. dos Santos: membro do Sind. dos Psicólogos/RJ, psicanalista.

Álvaro L. Aguiar: psicólogo da Vara da Infância e Juventude do Fórum de Blumenau; prof. de Sociologia da Univ.Regional de Blumenau; mestrando em Educação, filósofo e historiador, psicólogo clínico.

Marcos Ribeiro Ferreira: prof.de Psicologia da UFSC; vice-diretor (89/90) e diretor )90/91) do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFSC; diretor da Assoc. Prof. dos Psicólogos e presidente do Sind. De Florianópolis; doutorando em Psicologia Social; membro do Comitê Reg. Pela Democratização da Comunicação; membro do Comitê Urbano pela Reforma Agrária de Florianópolis.

Marta Elizabeth de Souza: conselheira presidente do CRP-04/92; coord. De Saúde Mental da Prefeitura de Betim/MG; ex-presidente do Fórum Mineiro de Saúde Mental; ex-vice-presidente do Sind.dos psicólogos de MG.

Odair Furtado: prof. da Faculdade de Psicologia da PUCSP; chefe do departamento de Psicologia Social –95/97 da PUCSP; coord. da rede UNITRABALHO/PUCSP; doutorando em Psicologia Social; suplente do Conselho Fiscal do Sind. Psicólogos SP; autor do livro “Psicologias: uma introdução ao estudo da Psicologia”.

Rosa M’ B. Albanezi:; mestre em Psicologia Experimental; prof. na UNB; conselheira no CFP em 89 e 93/95; trabalha na Assoc. de Aposentados da UNB, pedagoga.

Candida S. C. Almeida: psicóloga em RH na TelePará; ex-presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização do CRP10 1994/96; ex-presidente da Comissão Saúde e Trabalho do CFP, licenciada do Detran.

Francisco Eduardo da Costa: psicólogo organizacional na Rede Ferroviária Federal; especialista em Psicodrama; presidente do CRP-11, gestão 91/94; presidente da Comissão de Ética e de Fiscalização do CRP-11.

Maria de Lourdes J. Contini: prof. da UFMS, prof. pesquisadora do Centro de Estudos da Infância e da Adolescência do MS; doutoranda em Educação na UNICAMP; secretaria da diretoria da sessão Corumbá da ADUFMS-ANDES.

Jorge Broide: mestre em Psicologia Clínica pela PUCCamp, diretor presidente do Centro Latino Americano de Estudos em Saúde Mental que desenvolve pesquisas e trabalhos com crianças e adultos de rua, cursos de formação e consultarias em instituições que trabalham na área social; psicoterapeuta de orientação psicanalítica.

Julieta Arsenio: psicóloga especialista em criminologia; especialista em trânsito.

Documento de Campanha 1996

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nov 111996
 

UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO

Para nós democracia é coisa muito séria. Por isso entendemos que construir uma chapa para concorrer às eleições do CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA é mais do que juntar um punhado de nomes.
O novo patamar de organização política, representado pelas transformações decorrentes do I Congresso Nacional da Psicologia nos desafia a renovar os velhos hábitos políticos vigentes.
Por isso desde o começo temos procurado construir uma articulação de fonema publica, aberta e democrática.

O MÉTODO DEMOCRÁTICO COMO PRESSUPOSTO

Para nós, democracia tem que se concretizar nas práticas cotidianas:

– Em um compromisso com a mais ampla circulação de informações que garanta possibilidade da participação de todos os interessados;
– Em um relacionamento ético e dialogante entre os diversos níveis institucionais e entre esses e a categoria;
– Na construção de processos coletivos que possibilitem a multiplicação dos atores institucionais;
– Na responsabilidade pessoal dos dirigentes para com as decisões emanadas dos fóruns de deliberação coletiva.

O CFP COMO INSTITUIÇÃO ESTRATÉGICA

As organizações sociais constituídas pelos psicólogos têm se revelado frágeis e atônitas frente à complexidade e variedade dos problemas da Psicologia, enquanto ciência e profissão.
Nesse contexto de crise, entendemos que o CFP joga um papel fundamental como agenciador de processos que possam aglutinar as várias formas organizativas construídas pela categoria, no enfrentamento destas fragilidades.
Concretamente isso significa que o CFP desc atuar buscando construir alianças e parcerias entre os diversos grupos da profissão – acadêmicos, profissionais, de formação.
Certamente esse processo tem como pressuposto a construção de um relacionamento sincero e solidário entre as unidades da autarquia.

CUIDAR DA PROFISSÃO: PRIORIDADE Nº 1

Entendemos que os limites da institucionalização das entidades do Psicologia no Brasil produziram uma situação de inércia e abandono da profissão que tem ficado ao sabor da aleatoriedade das circunstâncias.

Nesse contexto, CUIDAR DA PROFISSÃO significa:

– A ousadia de enfrentar as urgências da profissão com a construção coletiva de demarcações relativas ao exercício profissional, produzindo concretamente a identidade da profissão;
– Fazer avançar o processo de reflexão e atuação no campo da ética profissional, que evolua do registro da prestação de serviços para um compromisso da categoria com a construção da cidadania;
– Assumir a luta pela constituição de um espaço institucional próprio para a abordagem das questões da formação acadêmica. nos moldes das associações brasileiras de ensino das diversas profissões;
– Viabilizar o acesso dos profissionais a processos de reciclagem, através da constituição de um programa de educação profissional continuada que contribua para a melhoria da qualificação dos serviços prestados comunidade;
– Realizar uma gestão administrativa competente, através da adoção de instrumental técnico gerencial, de forma a tornar nossa entidade ágil e eficaz, zelando pela boa utilização dos seus recursos financeiros;
– Intervir nas políticas públicas buscando articular os interesses de uma política da profissão com a luta pela melhoria das condições de vida do povo brasileiro;
– Romper com o isolamento internacional da Psicologia brasileira, integrando-a no contexto do desenvolvimento técnico cientifico mundial e buscando laços de solidariedade e intercâmbio no plano profissional, dando especial atenção à integração regional no Mercosul;
– Desenvolver uma atenção especial para com as entidades sindicais dos Psicólogos – FENAPSI E SINDICATOS – buscando desenvolver parcerias em torno de objetivos comuns, garantindo a especificidade da atuação de cada uma;
– Participar ativamente dos fóruns políticos organizadores das diversas entidades representativas da sociedade civil que partilhem dos interesses políticos e profissionais dos psicólogos e suas entidades.

Ao concorremos nas eleições para o CFP reafirmamos o nosso compromisso com as decisões do I e II Congressos, bem como a implementação dos processos de transformações institucionais ai decididos.

Material de Campanha 1996 II

 Memória  Comentários desativados em Material de Campanha 1996 II
nov 111996
 

Esse material de campanha (1996) é interessante, pois traz já a disputa com a Chapa 1, encabeçada por Odair Sass e denominada Consolidação Nacional. Esse material foi divulgado em São Paulo.

“Com satisfação recebemos a notícia de que Ana Mercês Bahia Bock -Diretora da Faculdade de Psicologia da PUC-SP e Odair Furtado – Chefe do Departamento de Psicologia Social- estão se candidatando, na Chapa 2, para o Conselho Federal de Psicologia. Pelo que conhecemos desses colegas temos a certeza de que farão pela categoria dos psicólogos um trabalho tão bom quanto aquele que fazem pela formação dos psicólogos e nas atividades que abrem nossa Universidade para a prestação de serviços à sociedade”
Fernando J. Almeida
Vice-Reitor Acadêmico da PUC-SP

AS DUAS CHAPAS NÃO SÃO IGUAIS

Alarmados com algumas situações que temos vivido, na última hora sentimos a necessidade de alterar o texto que pretendíamos inserir neste espaço. Ocorre que o processo de democratização de nosso Conselho está sendo vilipendiado por procedimentos de alguns colegas que compõem a Chapa l. Infelizmente, vamos precisar tratar desse assunto nesta hora.

Nossa primeira discordância, que nos constituiu como oposição, referia-se ao método de direção com que a chapa 1 está comprometida, incompatível com uma entidade que quer se colocar como referência da categoria para os psicólogos na sociedade brasileira. Os colegas não investiram na mobilização da categoria para o II Congresso Nacional e para as eleições; divulgaram o edital das eleições nacionais apenas uma semana antes da data das inscrições das chapas. Esses procedimentos impediram que muitos psicólogos participassem do processo de discussão da profissão e que se organizassem chapas para concorrer às eleições.

Agora, a diferença aparece na perspectiva ética de construção do processo eleitoral.
As lideranças da outra chapa e alguns de seus apoiadores fizeram de tudo para inviabilizar nossa chapa:

1) pressionaram um companheiro a se retirar de nossa chapa ameaçando destitui-lo de seu cargo na Fenapsi;
2) fizeram promessas e acordos de apoio a formação de novos regionais com o fim de retirar de nossa chapa um companheiro da Paraíba;
3) fizeram acordos no Congresso, abrindo mão de posições aprovadas no Congresso Regional de São Paulo, com o fim de facilitar a unidade de São Paulo-Rio-Paraná nas eleições; e,
4) abriram uma campanha de difamação de nossos companheiros e de nossas intenções.

Mas o problema não parou ai: com a entidade nas mãos, nossos adversários continuaram utilizando métodos de campanha dos quais discordamos:
1) a plataforma da chapa I foi modificada, depois da publicação de nossas propostas, tornando-se parecida com a nossa (os colegas jogam exatamente com a indiferenciação entre as chapas);
2) O CRP 05 (que diz estar apoiando a Chapa 1) publicou um jornal da entidade, onde sequer informou aos psicólogos do Rio que existiam duas chapas concorrendo;
3) em São Paulo, membros da Chapa 1 tiveram acesso às matérias que enviamos para o jornal do CRP-06, antes de sua publicação;
4) de posse desse material, esses colegas viabilizaram uma tentativa de descaracterização do apoio dado a nossa chapa por Madre Cristina;
5)ao que parece, houve um atraso o Jornal do CFP, por responsabilidade de membros da Chapa 1, impedindo o acesso da categoria à informação e ao debate necessário para a decisão do voto;
6) registraram apoios de psicólogos que não foram concedidos.

Parece evidente que a Chapa encabeçada por Odair Sass optou por utilizar os espaços institucionais que pertencem a todos os psicólogos para se construir, ao invés de privilegiar o debate franco e honesto das diferenças nas propostas das duas chapas.

Lamentamos ocupar a sua atenção com esse tipo de informação, mas diante dos graves problemas que ameaçam as nossas eleições não nos resta outra alternativa senão fazer o que achamos mais correto: garantir acesso às questões que estão em jogo e que dizem respeito a uma entidade que é do conjunto dos psicólogos.
Assim, nossa diferença básica é de MÉTODO na condução da entidade e do processo eleitoral.

Para nós democracia é coisa séria. Para nós democracia é princípio. Uma profissão como a nossa, onde a diversidade é característica básica, dado o número de grupos, teorias, correntes diferenciadas, precisa que suas entidades sejam geridas democraticamente, garantindo espaço para essa diversidade. Um grupo que se comporta de maneira oportunista não será capaz de conduzir os conflitos de interesses internos à profissão, não conseguirá construir a Unidade e a Identidade da profissão.

A Chapa 2, Um Conselho para Cuidar da Profissão, quer garantir a entidade como um espaço aberto ao diálogo, para que possamos “colocar tudo na mesa” para um debate corajoso das questões de nossa profissão. Isso é ponto de honra quando se pretende cuidar da profissão, pois cuidar da profissão não é trabalhar para mantê-la como está, mas é ousar expor nossos problemas e fragilidades, nossas ignorâncias e desconhecimentos para construir uma Psicologia que seja realmente importante e necessária para a sociedade brasileira.

O CFP é para nós, da Chapa 2, esse lugar de luta pela profissão; não é fim em si mesmo, é instrumento para fazer de nossa profissão, uma contribuição social indispensável. Queremos estar no CFP para trabalhar pela Psicologia a partir das deliberações dos Congressos Nacionais da Psicologia e poder:

• ousar construir demarcações relativas ao exercício profissional;
• avançar na reflexão sobre a ética profissional;
• constituir um espaço institucional próprio para a abordagem das questões da formação;
• constituir programas de educação continuada para a categoria;
• gerir competentemente a CFP;
• intervir em políticas públicas;
• romper o isolamento da Psicologia;
• desenvolver uma atenção especial para com as entidades sindicais dos psicólogos;
• participar em fóruns políticos na sociedade que partilhem dos interesses dos psicólogos e suas entidades;
• participar com outras entidades de profissionais das lutas da saúde, da educação, enfim as lutas pela melhoria das condições de vida e trabalho;
• trabalhar pela democratização das comunicações em nosso pais;
• fazer circular a Psicologia entre os psicólogos, possibilitando acesso à bibliografia atualizadas, à pesquisas, publicações estrangeiras e experiências de trabalho inovadoras, utilizando recursos da informática;
• fortalecer a organização conjunta de psicólogos dos países que compõem o MercosuL

Tudo isso só é possível se a categoria estiver conosco; se contarmos com o apoio e participação de psicólogos competentes nas diversas áreas e psicólogos interessados em ver crescer a Psicologia. Para isso também, buscaremos reconstruir a unidade de trabalho de todas as forças políticas de nossa categoria.

Esses são nossos compromissos. Essa é a forma que propomos para cuidar da profissão e você pode nos ajudar. VÁ ÀS URNAS NO DIA 28 DE NOVEMBRO e vote CHAPA 2. A partir de dezembro você está convidado para trabalhar junto conosco por UM CONSELHO PARA CUIDAR DA PROFISSÃO.